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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Dom | 08.02.09

Última chamada para Tóquio

Jorge Fiel

Pela desenvoltura evidenciada, parece-me que a senhora da fotografia não usa aparelho nos dentes

 

“Ainda não refeita do choque e humilhação que é ranger os dentes à noite, dei comigo a pensar que mais humilhante será ainda, quando, numa noite escaldante, em que tiver o baixo ventre em ebulição (como diria a Arlinda Mestre, essa grande jet setter que ninguém conhece em França and anywhere else), tiver de usar o aparelho.

Como será? No meio de um french kiss a língua dele prende-se no meu aparelho e teremos de chamar os Anjos da Noite para nos descolarem?

Ou a meio de uma ‘chamada para Tóquio’  fica o meu aparelho preso ao ‘microfone’ dele?

E depois? Só me lembro de uma hipótese mais humilhante do que as anteriores: é a alternativa de dizer: ‘Sorry, honey, tenho de tirar esta coisa transparente para podermos fazer sexo seguro!”

“Sete anos de mau sexo”, Ana Anes, página 42

 

Confesso desde já não possuir qualquer saber de experiência relativamente aos efeitos colaterais, na qualidade do sexo oral, derivados do uso de um aparelho de dentes -  com intuitos correctores ou tão dissuasores do ranger nocturno de dentes.

Algures entre 74 e 75, namorei com uma rapariga que só alguns anos mais tarde vim a saber que tinha dois dentes postiços – e logo os dois da frente e do maxilar superior. Isso impressionou-me muito à época mas não tem a ver com a grandeza e importância da questão levantada pela preclara AA na crónica redigida para o extinto Independente, de que aqui que repesca o mais saboroso extracto.

A propósito do papel da dentição no fellatio, recordo que quando era moço, o imaginário do Porto era povoado por duas figuras populares que nunca cheguei a avistar: o Carlinhos da Sé (reconhecido larilas, que não vem ao caso)  e a Madalena dos Broches.

Constava que a Madalena era desdentada e retirava a dentadura antes de prestar o serviço, do que resultaria grande benefício para a clientela.

Acredito que sim, apesar de achar que os dentes não atrapalham – a não ser que sejam usados com os intuitos amputadores da senhora Bobbitt relativamente ao “microfone”.

Impressionou-me um mail recentemente recebido que continha um clip pornográfico, com aspecto de ser de produção caseira, em que uma senhora está ajoelhada na casa de banho e a meio da “chamada para Tóquio” deixa cair a dentadura ao chão. Deve ter sido um maçada – um corte.

Dizem-me ainda que o piercing no meio da língua proporciona um interessante prazer suplementar, mas volto a ter de confessar minha completa ausência de saber camoniano nesta magna e candente questão.

 

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