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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 24.06.08

A gravata como desbloqueador de conversa

Jorge Fiel

Aí está a mnha gravata “Back in the USSR”

 

Junho já está quase no fim e, contabilizando com rigor, reparo que apenas por duas vezes usei gravata  este mês.

As vezes foram tão poucas que até me lembro da gravata e da circunstância:

1.     Usei a verde alface (domingo constatei que está demasiado trendy pois o Santana Lopes tinha uma igual ao pescoço quando discursou ao congresso dos laranjinhas), para ir almoçar ao Vino Tinto do Campo Pequeno com a Marina Ferreira, presidente da Emel  - strictly business, nem sequer vos passe pela cabeça que aproveitei para  obter inside information  sobre  o modus operandi dos fiscais da Emel;

 

2.     Usei a vermelha com estrelas brancas (da Gant, como já é antiga o nó ficou muito fino) para entrevistar para o Porto Canal o Henrique Lehrfeld, CEO da Hormann Portugal.

Esta fraca frequência de uso da gravata pode indiciar duas coisas.

Uma é que as pessoas realmente importantes, cuja presença obriga ao uso da gravata, deixaram de ter interesse em encontrar-se comigo.

A outra é que a gravata está a ficar fora de moda.

Quero crer que ambas as razões pesam no facto de eu ter usado apenas duas vezes gravata neste mês de Junho. Mas estou em crer que a segunda tem uma influência claramente superior à primeira. E acreditem que não penso e escrevo isto  por precisar de regar a minha auto-estima - uma vez que  continuo a ter em elevada consideração as minhas capacidades profissionais.

Sucede que o fato sem gravata já é uma indumentária perfeitamente adequada a um bom número de almoços e encontros de natureza social ou profissional.

Um dia destes o pessoal das televisões generalistas vai perceber isso e dar razão ao Zé Alberto Carvalho que inovou ao apresentar sem gravata um telejornal de 6ª feira.

Nada em move contra a gravata, um acessório que aprecio e cujo usos permite dar um toque pessoal aos impessoais fatos cinzento antracite e azul ultramarino que fardam a esmagadora maioria dos homens que por dever do oficio tem de ir fardados para o trabalho.

Durante alguns anos usei uma gravata vermelha decorada com submarinos, foices e martelo, e outra iconografia soviética em apresentações de contas dos mais respeitáveis grupos empresariais listados no PSI 20.

Dei-me muito bem com isso. A gravata funcionou como um magnífico desbloqueador de conversa. As pessoas dirigiam-se a mim e lá desenvolviam os seus comentários a propósito. Eu, educadamente, deixava-as falar e no final da converseta desvendava o segredo, virando a gravata do avesso para lhes facultar o acesso a ficha técnica.

Tratava-se de uma gravata de uma série encomendada pela Tie Rack e dedicada a canções dos Beatles – a minha era inspirada no “Back in the USSR” . A propósito,  sinto que devo revelar-vos que a minha filha Mariana ofereceu-me de prenda de anos uma fabulosa caneca inspirada na canção “Yellow Submarine”.

Muito embora, por culpa da minha barriga, já não me caia a direito, a gravata apresenta outras vantagens não negligenciáveis, para além de poder ser um toque de fantasia e um desbloqueador de conversa.

A gravata é de uma enorme utilidade nos dias frios, porque nos aconchega. Podem crer!

Chegado a este ponto, devo declarar que só os homens que teimam em usar colarinhos de tamanho de diâmetro inferior ao do seu pescoço podem dizer que a gravata  “aperta” e é desconfortável. Comprem camisas adequadas e depois venham falar comigo!

O maior inconveniente que detecto na gravata são as nódoas. Se não me ponho a pau, cada vez que uso gravata à mesa tenho de a seguir fazer uma visita ao 5 A Sec.

A maior vantagem que vejo no fato sem gravata é a de nos conferir um look ao mesmo tempo formal e descontraído. O que é magnífico!

Acho que a gravata fica a matar a algumas mulheres, mas isso já é outra história.

 

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