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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 27.10.08

Longa vida ao simpático general Kosciusko!

Jorge Fiel

 

 

 

É fácil compreender porque é que o conjunto fortificado de Wawel foi construído no alto de uma colina, avistável logo ao dobrar da primeira esquina depois de termos saído do Ibis Centrum Cracóvia, em direcção ao rio Wisla.

Já não é tarefa ao alcance de qualquer mortal identificar as famosas sete colinas de Lisboa, mesmo que o observador esteja confortavelmente instalado no esplendoroso miradouro da Graça, no jeitoso bar do último piso do Sheraton ou no deslumbrante pátio do Regency do Chiado (onde recomendo vivamente a sanduíche de galinha tandoori a acompanhar a vista e o copo de vinho branco).

Em quatro prestações, vivi em Lisboa sete dos 52 anos que levo nesta vida e nunca consegui obter a prova à S.Tomé (ver para crer) da existência das célebres sete colinas.

Mas pensando melhor no assunto, isso não vêm ao caso. O que interessa é que a colina de Wawel existe. Eu vi-a e visitei-a no dia 9 de Setembro de 2008 (1)!

Que se lixe se Lisboa tem mania das grandezas e apregoa ter sete colinas, quando efectivamente só tem cinco, ou até mesmo apenas quatro.

Wawel reúne os dois edifícios mais importantes que à época (a transição da Idade Média para a Moderna) uma capital europeia albergava: o Castelo Real e a Catedral. Se fosse hoje, haveria que acrescentar um estádio de futebol e um museu de arte contemporânea.

Ao subir a rampa de acesso ao castelo, reparamos que ao alto estava um jovem cavalheiro, montado a cavalo, que nos acenava amigavelmente, em jeito de quem dá as boas vindas.

Muito bem impressionado com esta deferência, consultei o guia DK de Cracóvia e fiquei a saber que se tratava do incontornável general Tadeusz Kosciusko, uma presença frequente na toponímia polaca (nos arredores de Cracóvia há mesmo uma colina artificial erguida em sua homenagem).

Kosciusko era já um veterano da Revolução Americana quando, em 1794,  liderou uma insurreição bem sucedida (ainda que apenas temporariamente) contra os russos. As cinzas dele estão da cripta da catedral. A estátua fica ali logo à entrada, mas trata-se de uma cópia. A original foi destruída pelos nazis, devido ao seu elevado grau de intolerância para com a iconografia patriótica polaca.

À entrada, junto à bilheteira, está um contador que assinala o número de bilhetes disponíveis para o dia. Bem visto. O estabelecimento de um  “numerus clausus” de visitantes, impede que o local mais sagrado para os polacos se assemelhe à feira de Custóias ou às praias da Costa da Caparica num dia quente de Verão.

Alardeando uma prudência e sabedoria que não posso deixar de elogiar, adquiri apenas o bilhete básico, que abre as portas da catedral e do castelo (dez zlotys por cada adultos, cinco euros para estudantes e menores), abstendo-me de cair na tentação de ter mais olhos que barriga e comprar o acessos aos aposentos reais, toca do dragão, exposições permanentes ou temporárias e etc.

Não devemos nunca abusar da nossa capacidade para conhecer e digerir coisas novas, que como todos sabemos é finita.

E a minha visão de uma viagem de férias está nos antípodas dos japoneses, que durante a viagem só se preocupam em tirar fotografias. As férias deles só efectivamente começam quando estão de regresso a casa e começam a ver as fotos.

 

Bilhete de acesso a Wawel

(continua)

………………

1)    Tivesse eu esperado um ano e seria o memorável dia 09.09.09  

 

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