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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 17.01.09

A badalhoca que não se lava por baixo e aquela ali que até parece não tem espelhos em casa...

Jorge Fiel

O velho Haddock é o mestre do insulto

“Sua badalhoca! Não te lavas por debaixo”. Mais ou menos ipsis verbis foi este o mais espalhafatoso insulto entre mulheres que me foi dado a ouvir.

A rua da Reboleira (onde outrora residiu o célebre Toninho da Reboleira, especialista amador no tratamento de esquentamentos e outras doenças venéreas - não sei de que é que a Câmara para mandar por uma placa evocativa à porta!), na Ribeira, foi o cenário em que foi pronunciada este pequeno pedacinho de ouro da oralidade neo-realista.

O insulto foi o refrão mais sonante da rica banda sonora de uma bulha entre mulheres cuja dimensão física reunia os ingredientes indispensáveis para ser cinematográfica - ou seja, arranhavam-se na cara e tentavam arrancar os cabelos uma à outra. Acção a mais para o nosso Manoel, que imortalizou a Ribeira com o seu Aniki Bobó.

Foi já há uns bons 15 a 20 anos, quando eu frequentava com alguma frequência o território que os gangs da Ribeira e de Miragaia usam agora como a sua Faixa de Gaza privativa, que registei este insulto no meu disco rígido.

Nunca cheguei a apurar ao certo qual a divergência de pontos de vistas que originou a briga, mas estou a crer que não errarei muito se presumir que era assunto de calças ou de maledicência circular (1).

Não tenho dúvidas de que os mais cruéis insultos são ditos por mulheres e para mulheres. Se o da “badalhoca que não se lava por baixo” é o meu preferido, pela sua extravagância, não posso deixar de referir a imensa preversidade contida na frase “aquela ali parece que não tem espelhos em casa…” tantas vezes murmurada (talvez para não chegar aos ouvidos da visada).

O que nos trás de volta para a temática da casa de banho e do respectivo espelho.   

 …………….

(1)  O conceito de “maledicência circular” (ou, se preferirem, “maledicência de volta perfeita”) foi, neste preciso momento, inventado por mim para significar uma situação em que a fulaninha usa a sicraninha para pôr a circular um boato doloso e assassino sobre beltraninha, sendo que esta última acaba, mais cedo ou mais tarde, por descobrir toda a tramóia, que na origem do rumor prejudicial está a cabra da fulaninha, pelo que se dirige a ela para tirar explicações e obter o conveniente desforço. No momento desta minha invenção, acho por bem dedicá-la ao grande e falecido Eduardo Prado Coelho, como singela retribuição por ele ter cunhado o conceito de orgasmo vertical, contribuindo assim para a felicidade de muitos portugueses e brasileiras (e, estou em crer, de outros lusófonos de ambos os séculos). Já agora um pergunta ao Instituto Camões. Para quando a exportação deste conceito genial do EPC?

 

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