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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 24.01.09

A utilidade das tampas das esferográficas Bic na extracção de lixo das unhas e cera dos ouvidos

Jorge Fiel

 

Na conferência de Yalta de Fevereiro de 1945, onde os lideres dos Aliados estiveram entretidos a desenhar o mapa da Europa do pós guerra, Stalin ficou de tal maneira invejoso ao ver Franklin Delano Roosevelt a assinar os acordos com uma esferográfica (uma modernice que ainda não chegara à URSS) que não descansou enquanto não ficou com ela, dando em troca, ao presidente norte-americano, a sua caneta de tinta permanente.

Tenho uma enorme simpatia pela Bic, talvez a marca que melhor soube surfar em cima da onda de um mundo em mudança que sacrificava o durável no altar do descartável.

Depois dos lápis Viarco (ocasionalmente Staedtler, um momento de luxo importado) foram as esferográficas Bic, esfera fina (para uma escrita fina!) e cristal (para um escrita normal!), nas suas quatro cores standard (azul, preta, verde e vermelha) que me acompanharam ao longo de 17 anos de estudo.

As esferográficas Bic, sofreram, em determinada altura, uma concorrência não muito forte das portuguesas Molin e apenas foram secundarizadas pela verdadeira revolução que significou a chegada ao mercado das Futura, que encantou as vanguardas.

O museu nova-iorquino MoMa reconheceu o papel da Bic no século XX ao ter em exposição algumas destas esferográficas com um design magnífico e valências diversas (a ponta da cápsula além de permitir prender a esferográfica ao bolso era frequentemente utilizada, com elevado grau de eficácia na extracção de lixo das unhas e cera dos ouvidos).

A Bic patrocinou ainda uma equipa de ciclismo que disputou durante vários os anos o Tour de France, que venceu pelo menos uma vez, através do espanhol Luis Ocaña. O nosso Joaquim Agostinho chegou a envergar a camisola laranja com uma faixa branca horizontal, da Bic.

Tudo isto me leva a ter uma enorme consideração pela Bic, que como não podia deixar de ser não perdeu a oportunidade para cortar para si uma fatia no mercado crescente e florescente das lâminas de barbear descartáveis.

A lâmina Bic é muito bonita, com a pega e o encaixe protector a laranja. A lâmina Wilkinson desenvolve-se num arco ligeiro e muito elegante. A Schick está mais cheia de tradição que os oceanos de sal. Mas quando chega a hora de cortar os pêlos da cara, a melhor lâmina é, sem sombra de dúvida, a Gillette Blue II. 

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