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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 10.02.09

A genial invenção da monogamia em série

Jorge Fiel

As patifarias que Fritz se prepara para fazer com a sua mulher Bárbara (à direita)  e Chloe  (à esquerda) estão profusamente documentadas na história Trio Caliente, publicada na edição 192 da Gina,  e não se enquadram no conceito de monogamia em série preconizado pela autora

 

“Nós, as mulheres, não somos polígamas, nem monógamas. O que nós somos e sempre fomos (mesmo que vos tenhamos deixado pensar o contrário) é muito mais espertas do que vocês homens. (…)

Tudo isto, contas feitas, me ensinou que mais vale dar uma escapadela à cozinha e comer em dois sítios ao mesmo tempo – um deles à socapa e outro em sociedade, segundo as regras.

A solução ideal que arranjamos, qual híbrido de ressonância de sobrevivência da espécie humana? Pois lá está: nem tanto ao mar, nem tanto à terra; nem tão cínicos nem tão frontais; nem tão a dieta nem tão motivados pela gula.

O segredo que encontramos? A monogamia em série.”

“Sete anos de mau sexo”, Ana Anes, páginas 45/46

 

Nenhum jornalista no seu perfeito juízo pode deixar de se sentir com inveja de director da Maxmen, por ter tido a oportunidade de publicar em primeira mão uma proposta tão audaciosa e inovadora como esta da monogamia em série!

A autora começa de mansinho, sublinhando uma evidência que pode parecer tautológica. Dizer que as mulheres são mais espertas que os homens equivale a repetir que o céu é azul (excepção feita aos dias de chuva), o Sócrates vai ganhar as legislativas e que o Natal este ano volta a ser em Dezembro.

No entanto, como nós, os homens, somos burros, teimamos em cair na imprudência de esquecer a inquestionável verdade de que as mulheres são muito mais espertas do que nós -  e por isso estamos permanentemente a meter a pata na poça (1).

É por essas e por outras que recomendo a todos os preclaros que adoptem como mantra esta frase sábia (“as mulheres são muito mais espertas do que os homens”) e o repitam vezes sem conta sempre que se sentirem tentados a seguir a sugestão feita pela autora e se aventurarem em escapadelas, à socapa e à cozinha (assim, no feminino, e com o em não u).

Mas o valor acrescentado deste pedacinho de ouro que nos é facultado pela autora reside essencialmente na solução achada: a genial proposta da monogamia em série, que seria um excelente fecho de abóboda a coroar a exaustiva produção teórica da longa carreira de um cientista comportamental escandinavo!

Não definindo o prazo mínimo de validade para cada acto monogâmico, a autora absolve a esmagadora maioria das infidelidades e deixa a porta aberta para todas as marotices  - excluindo o menage à trois e outras formas de suruba.

……………

(1)  A evocação deste acto (o meter a pata na poça) fez-me lembrar uma artéria do Porto, a Travessa do Poço das Patas, em Santo Ildefonso, que tinha como âncora uma confeitaria chamada Bico Doce,  de que o meu pai era frequentador assíduo.

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