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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qua | 04.03.09

No meu tempo, não desperdiçávamos uma aberta

Jorge Fiel

A Lavandaria em sintonia com o L'Osservatore Romano

“Gostava que alguns homens – uns já conhecidos outros recém-aparecidos – não se armassem em difíceis (apesar de gostar de brincar ao gato e ao rato) porque os tempos já estão difíceis que cheguem e a vida é um dia e entre o despir e o vestir já só resta metade de uma tarde que tem de ser bem aproveitada, leia-se a dar uso à melhor invenção da história da humanidade: o sexo”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 156

 

Ora aqui temos, descrita nesta sexta fantasia (recordo, a despropósito, que o 6º mandamento nos exorta a não cometermos adultério), um dos piores efeitos secundários da globalização e da igualdade dos sexos: os homens desataram a copiar as mulheres.

No meu tempo (1), o pessoal não desperdiçava qualquer aberta. Não nos fazíamos difíceis. Muito antes pelo contrário. Éramos ainda mais fáceis que a tabuada dos dois. Agora o Mundo parece que está de pernas para o ar. Uma porra, é o que é.

Mesmo correndo o risco de ser adjectivado de porco machista, não posso deixar de ter uma posição severamente critica relativamente ao look andrógino e à perda das características ancestrais de cada um dos personagens naquilo que a autora, numa bela imagem, caracteriza como o jogo do rato e do rato.

A verdade é que me chegam aos ouvidos, cada vez mais frequentemente, espantosos relatos de casos em que os gatos a fugirem desesperadamente de ratos (assim, no masculino, não vamos ajavardar mais do que o indispensável). Ora, convenhamos, esta não é a ordem natural das coisas.

Como se já não bastasse o crescimento galopante da percentagem de homens que se desinteressaram definitivamente das mulheres (2), há ainda a registar que uma outra fatia do universo masculino aceita com gosto e com um sorriso numa linha de lábios bem definida (a condizer com as sobrancelhas bem aparadas e os contornos dos olhos acentuados, à la Quique) que lhes chamem metrossexuais – aparentemente sem temerem que o prefixo evolua de metro para homo.

(continua)

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(1)  Adoro começar assim as frases. Se alguém me pagasse era capaz de ter um blogue ou uma coluna em que estas três palavrinhas seriam obrigatoriamente o início. No meu tempo, o açúcar era mais doce,… No meu tempo, a água era mais aquosa… No meu tempo, o ar era mais arejado…

 

(2)  A este propósito, e com a Lavandaria a assumir uma estranha sintonia com L’ Osservatorio Romano, cito o Levítico: “Não te deites com um homem como se fosse uma mulher; é uma abominação: serão mortos irremediavelmente: que o sangue caia sobre eles”.  É de ficamos todos a pensar que se o bom Deus chamou o Moisés para lhe dizer uma barbaridade destas é porque nem gostaria de ouvir falar em casamentos gay  - tanto mais que a maldição proferida é bastante pior que a descrita no título do livro que tem vindo a ser glosado aqui na Lavandaria.