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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 04.04.08

Um recado urgente ao pessoal do Vale do Ave a propósito da ruptura de stock de bandeiras tibetanas

Jorge Fiel

 

A onda internacional de contestação a Pequim, motivada pela repressão chinesa à revolta dos monges tibetanos, abriu uma oportunidade de ouro para a indústria portuguesa de têxtil e vestuário.

Descobri isso numa pequena notícia ao fundo de uma página par do Matin Bleu, onde se dá conta do desespero de Jacques Arnal, porta-voz da Associação A Porta do Tibete.

«Normalmente vendíamos uma ou duas bandeiras por dia. Agora está toda a gente em ruptura de stock. Mesmo na internet é muito difícil encontrar uma bandeira tibetana», informa Jacques.

Não é só na Suíça que os stocks de bandeiras tibetanas estão em ruptura. Na vizinha França, a Associação Leões das Neves Mont-Blanc queixa-se exactamente da mesma penúria.

Nestas ocasiões é que se vêm os homens - e as mulheres. Há que ser rápido como o jaguar, leve como a gazela, manhoso como a raposa, astuto como o coiote e ágil como o tigre.

Neste momento, se a mensagem da flexibilidade debitada pelos gurus da industria tivesse sido devidamente entendida, o Vale do Ave já estava todo a produzir bandeiras do Tibete para satisfazer a sequiosa procura internacional que se vai manter em crescendo pelo menos até ao Jogos Olímpicos.

Dos gabinetes de design já deveriam estar a sair, em direcção às fábricas, protótipos de uma alargada e diversificada gama de produtos tendo como tema base a bandeira do Tibete: canecas, porta-chaves, esferográficas, magnetos de frigorífico, tapetes de casa de banho, esferográficas, cartas de jogar, etc.

A Renova já deveria estar a produzir uma variante do seu papel higiénico vermelho com as estrelas e a foice a martelo amarelas da bandeira chinesa.

Estilistas renomados como a Katty Xiomara, a Anabela Baldaque e a Maria Gambina (omito propositadamente a Fátima Lopes uma vez que lhe seria muito difícil conseguir conjugar toda a paleta de cores do pavilhão tibetano na escassíssima quantidade de tecido que usa nas suas criações) já deveriam estar a preparar colecções unissexo inspiradas na bandeira do país que é o tecto do Mundo - e no elegante corte das fatiotas do Dalai Lama e dos monges tibetanos.

Seria uma oportunidade única por várias razões e mais uma.

Sendo que a mais uma é que na confecção desta linha de produtos não haveria que temer a concorrência chinesa.

 

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