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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 10.04.09

Gostava de ter sido namorado da Joan Baez

Jorge Fiel

Lá está. Se há coisa que eu gostava de ter no meu curriculum era ter sido namorado da Joan Baez. Mas isso só teria sido possível como muito trabalho de photoshop na fita do tempo.

Quando eu nasci, em 1956, já a Joan tinha uns 15 aninhos bem espigados e precoces, protagonizava actos de desobediência civil na sua escola e ouvia discursos do reverendo King.

Em 1957, ainda eu usava fraldas e mal sabia andar, e já ela comprava por 50 dólares a sua primeira Gibson e fumava erva durante os concertos do Peter Seeger.

Ou seja, para eu ter o mínimo de hipóteses, teria de ter nascido seguramente em 1940 (o que me daria um ano de vantagem sobre ela) ou pelo menos em 1941, para sermos da mesma idade.

Mas não servia de nada se eu nascesse em 1940 no Porto.

Se me deixasse crescer neste pobre e triste país, teria tantas hipóteses de conhecer a Joan Baez como a de ser o primeiro homem a andar na Lua, em vez do Neil Armstrong (isto partindo do princípio que a missão Apollo 11 não foi toda ela encenada num estúdio em Hollywood).

Teria de nascer nos Estados Unidos, ou pelo menos dos meus pais emigrarem para lá comigo ainda catraio.

Para se poder passar alguma coisa entre mim e a Joan, calculo que teríamos de entrar em rota de colisão algures em Boston, em 1958. O facto de ambos termos origens estrangeiras (o pai dela era mexicano e a mãe escocesa) haveria de ajudar na aproximação.

A minha ideia é que já existisse alguma coisa entre nós quando a Joan deu o primeiro passo grande passo no caminho do sucesso cantando "We are crossing Jordan River" no Newport Folk Festival.

Chegados a esta altura, sei que muitos de vocês devem estar a pensar, “coitado do Jorge, se calhar ainda julga que a relação dele com a Baez aguentaria após o electrizante encontro dela com o Bob Dylan, em 1961, no Gerde’s”.

Sei que estão a pensar nisso e só não o dizem alto para não me magoarem, porque sabem perfeitamente que eu ando um bocado esquisito e como como são meus amigos não me querem perturbar mais.

Sei isso, mas só vos digo uma coisa. Acredito que teria uma chance, porque sei que o Bob começou por se entusiasmar pela Mimi, a irmã mais nova da Joan. Estou em crer que se a moça andasse feliz comigo talvez não desse troco ao fanhoso e ele se virasse mesmo para a mana…

Mas mesmo que se tratasse de uma relação efémera, gostava muito de ter sido namorado da Joan, de a ter ouvido a cantar "We Shall Overcome", na marcha pelo direitos cívicos que o Martin Luther King convocou para Washington.

E é claro que adoraria ter estado em Woodstock, em 1969, a ouvi-la cantar "Sweet Sir Galahad", apesar de estar careca de saber que iria ter uma recaída e não resistiria a ir ao backstage, no final da sua actuação, desafiá-la a vermos juntos o concerto dos Jeffersom Airplane.

Acho que era bom negócio trocar uma semana de vida por ter estado em Woodstock, de mão dada com a Joan, a ouvir a Grace Slick cantar "Volunteers".

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