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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 25.12.08

Em defesa da saúde dos nossos pirilaus

Jorge Fiel

Pilatos emprestou uma terrível fama ao acto de lavar as mãos, mas isso nunca me inibiu de o fazer sempre que concluo com sucesso a missão de satisfazer as minhas necessidades fisiológicas de carácter líquido e sólido.

Não sou um maníaco da lavagem de mãos. Até desconfio desse tipo de pessoas, a quem recomendo uma leitura atenta de Mãos Sujas, a obra seminal de Jean Paul Sarte.

Sabendo que corro o sério risco de construir a reputação de ser um pouco porco, confesso-vos que não acho indispensável lavar sempre as mãos antes de comer – a não ser que as tenha sujado ao apertar a mão a um politico, a mudar um pneu ou a fazer um montinho de 20 notas de cinco euros para ir ao banco trocá-lo por uma nota de cem (gostava de ter uma na mão e nunca me saiu nenhuma no multibanco).

O povo diz que o que não mata engorda e eu estou aqui para comprovar como ele (o povo) está carregadinho de razão neste seu pedacinho de sabedoria – estou vivo e gordo.

Estabelecidas as minhas credenciais como um liberal nesta matéria (a lavagem de mãos) acho estar apetrechado com a credibilidade suficiente para defender a importância nuclear de proceder a esta operação (a lavagem de mãos) antes de fazer chichi – e não apenas depois, como é regra e hábito universalmente aceites.

Se as preclaras (apenas indirectamente interessadas na matéria) e os preclaros reflectirem um pouco estou certo que me darão razão.

Enquanto as mãos andam em contacto permanente com a sujidade deste mundo (corrimões infectos das escadas do metro, jornais impressos com tintas baratas e tóxicas, puxadores de porcos badalhocos, e assim por diante), o bom do pirilau passa o dia agasalhado e protegido por uma muralha dupla (constituída por cuecas e calças), preservando-se assim limpinho desde que foi seco com enlevo por um atoalhado turco (produzido no Vale do Ave) após o chuveiro matinal.

Por isso mesmo, em defesa da saúde dos nossos pirilaus, lanço a partir desta Lavandaria, neste dia de Natal de 2008, uma campanha nacional no sentido de todos os preclaros passarem a lavar obrigatoriamente as mãos antes de praticarem tiro curvo (o mesmo usado pelas granadas de morteiro) tendo como alvo o centro da sanita ou do mictório.

Estou mesmo em condições de afirmar que lavar as mãos depois do chichi pode ser opcional, contanto que esse acto higiénico tenha sido cumprido antes!