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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 05.03.09

Já não se fazem homens como havia antigamente

Jorge Fiel

A Sofia Loren gostava de homens-homens

O comentário à sexta fantasia levou-nos por ínvios caminhos até ao fenómeno metrossexual, o que obrigou a um desdobramento. É a vida, como diria o camarada Guterres.

Os metrossexuais inserem-se numa tendência mais profunda que percorre a sociedade e consiste nos homens terem começado a imitar os hábitos e comportamentos femininos.

Os ginásios da cadeia Holmes podem ser o local do país onde existe uma maior densidade de metrossexuais por metro quadrado. É vê-los muito bem encadernadinhos em fatos de Lycra a terem a sua aulinha de step – a frequentarem cabeleireiros gastarem em cremes hidratantes o  dinheiro que deviam gastar em comprar caixas de Montes Ermos (tinto e branco), uma pinga magnífica produzida pela Adega Cooperativa de Freixo de Espada à Cinta – que não é por acaso que é a vila mais manuelina de Portugal.

O homem com H grande (ou homem-homem) quer-se à minha imagem: pançudo, muitos pêlos no peito, careca e com a cara cheia de rugas.

O mimetismo do feminino a que se entregou uma fracção cada vez mais populosa da corporação masculina é uma mutação genética a partir de um fenómeno antigo: o travestismo (1).

Algo não está nos conformes quando um homem se estira numa deck chair com a cara coberta por uma máscara de beleza e com os olhos protegidos por duas rodelas de pepino - que estariam melhor na companhia de tomate, cubos de queijo feto, azeitonas, azeite e muitos orégãos por cima.

Este é o caldo de cultura que leva o homem com h pequeno (e atenção que pode não ser a única coisa de reduzidas dimensões no homem-abichanado!), descrito pela autora a copiar as mulheres, fazendo-se de difícil, quando toda a gente sabe que o primeiro dever de um cavalheiro é ser gentil para com o belo sexo, estando sempre pronto para abrir a porta do carro, acender o cigarro e disponibilizar um ombro para desabafar – ou qualquer outra parte da sua anatomia para outra actividade, contanto que não seja ilegal e se verifique a existência de mútuo consentimento.  

………………

(1) Recomendo, a propósito, a leitura de Morte em Havana, de Leonardo Padura, edições Asa, de onde não resisto em partilhar com todas as preclaras e preclaros um extracto, curiosamente da página 69:

 

“Os homens-homens, heterossexuais, com pêlos no peito e cheiro a cavalo, nunca se envolveriam conscientemente com um travesti. Iriam para a cama com uma mulher e não com aquela versão limitada de mulher, com a entrada mais apetitosa definitivamente enclausurada pela lotaria caprichosa da Natureza”.

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