Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 11.02.08

Redacção sobre a Coca-Cola

Jorge Fiel

Sou um consumidor moderado de Coca-Cola Light, bebida que aprecio apesar de nunca se ter entranhado em mim – muito provavelmente por nunca a ter estranhado.

Aquilo que estranhei na minha adolescência foram os dois pesos e medidas com que o Estado Novo tratava a Coca-Cola, interditando a sua venda na Metrópole ao mesmo tempo que a autorizava nas colónias. Nunca percebi a razão que esteve  na origem deste tratamento diferenciado.

Como o fruto proibido é o mais apetecido, em 1972, comprei uma garrafa enorme de Coca-Cola logo na primeira paragem que o Sud Express fez  após vencida a fronteira.  Viajava com um InterRail e era a primeira vez que bazava do país. Tinha 16 anos.

Devo confessar-vos que vivi nessa viagem primeiras experiências mais gratificantes do que a do o primeiro golo de Coca-Cola. Mas adiante, porque isso já são contas de outro rosário.

Acho exagerado atribuir à minha militância politica radical o facto de ter atravessado o resto da adolescência e a minha primeira fase da idade adulta sem beber Coca-Cola.

É certo que nas águas políticas em que eu navegava, a Coca-Cola era tratada como «a água suja do Imperialismo» mas não estou em crer que fosse essa a razão para me abster de a beber.

Nunca fui grande amante de refrigerantes e não andava com muito dinheiro no porta moedas.

Por isso, quando se impunha encomendar uma bebida refugiava-me na Água das Pedras. Presumo que pedia água com gás porque achava que era um desperdicio pagar por água lisa já que ela estava disponível gratuitamente na torneira. A verdade, é que me apaixonei e fidelizei às águas com gás.

Estou em crer que a minha reaproximação à Coca-Cola se deu pelo efeito conjugado de factores estético e cosmopolita.

Começando pelos estéticos. Presumo que as preclaras e os preclaros não me contrariarão se eu disser que um dos objectos de design industrial mais bonitos do Mundo é a erótica garrafa de Coca-Cola.

Um parêntesis. Quando pego numa garrafa de Coca-Cola  não consigo deixar de pensar na idiotice involuntária do seu inventor, que preferiu vender os direitos por uma soma fixa, em vez de ter escolhido receber «royalties» sobre cada garrafa vendida. Meu Deus, ninguém está livre de deitar assim, sem querer, uma fortuna pela janela fora.

Fechado o parêntetesis e mantendo-me no terreno estético, acrescento que a mais linda lata do Mundo é a de Coca-Cola Light.

Passando para o factor cosmopolita. Algures no início dos anos 90, numa das minhas primeiras viagens a Nova Iorque, passei uma boa parte de uma noite quente no terraço do hotel, em boa companhia - a beberricarmos Coca- Cola em copos cheios de gelo e a pastar as luzes e o movimento da cidade, enquanto diziamos disparates. Uma boa recordação.

Lenta mas seguramente tornei-me um freguês moderado de Coca-Cola, com as seguintes idiosincrasias:

a)     A Coca-Cola tem de ser bebida gelada mas não basta ter estado a arrefecer no congelador. O copo deve ser grande e tem de estar atestado de estilhaços de gelo que são detidos pelos dentes quando damos um golo maior.

 

b)    Uma rodela de limão cai a matar num copo de Coca-Cola. Aliás a minha favorita é a Light com sabor a limão.

 

c)     Boicote total à Coca-Cola Zero que sabe a aspertame ou lá como se caham e escreve esse sucedâneo do açúcar.

 

d)    Pepsi Cola? Ni hablar. É muito mais doce. Não gosto.

Há coisa de dois anos fui a Atlanta e, como não podia deixar de ser, visitei o Museu da Coca-Cola. Fiquei impressionado por saber que um aluno de uma secundária da Georgia tinha sido expulso por ter tido o topete de se apresentar na escola com uma T Shirt da Pepsi. De resto, gostei.  Material publicitário foi sempre fabuloso. Experimentei Coca-Cola de cereja e gastei algum dinheiro em «mercandising» na loja. Se voltar a Atlanta, repito.

Posto isto, finalizo esta redacção partilhando convosco uma pequena mania minha.

Quando faço longas viagens (como o Porto-Lisboa ou vice versa) sozinho de carro, faço-me acompanhar por uma garrafa de 1,5 litros de Coke Light, que ocupa o lugar de morto. E vou amenizando a viagem bebendo uns golos de Coca-Cola enquanto ouço a RFM.

………………………

Frase relacionada: 

«É uma estratégia 100% publicitária. Vamos vender Zapatero como uma Coca-Cola ou um modelo Dolce&Gabanna»

Juan Luiz Bastos, responsável da campanha do PSOE nas próximas legislativas

 

19 comentários

Comentar post