Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 29.01.09

A cara tão macia com um rabinho de bebé

Jorge Fiel

Os irmãos Cohen foram sensíveis à problemática do barbeiro

Tem de se ir ao barbeiro para a barba ficar mesmo muito bem feita, ao ponto da macieza da nossa cara poder ser comparada ao rabo de um bebé (um rabinho sem assaduras, como é óbvio).

Não há lâmina descartável (nem mesmo a já aqui muito justamente elogiada Gillette Blue II) que seja capaz de imitar a competência de uma navalha afiada naquela tira de couro que deve ter um nome próprio mas eu creio que nunca soube qual é.

Um tipo senta-se, vê a sua camisa ser protegida por um largo bibe de tecido fino azul clarinho, cingido à volta do pescoço por um pequeno alfinete bebé, a cadeira reclina-se, olha para o espelho antes de fechar os olhos e sentir o pincel espalhar uma tépida espuma pela área de intervenção. Está tudo pronto para o inicio da operação.

É indiscritivel a sensação de elegância que se vive quando a navalha passeia pela nossa cara dizimando, sem dó nem piedade, os pêlos que se atravessam no seu caminho.

A única coisa que temos de fazer é, a pedido, subir ou descer o pescoço, inclinar a cara mais ligeiramente para um lado ou para outra, e, no final, arrepanhar um pouco o local do bigode e estar particularmente quietos e com os lábios descontraídos quando a navalha trabalha na zona raiana da nossa boca.

Concluída esta primeira fase, há um intervalo. A cadeira volta à posição inicial, confirmamos no espelho que perdemos parte do aspecto de potencial assaltante de bancos que tínhamos quando nos sentamos, enquanto o barbeiro se afadiga nos preparativos para a segunda fase – o escanhoar, que consiste em repetir a operação.

E depois há a cereja em cima do bolo, quando o barbeiro manobra no interior das nossas narinas as pontas de uma tesoura de lâminas enormes e afiadas, com o louvável intuito de nos cortar os pêlos que inesteticamente nos saem do nariz.

(continua)

 

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Jorge Fiel

    01.02.09

    Preclaro Anónimo

    A respiração quente, ligeiramente ofegante e um tudo nada ofegante, de uma cabeleireira (bem apessoada)no nosso pescoço pode ter efeitos afrodisiacos.

    Mas também pode viciar. Tenha cuidado, porque ainda dá por si um dia a apareciar sentir um bafo, na parete de trás do pescoço com intenso aroma a alho e tabaco....

    Todos os cuidados são poucos. O mundo está perigoso.!
    de ligei
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.