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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 17.04.08

Recuso-me a acreditar que os meus netos se vão casar com as descendentes da Loli

Jorge Fiel

 

A célebre definição de Woody Allen sobre masturbação (“é fazer amor com alguém de quem gostamos muito”) ganha uma nova e inesperada dimensão com a previsão feita por David Levy, especialista inglês em inteligência artificial, de que, por volta de 2050, as nossas parceiras sexuais favoritos serão robots.

 

Tudo leva a crer que nessa altura já não estarei disponível para experimentar essa modernice, mas mesmo assim o tema despertou a minha curiosidade.

 

Levy aparenta não ter qualquer dúvida, ao ponto de dizer que “amanhã os robots serão de tal maneira realistas que os humanos se apaixonarão por eles, farão amor e acabarão por se casar”.

 

Não escondo o meu cepticismo relativamente a esta previsão, apesar do seu autor ser um reputado especialista internacional em inteligência artificial e de eu não passar de um tipo “que escreve sobre broches” (cito a frase amável de uma amiga minha).

 

Este profundo cepticismo fundamenta-se quase integralmente na imagem de Loli que ilustra o artigo do jornal suíço supra reproduzido, onde bebi os conhecimentos que problematizo neste “post”.

 

Loli, a uma boneca “high tech” de silicone fabricada na Alemanha que pesa dez quilos e custa dez mil francos suíços (cerca de 7500 euros), é apresentada como o protótipo que prefigura o robot do futuro.

 

Ora chegado a este momento delicado, sinto-me na obrigação de declarar o seguinte: Se a Loli dá uma ideia, ainda que pálida, do robot do futuro, recuso-me a acreditar que os meus filhos, netos e eventuais bisnetos se vão envolver, apaixonar, fazer amor e casar com os descendentes dela.

 

Não me custa aceitar que a robótica e o mercado do sexo estejam em rota de colisão.

 

Acho muito provável que a evolução tecnológica das bonecas insufláveis (que nunca experimentei) faça delas uma alternativa credível à masturbação, ou, se preferirem, passem a constituir uma espécie nova de masturbação com mais valor acrescentado.

 

Nada me move contra os robots. Amo o R2 da saga “Star Wars”. Recordo com saudade a canção pop “Olhó o Robôt” (“é pró menino e prá menina”) dos saudosos Salada de Fruta, liderados pela Lena de Água (aquele conjunto testa/sobrancelhas/olhos não foi muito bem resolvido pelo Criador - emprestava-lhe um ar ligeiramente bovino mas que exalava um “je ne sais pas quoi” de sexualidade, a um tempo lânguida e selvagem).

 

Dar uma cambalhota com um robot apresenta uma data de vantagens sobre a relação sexual tradicional, a saber:

 

a)     Não se apanham doenças;

 

b)    Uma pessoa explica-se quando quiser e não tem de pedir desculpa se por acaso não conseguiu controlar-se e frustou o orgasmo da parceira porque acabou segundo e meio antes do tempo;

 

c)     Findas as hostilidades, podemos virar-nos para o lado e começar a ressonar sem correr o risco de ganhar a fama de insensível ou ser acusado de javardo.

 

Apesar de todos estes apesares, custa-me a crer que num futuro próximo o pessoal vai desatar a apaixonar-se, quecar e casar com robots.

 

Neste sentido, não me ensaio nada em contrariar as previsões do David Levy e em considerar altamente improvável a massificação futuro do consumo das descendentes de Loli, que terão sucesso apenas como produto de nicho.

 

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