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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Dom | 18.03.07

Para acabar de vez com o problema da secura vaginal

Jorge Fiel

 

Esta mulher, esplendidamente desenhada por Crepax, não parece sofrer do problema de secura vaginal e recorre ao comando da televisão para descobrir o seu ponto G

 

O povo tem razão. Há males que vêm por bem. Ontem fui jantar a casa dos meus amigos Lena e Rui, na Lavra. Um portentoso pargo assado no forno acompanhado por um arrozinho de feijão que estava uma maravilha.

 

Não escondo que fiquei desapontado quando cheguei a casa deles, por volta das 20h20, vi o televisor desligado, pedi-lhe para ele o ligar, para vermos o jogo, e o Rui perguntou: «Que jogo?». Abreviando, o Rui não é muito dado a futebóis e a Lena que é uma rapariga poupada aproveitou uma recente avaria na TV Cabo (que eles recebem por satélite) para se descartar da assinatura da SporTv que ele tinha feito á sua revelia.

 

Moral desta história. Não vi (nem quero ver) uma imagem que fosse da desgraça que aconteceu ontem à noite com o meu clube. Há males que vêem por bem.

 

O jantar teve como pretexto uma passagem de cometa (chegou na sexta à noite e partiu hoje de manhã) do meu primo Fernando, que está emigrado em Cracóvia. Não tenham pena. As condições de vida de que ele usufrui na Polónia são um pouco melhores que as dos emigrantes portugueses em Espanha que estiveram em cartaz esta semana. mas também trabalha um pouco mais do que eles...

 

A medida da animação do jantar é dada pelo facto de facto dos sete adultos que se sentaram à mesa terem derrubado quatro botelhas de champanhe ou ofícios corerlativas. As hostilidadaes foram abertas por um Murganheira Malvasia Fino. Seguiu-se um João Pires (sem dúvida o pior do naipe apresentado) e um Murganheira Super Reserva. Acabamos em beleza com um Moet & Chandon Brut Imperial, indiferentes à desgraça do Dragão.

 

O Rui é médico. E tem uma especialidade (Medicina Legal) que o qualifica para tratar da minha débil saúde. Não sei se sabem, mas, no ano passado, durante treze semanas a fio, preenchi uma coluna na revista Única dedicada às minhas doenças, uma série que foi interrompida (agora diz-se descontinuada, é mais chique) por razões que não são para aqui chamadas - mas não foram a falta de matéria prima. Eu tinha rastilho suficiente para a alimentar durante mais de um ano!

 

Ontem ao jantar as nossas gargantas nunca estiveram secas. Pode por isso, aparecer estarnho a todos vós, que não estiveram lá, que a candente questão da secura vaginal teha sido tarzido á colação.

 

Puxando pela cabeça, consigo recsontituir os factos. Alguém, talvez a Lena, lembrou que eu ainda era novo. O que em absoluto não é verdade. Tenho 50 anos, talvez menos dois ou três anos que o Rui e o Fernando, uma diferença que se via quando eramos adolescentes e nadavamos no Porto, mas que agora é completamente irrelevante.  Disseram-me que eu era novo e eu confimei.  Acrescentei que sou tão novo, tão novo que às vezes quando estou a fazer a barba e olho para o espelho ainda dou por mim a tirar bocadinhos de placenta que ficaram agarrados à pele.

 

O Rui, que presidia no topo da mesa, ouviu a palavra placenta e disparou: «Vocês sabem?! Há agora um tratamento bestial para a pós menopausa!». Pensei logo no bem estar das mães e avós das preclaras e preclaros que sofrem do problema da secura vaginal. Saquei da caneta e comecei logo a tomar notas.

 

O tratamento preconizado pelo Rui passa pela administração local, três vezes por semana, de um creme vaginal de estriol. Ele acrescenta que há casos de mulheres que usam também esse creme à volta da boca e no queixo com sucesso - a pele reganha elasticidade e diminuem as rugas.

 

«Os resultados do tratamento com o creme de estriol são fantásticos. A mulher não só recupera a tonicidade da vagina como ainda melhora as pregas desaparecidas na atrofia», conclui o bom do doutor.

 

Embalado com o sucesso da sua receita para acabar de vez com a secura vaginal, o Rui deu-nos umas dicas sobre um outro assunto de tão garnde relevância para a Humanidade como a Demanda do Santo Graal. Estou a falar, como é bom de ver, da procura do ponto G.

 

O caminho terrestre recomendado pelo Rui para atingir o ponto G é o seguinte::

 

1. Enfiar o dedo pai-de-todos (não é por acaso que é o usado para fazer piretos!) na vagina da mulher;

 

2. Enquanto o dedo pai-de-todos manobra, os dedos anelar e indicador estão cá fora, à entrada em contacto com os grandes lábios;

 

3. Com a polpa do dedo pai-de-todos virada no sentido do umbigo, tocar na pequena saliência, em forma de túnel (ou canelloni);

 

4. Acariciar suavemente essa prega ( a uretra).

 

Para evitar precalços (a mulher pode ficar com vontade de fazer xixi) o Rui recomenda uma ida à casa de banho, prévia ao desencadear da operação

 

PS. Ele ainda falou de uma bomba de sucção que se aplica no clitóris, mas acho que já chega de badalhoquices por hoje. 

 

 

SOCIAL

Sportinguista Miguel junta Pinto da Costa, Belmiro e Serrão

 

Já que falamos de comida, terça feira fui jantar à Marisqueira de Matosinhos e confirmei o que já desconfiava. O restaurante do meu amigo Miguel (que hoje deve andar feliz da vida porque é sportinguista encartado e ontem foi ao Dragão) é um dos mais «hot» senão o do mais «hot» do Porto e arredores.

 

Numa mesa, quadrada, estava Belmiro de Azevedo (escolheu um Pera Manca branco) e a sua mulher Margarida, acompanhados por três casais amigos (o Leopoldo Furtado Martins e a mulher era um deles).

 

Numa outra mesa, rectangular, Pinto da Costa (a águas, como de costume) jantava ao lado de uma jovem cidadã brasileira e em frente à sua filha e ao um cavalheiro encorpado que nem que me torturem me obrigarão a dizer que tinha aspecto de guarda-costas.

 

Manuel Serrão (the one and only) , Manuel Queiroz (sudirector do Correio da Manhã), Mário Rui  (Vasp), Eurico Castro Alves (Entidade Reguladora da Saúde), Rogério Gomes (Águas de Gaia). José Martins (médico anestesista) e  Fernando Rocha (vereador da Cultura de Matosinhos) compunham a mesa mais animada daquela prodigiosa terça à noite, no Miguel, a que só faltou a prseença de Miguel veiga, outro cliente habitual

 

 

GASTRONOMIA

Tudo o que se pode esperar de uma marisqueira de Matosinhos

 

A propósito da Marisqueira de Matosinhos, sinto-me na obrigação de fazer-lhe a justiça de que não é apenas um restaurante na moda. É muito mais do que isso. A Marisqueira de Matosinhos

tem tudo o que de bom pode esperar de uma marisqueira de Matosinhos.

 

O restaurante onde o sportinguista Miguel trabalha desde os 14 anos e se tornou sua propriedade na sequência dum MBO acordado com Henrique Torres, o antigo patrão (que frequentemente é lá visto a almoçar), é uma Meca para quem demanda mariscos frescos e saborosos – camarão de Espinho, gordas gambas, ostras, percebes, búzios, camarões tigres e por aí adiante.

 

Mesmo que seja doido por marisco, dê, por favor, uma oportunidade ao rosbife.

 

Rua Roberto Ivens, 547, Matosinhos 229378892, fecha ao domingo

 

 

 

TECNOLOGIA

Vingadora demonstra na GQ maravilhas do Photoshop

 

 

Um superprodução intitulada «Carolina A Princesa do Povo» publicada na edição de Março da GQ é a prova dos nove das maravilhas da tecnologia «photoshop». Vejam com os seus próprios olhos

 

E fixem os nomes dos talentosos autores da produção: Sofia Lucas e José Santana.  Para eles nada é impossível. Já não ficarei espantado se em Abril ou Maio  for a vez de Agustina Bessa Luís (uma outra escritora bem sucedida, como Carolina) se despir para a GQ.

 

Depois de ter encantado (e tramado) Pinto da Costa, Carolina Salgado enfeitiçou o autor do texto (Miguel Szymanski) que nos brinda com este suculento naco de prosa:

 

«Olhos nos olhos, Carolina Salgado, é uma rapariga especial. Antes do mais, é a celebridade do momento. É mais interessante que as simples giras e tem muito mais piada que as simples engraçadas. Domina a arte de olhar nos olhos e causar uma agradável desconforto - um hipócrita dirá que tem um passado; não são precisos astrólogos para se perceber que tem futuro». (Bravo!)

 

 

 

COMUNICAÇÃO SOCIAL

Correio da Manhã ou Correio da Manha?

 

Até pode ser verdade. Mas até prova em contrário toda a gente é inocente.

 

Já é esquisito que Pinto da Costa tenha sido constituído arguido no caso da agressão a Bexiga tendo como base a acusação de uma antiga amante despeitada. E ainda é mais esquisito que na quarta feira o Correio da Manhã se tenha decidido antecipar à decisão dos tribunais e tenha condenado liminarmente Pinto da Costa ao declará-lo como o mandante das agressões a Bexiga. Inadmissível.

 

O Apito Dourado é para Sócrates a mesma boa cortina de fumo e manobra de diversão que a Casa Pia foi para Durão Barroso. Circo para entreter o povo que assim se distrai e não repara na incompetência dos seus governantes, incapazes de inverter o plano inclinado em que se encontra Portugal.

 

O Correio da Manhã é um óptimo serviçal destas manobras e anda satisfeito, com o rabinho a dar a dar, por ser o veículo escolhido para as fugas de informação organizadas pelo Ministério Público.

 

Foi o jornal oficioso da acusação na Casa Pia. Está a fazer o mesmo papel no Apito Dourado.

 

Não está a ser o Correio da Manhã - mas sim o Correio da Manha.

 

 

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