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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 28.01.08

As minhas contribuições para um Mundo perfeito Parte V pele impermeável

Jorge Fiel

 

Não tenho a menor dúvida. Se Deus existisse (ou pelo menos se fosse uma pessoa atenta e com a mania da perfeição), a nossa pele secaria a uma velocidade supersónica, dispensando o uso de toalhas.

 

Penso mesmo que a nossa pele deveria ter características de impermeabilidade idênticas às dos novos tecidos inteligentes usados no fabrico das camisolas dos jogadores de futebol, que permitem deixar sair a transpiração mas impedem a entrada de água.

 

Esta minha reflexão e contribuição para um Mundo perfeito deriva do facto de detestar secar-me depois do banho, o que me leva a recorrer ao truque (eficaz, mas altamente consumidor de tempo) de me envolver num roupão turco, logo à saída do chuveiro, e andar a passear pela casa a fazer pequenos almoços, a arrumar coisas, ou a passar em revista o correio electrónico, até ficar completamente seco e poder vestir-me sem ter a maçada de me esfregar com a toalha.

 

Também é dramática para mim a experiência de lavar as mãos em casas de banho públicas, já que por norma são más, ou apenas sofríveis, todas as soluções de secagem das mãos apresentadas.

 

Anda tudo preocupado com a lavagem das mãos, quando o nó do problema está antes na sua secagem.

 

Acho pura e simplesmente abomináveis aqueles horrorosos dispositivos de aspiração, que produzem um barulho insuportável e demoram uma eternidade até desempenharem, de forma pouco satisfatória, a tarefa para que foram concebidos. Eu não os uso. Prefiro limpar as mãos às calças ou a um lenço. Se mandasse, proibia-os!

 

O sistema de toalhas de puxar parece-me muito pouco higiénico porque para conseguir o acesso a um pedaço de toalha limpa é preciso puxar pondo as mãos acabadas de lavar em cima do caldo de bactérias que é o pedaço imundo e infecto de toalha suja pelo utente anterior.

 

A dispensa de toalhas de papel é menos mau, apesar de muito facilmente vandalizável o que leva a que frequentemente não haja papel disponível.

 

O melhor dos sistemas de secagem de mãos ainda é o dos quadradinhos individuais de toalha branca, que lamentavelmente só está disponível em hotéis e em restaurantes em que a conta por cabeça anda acima dos 50 euros.   

 

Todos estes transtornos e maçadas não existiriam se viéssemos equipados de origem com uma pele impermeável – ou dotada de uma capacidade de evaporação instantânea.

 

Já agora, parece-me completamente despropositado suar molhado. É uma sensação horrível estar a trabalhar e sentir a camisa colada ao corpo. E é perfeitamente dispensável o cheiro a humanidade, que afecta os transportes públicos nas primeiras carreiras da manhã e que tem como principal componente o suor ressequido há vários dias.

 

Deus deveria ter-nos apetrechado com um mecanismo inodoro de expulsão a seco das toxinas que actualmente abandonam o nosso corpo sob a forma de suor nojento.

 

Imaginem, por um minuto só a beleza, que seria podermos rebolar na areia logo a seguir a um mergulho no mar sem ficarmos tipo croquete!?! Acreditem que piores sensações que um ser humano pode experimentar é a de ter areia nas virilhas.

 

Andar à chuva seria uma experiência bem mais agradável se a nossa pele fosse impermeável.

 

Só encontro duas explicações para o lamentável facto de não estarmos equipados com essa capacidade de evaporação supersónica.

 

1.     Deus não existe;

 

2.     Deus existe mas tem acções de uma grande fábrica de têxteis lar!

 

 

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