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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 17.03.09

Nova Iorque é mais importante que um orgasmo

Jorge Fiel

 

“Posso morrer porque amei e fui amada. Gostei de homens, de mulheres, de velhas (de velhos não), de bebés, de bichos, de plantas, de casas, de filmes, de concertos, de quadros, de teorias, de jogos, de pastéis de natas, de jesuítas, de russos, de hamburgers, de Paris e de Londres. Nunca fui a Nova York e gostava de ir, mas não me importo de morrer sem ter ido. Também nunca tive um orgasmo. Não me arrependo de nada. É claro que Nova York não se compara a um orgasmo. Um orgasmo é muito mais importante”

De “Irmã Barata, Irmã Batata”, de Adília Lopes

É verdade. Cá estou eu outra vez a viver à custa de uma gaja – desta vez de Adília Lopes, que, tudo leva a crer, possui uma experiência sexual bastante menos diversificada e reduzida do que a minha anterior musa (soi disant..) Ana Anes, a genial autora de Sete Anos de Mau Sexo, uma obra de referência que esteve algumas semanas em cartaz aqui na Lavandaria (e que, aviso desde já, ainda pode voltar sob a forma de mais um ou dois passatempos).

Devo à Pública ter-me apresentado a Adília Lopes, uma poeta (prefiro poeta a poetisa, espero não me levem a mal a liberdade) em que me iniciei no formato prosa, por via de crónicas deliciosas em que ela trinchava as grandes/pequenas coisas do nosso dia a dia.

A propósito, e entre parêntesis, lanço daqui a terrível maldição de sete anos de mau sexo por cima do/a editor/a da Pública que descontinuou (o verbo “descontinuar” é bem mais sexy que o “acabar”) a colaboração da Adília, privando-nos do acesso às suas peripécias e opiniões.

Voltando à vaca fria, neste caso o maravilhoso texto que abre este post, quer declarar a minha felicidade por a autora escrever (e, estou certo, sentir) a frase “não me arrependo de nada”.

Detesto arrependidos. Abomino frases que começam "se eu soubesse o que sei hoje…”. Pois se eu soubesse na passada sexta feira dia 13 o que sei hoje estaria milionário porque tinha ganho o Euromihões. Adília tem razão ao gritar em português o que a Edith Piaf cantou em francês, “Non, je ne regrette rien”!

Posto isto, quero manifestar uma pequena discordância, que se desculpa por a Adília estar a comparar duas coisas que não conhece (Nova Iorque e um orgasmo).

Pronunciando-me com o saber de experiência feito, parece-me que se a Adilia tivesse atravessado a pé a ponte de Brookliyn não escreveria com tanta certeza que um orgasmo é muito mais importante que Nova Iorque.

2 comentários

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    Jorge Fiel

    20.03.09

    Preclara Abobrinha

    Tem razão. Não está a exagerar. Essa da mulher frigida não saber fingir é um pedacinho de ouro.

    Sobre as pontes, o que se me oferece dizer é que a ponte de Brooklyn é consideravelmente mais extensa que a Luiz I - e que não estava a sugerir ao pessoal que fosse tentar ter orgasmos para o meio da ponte. Isso seria tolo!

    A bem da Nação!
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