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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 07.02.08

Sofre-se mais com a troca de computador e telemóvel do que com a mudança de namorada

Jorge Fiel

O Inferno, de Bosch. Eu ando por ali. Descobrem-me se procurarem

Ando triste porque comprei um computador novo.  Como esta frase pode soar como um enorme disparate, eu passo a explicar.

Mudei de computador porque o meu HP estava a precisar de reforma ao fim de quase dois anos de serviços prestados. Volta e meia (sendo que volta e meia quer, neste caso, dizer todos os dias e, às vezes, várias vezes ao dia) tirava-me do sério ao desligar-se sem pré-aviso. Uma merda!

Procurei especialistas na matéria e disse-lhes o que queria.

Queria um portátil mais leve que o HP, que de manhã, quando saía de casa, pesava três quilos, mas que ao fim da tarde pesava mais do dobro.

Queria um portátil com mais autonomia que o HP, que na sua juventude me garantia uma viagem Porto-Lisboa no Alfa mas nos últimos tempos começava a dar o badagaio por volta de Santarém.

Queria um portátil capaz de resolver as minhas parcas necessidades, ou seja uma máquina de escrever moderna e com correio electrónico, uma janela aberta sobre a rede e um armazém para as minhas fotos e videos. Mais nada. Não sei se já vos disse, mas não um tipo de jogos.

Queria não ser obrigado a partir o gordo porquinho amarelo que serve de mealheiro para financiar a compra do novo portátil.

O resultado destas consultas foi a compra por 853,49 euros de um LG E300, com ecrã de 13 polegadas.

Iniciei-me no Vista (de que ainda não reuni razões de queixa suficientes que justifiquem um lamento organizado) e iniciei o processo de migração para o novo LG dos ficheiros do HP, antes de o mandar rapidamente para a marca, pois o expirar da garantia estava por uma ou duas semanas.

Pois foi na operação de transferência dos ficheiros que deflagrou a catástrofe que ainda desconheço se há ou não meios de a esconjurar.

O disco do HP recusou-se terminantente a arrancar, apesar dos valorosos esforços do pessoal da Introduxi que, após 48 horas de luta, confessou a sua impotência.

Sim, eu não tinha «back up» de nada. Ou seja, os meus últimos dois anos de vida estão armazenados naquele disco autista que se recusa terminantente a comunicar com o Mundo exterior. O grande palerma! .

E a recuperação das fotos, videos, textos e contactos está nas mãos de técnicos da HP que não me conhecem de lado nenhum e que são muito bem capazes de se estar a referir a mim como o grande e incauto bimbo que passou dois anos a encherumo disco sem se dar ao trabalho de usar qualquer tipo de cinto ou suspensórios. Nada! Niente! Rien! Nothing!

É por esta e por outras que ando triste, ensimesmado, suspenso do que 2ª feira vou ouvir da boca dos técnicos da HP (se calhar não dizem nada e mandam-me telefonar  mais para o fim da semana…)

As outras são menores, mas também moem.

O «scanner» Canon teima em não se relacionar com o novo portátil. Pede o disco de instalação e eu ainda não descobri onde o meti.

Devo ter configurado como um asno o meu mail do Sapo no Outlook, porque só recebo mails e não os consigo enviar – dá sempre erro.

A ligação telefónica à Net não só vai abaixo mais vezes do que eu acho razoável como, ainda por cima,  quando a quero retomar manda-me à merda baixinho ao dizer-me «erro de ligação: o modem (ou outro dispositivode ligação) já está a ser utilizado ou não está correctamente configurado».

Esta série de contratempos deita-me abaixo. São percalços como estes que estou a viver que nos fazem infelizes.

Tenho a ideia que sofro mais hoje em dia quando mudo de computador (ou de telemóvel) do que na minha adolescência quando mudava de namorada.  

 

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