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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 21.11.08

Uma recordação verdadeira ou postiça?

Jorge Fiel

 

“No meu tempo...”  Como estou numa fase razoavelmente adiantada do processo de transformação em antepassado, são cada vez mais frequentes as frases que começo com estas três palavrinhas: “No meu tempo…”

Não façam confusão. Apesar de haver de quantidade alarmante de pessoas que teimam em tratar-me por senhor , não sou dos que dão razão ao Baudelaire, que odiava “o fatal obscuro do progresso”.

Nunca me apanharão a dizer que, no meu tempo, o açúcar era mais doce, a água mais aquosa, o ar mais arejado – ou que a 4ª classe valia pelo menos tanto como o actual 12º ano.

Mas reconheço não ser raro dar comigo a dizer “ainda sou do tempo em que..” .Quando eu estiver neste registo, a única coisa que peço aos meus amigos é o subido favor de não me interromperem porque, como toda a gente sabe, para os velhos a memória é como uma pilha de porcelanas – se se tenta tirar um prato do meio, dá asneira e a coisa parte-se toda por aí abaixo.

Eu ainda sou do tempo em que era muito provável apanhar piolhos nas matinées duplas do Carlos Alberto,  dois filmes (muito cortadinhos por sinal), pelo preço de um -  um dois em um, que era um conceito muito inovador e avançado para a a época (o verdadeiro avant la lettre)..

Eu ainda sou do tempo em que havia dois intervalos no cinema. O primeiro a separar as Actualidades e “previews” do início do filme. O segundo a partir a fita ao meio, um acto que hoje não hesito em qualificar como criminoso, mas que à época dava bastante jeito para puxar umas passas e tentar engatar uma pequena.

Alto! Eu escrevi Actualidades? Actualidades ao jeito de documentários noticiosos, a preto e branco, sob o título genérico Assim vai o Mundo?

Chego aqui e plisso. Fico na dúvida. Isto de eu, nascido a 30 de Maio de 1956, ter ido ao cinema e passarem Actualidades será uma recordação verdadeira ou postiça?

Pois, confesso que fartei-me de espremer as meninges e não achei uma resposta. Se alguém a tiver, peço o favor de a partilhar comigo (desde já o meu muito obrigado, pois não sei como procurar no Google a resposta a esta inquietação).

Para o caso, o que interessa é que quando estou de visita a um país, não me preocupo só com a sua história, património, ideias, costumes, gastronomia e esplanadas, mas também com os assuntos que preocupam os indígenas – as actualidades.

Pelo que, para encerrar uma semana em que a atmosfera sombria dos campos de morte de Auschwitz e Birkenau pairou sobre esta Lavandaria (onde tudo pode acontecer, com este absurdo de eu passar dois meses a  escrever todos os dias, sem excepção, sobre a Polónia), vou confeccionar uma breve resenha aqui vai uma breve resenha do que dominavam a conversa dos polacos quando eu andava pelo pais deles.

(continua)

 

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