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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 01.12.08

A irresístivel ascensão da vodka

Jorge Fiel

 

Há toda uma vasta série de questões relacionadas com a geografia e história que levaram a que os polacos se dêem mal com os russos (e vice-versa), sendo que uma das mais relevantes é o contencioso sobre a paternidade da invenção da vodka, que é firmemente reivindicada por ambos os países.

Ao longo dos tempos, a vodka deixou de ser uma coisa que não me dizia nada para passar a ocupar um lugar cimeiro no meu pódio de preferências no capítulo das bebidas brancas – uma categoria onde curiosamente alberga uma paleta de cores suficiente para compôr um arco íris.

Nunca fui grande fã de gin, bebida que enjoei em definitivo, estando para mim absolutamente fora de questão encomendar um gin tónico.

Já não digo que não (antes pelo contrário) a um vodka tónico para arredondar um fim de uma tarde quente de Verão e funcionar como uma placa giratória para um agradável jantar ao ar livre.

Durante o período de consolidação da jovem democracia portuguesa tornei-me regular consumidor de uísques diversos, errando ocasionalmente entre o Highland Clan (nas semanas de maior aperto financeiro) e o William Lawson (quando havia alguma folga) e os irlandeses Jameson Bushmills, passando pelos tradicionais scotches Famouse Grouse, JB, Cutty Sark e Johnnie Walker (quando os meus bolsos já tinham algum fundo).

Maltes é que só mesmo quando as empresas achavam por bem exteriorizar o ser espírito natalício enviando lá para o jornal, a meu cuidado, umas botelhas de Cardhu, Glenfiddich, ou até mesmo de Glenrothes (the top of the tops).

Os tempos, as vontades e os hábitos mudam, eu e a democracia portuguesa fomos amadurecendo em conjunto, deixamos de ser jovens e o uísque desapareceu dos meus copos.

Observei durante alguns anos uma rigorosa Lei Seca, de onde emergi para o consumo monotemático de vinhos (nas suas variantes branco, rosé, tinto e champanhe).

Bebidas brancas sé em ocasiões muito especiais, mas mesmo muito especiais, como o Ano Novo chinês, o aniversário do menino Jesus (o de Praga) ou do professor Cavaco, ou as noites de Lua Cheia – para citar apenas quatro exemplos.

Após o meu Ramadão, o pódio das minhas bebidas alcoólicas ficou ordenado da seguinte maneira:

1º Vodka

2º Jack Daniels (e outros bourbons como Fours Roses e Wild Turkey)

3º Cognacs, armagnacs e aguardentes velhas.

 

(continua)

 

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