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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 22.12.08

Um acto solitário e sagrado que deve desenrolar-se sem testemunhas oculares e auriculares

Jorge Fiel

A felicidade passa por pequenas coisas, não raras vezes negligenciadas, como estar completamente descontraído quando estamos sentados no trono a evacuar a matéria que o nosso aparelho digestivo classificou como não relevante para o regular funcionamento do corpo.

Sim, preclaras e preclaros amigos, cagar tem que se lhe diga e pode ser uma arte – ou, pelo menos, um momento zen.

Para começar, além de uma necessidade é evidentemente uma questão de estado de espírito.

É um erro terrível, com consequências funestas, encarar a satisfação das necessidades fisiológicas de carácter sólido como um acto corriqueiro que se deve despachar com a ligeireza com que se põe uma carta no correio.

O conselho número um é simples: não há que ter pressas. Evite ir para a casinha stressado. Dê tempo ao tempo. Mais vale perder um minuto na vida do que apanhar uma prisão de ventre num minuto.

Esteja preparado para alocar uns bons 20 minutos (por que não meia hora?) à nobre operação de evacuar os intestinos. 

O segundo conselho, ainda mais importante que o primeiro, é o seguinte: não seja apanhado com as calças na mão e a mão no papel higiénico. Proteja a sua privacidade, Feche a porta da casa de banho à chave e não a abra antes de ter calmamente concluído a função, seja qual for o pretexto invocado por quem está a bater à porta.

(sei de uns engraçadinhos que adoram disfarçar a voz, assumir a falsa identidade de bombeiros e gritar que a casa está a arder, a ver se cola e um tipo abre a porta).

Defecar é um acto solitário e sagrado que deve desenrolar-se sem a presença de testemunhas oculares ou auriculares.

 

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