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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 20.12.08

Papel de jornal: uma solução que tem tanto de ecológica e económica como de desconfortável

Jorge Fiel

 

Quando era miúdo, não era raro as folhas macias do papel higiénico serem substituídas por papel de jornal.

Tratava-se de uma solução que tinha tanto de ecológica e económica como de desconfortável.

À época, os jornais usavam tintas baratas, empanturradas de produtos tóxicos susceptíveis de provocar arreliadoras irritabilidades no buraquinho (1) e, quem sabe?, induzir desagradáveis crises de hemorroidal.

Acresce que, no dealbar da década de 60, os jornais eram impressos em papel de fraquíssima qualidade, com uma rugosidade que desaconselhava a sua utilização com sucedâneo do papel higiénico – se ainda fosse o papel branco premium do Expresso…

Já ontem tive oportunidade de elencar sumariamente alguns dos usos domésticos legais que os jornais podem ter depois de esgotado o seu prazo de validade. A saber:

a)     Colocados entre o nosso corpinho e roupa molhada não só aquecem como previnem constipações, gripes, pneumonias e broncopneumonias;

 

b)    Amarrotados, por forma a encher por completo o interior de sapatos encharcados, ajudam a que eles sequem mais rapidamente e não fiquem deformados;

 

c)     São um precioso auxiliar das pinhas e acendalhas na sempre ingrata tarefa de acender uma lareira.

Se espremesse um pouco mais as meninges, estou certo que poderia alongar esta lista.

Mas acho desaconselhável e pindérico usar folhas de papel de jornal (salvaguardo, como possível excepção, o Expresso, devido à elevada qualidade do seu papel)  a fazerem as vezes de papel higiénico. a não ser em situações de óbvia emergência - em tempo de guerra não se limpam as armas, mas isso não pode servir de desculpa para andar com o cuzinho badalhoco.

Na hora de limpar o rabo há que ter a coragem e a frontalidade de dizer Não a soluções cripto-proletárias, como o papel de jornal, ou tardo-aristocráticas, como o papel higiénico preto da Renova.

O papel higiénico branco, folha dupla e macio, do Pingo Doce, é uma opção certa, e ao alcance de todas as bolsas, para fechar com chave de ouro uma boa cagadela.

 

PS. A imagem que ilustra este post é de uma instalação (Jorge Fiel, 8h48, 20 Dezembro 2008, Pasteleira ) que tem como elemento central um monte constituído por 1080 quadradinhos de papel de jornal - com a dimensão aproximada de nove por onze centímetros (o quadrado de papel higiénico marca branca do Pingo Doce, que se pode ver na imagem, é 9,3 cm por 11,5 cm)  - fabricado a partir dos dois cadernos (40 páginas do primeiro caderno, 32 do de Economia) broadsheet da edição do Expresso de 13 Dezembro de 2008, ainda sem Ricardo Costa (que nas vésperas de ser extraído da Sic assinou um artigo no Diário Económico considerando escandalosa a intervenção estatal para salvar o Banco Privado, onde, por acaso, Balsemão tem a sua fortuna) no cabeçalho, e que anuncia Carrilho da Graça como vencedor do Prémio Pessoa e o sorteio de 4 Toyotas iQ pelos leitores do Expresso. O autor (eu próprio) está a analisar a possibilidade de ligar ao João Fernandes e doar esta instalação (excluindo o portátil LG) à colecção permanente da Fundação de Serralves.
 
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(1) Este diminutivo é literal, ou seja não e carinhoso, excluindo à partida o diâmetro mais avantajado do ânus gays.

 

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