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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 15.12.08

Do rolo de papel higiénico da paneleira de Álvaro Cunhal ao soldado que queria ir em cima dos pés

Jorge Fiel

O que transportava Álvaro Cunhal na paneleira, que fielmente o acompanhou durante os últimos anos da sua vida pública, é um dos mistérios que envolvem a mítica figura do líder comunista a que nem a pantagruélica e inacabada biografia da autoria do José Pacheco Pereira logrou dar resposta.

O meu preclaro amigo Carlos Magno Castanheira (UEC na sua alta juventude, quando debutou nas letras publicando nas colunas do alinhado jornal Opinião) reivindica ser o Hercule Poirot que desvendou este intrincado mistério.

Jura o Carlos que Cunhal era um homem prevenido (valendo, assim, por dois)  e por isso fazia questão de ter sempre à mão um rolo de papel higiénico, para o que desse e viesse, que protegia da curiosidade alheia agasalhando-o no interior da dita paneleira.

Estou tentado a acreditar nesta versão, apesar do preclaro Magno ter estabelecido, nos meios políticos e jornalísticos, a sólida reputação de não resistir a colorir a realidade e de, frequentemente, revelar uma enorme dificuldade em descortinar com rigor a ténue linha que a separa da ficção.

Fazer-se acompanhar de um rolo de papel higiénico seria uma cautela que Cunhal teria ganho nos austeros tempos da clandestinidade, em que ele, por várias centenas de vezes (calculo eu!), se terá visto na contingência de se aliviar ao ar livre, no mato, escondido atrás de umas moitas.

A propósito do uso de paisagens naturais, não edificadas, para proceder à evacuação dos intestinos, recordo com saudade um dos primeiros mistérios semânticos que tive de ultrapassar durante o ano que durou a minha estadia de um ano, como asp.of.mil. cubano, no 19 (a alcunha do Regimento de Infantaria do Funchal).

Logo na minha primeira semana, um dos soldados do meu pelotão dirigiu-se-me respeitosamente solicitando autorização para, passo a citar, “ir em cima dos pés”.

Sim, o que ele queria mesmo era cagar. Ou, se preferirem, com a devida vénia ao dicionário da Porto Editora, “expelir naturalmente os excrementos pelo ânus”.

 

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