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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 15.10.11

Caldo verde sim, mas borsch também!

Jorge Fiel

 

Na Rússia sê russo. É por essas e por outras que encomendei uma borsch (180 rublos), a titulo de almoço tardio, quando, no fim do cruzeiro pelos canais e o Neva, me instalei numa mesa do belíssimo café da Casa Singer, que fica numa esquina da Nevski Prospect com o canal Griboedov, mesmo em frente à grande catedral de Kazan.

Estou cada vez mais freguês desta sopa de origem ucraniana, feita à base de beterraba (que lhe confere o aspecto avermelhado) mas que também leva na sua confecção cenoura, cebola, salsa, louro, aipo e repolho - a que, na mesa, se deve acrescentar natas amargas, com generosidade. Soube-me pela vida. Caldo verde sim. Mas borsch também.

 

Sab | 15.10.11

Banda sonora russa no passeio pelos canais e o Neva

Jorge Fiel

 

Foram muito bem empregues os 500 rublos que apliquei a comprar, ao início da tarde (14h00 locais), no cais do canal Griboedova, um passeio de barco de uma hora pelos canais e o rio Neva.

Estava frio, as explicações sobre o que se ia vendo nas margens eram dadas em russo e aos berros por uma senhora com voz pouco simpática, mas valeu a pena. Deu perfeitamente para perceber várias coisas, como, por exemplo, por que é que chamam a Veneza do Norte a S. Petersburgo e por que é dizem que Pedro o Grande se inspirou em Amesterdão  quando desenhou a cidade que transporta o seu nome.

Acresce que ao passar duas vezes por debaixo da mesma ponte fomos submetidos à experiência radical de nos baixarmos até ao nível dos bancos, para não ficarmos sem cabeça.  Um divertimento. Uma excitação. Lots of fun.

(a foto que abre este post é de parte do Hermitage/Palácio de Inverno e foi tirada a partir do rio Neva)

 

Sab | 15.10.11

De como conheci a Natalya, na secção de lingerie

Jorge Fiel

 

Esta é a Natalya, uma das cinco raparigas em que tropecei numa volta que dei pelos enormes armazéns Gostinnyy Dvor - o pessoal que escreveu o guia DK de S. Petersburgo garante que o comprimento somado das fachadas ultrapassa um quilómetro. Devem ter razão.

Por fora, com as suas arcadas úteis e elegantes, o edifício é bem catita. Mas quando se entra, a única coisa boa que nos pode passar pela cabeça é que acabamos de fazer uma viagem no tempo (tema ficcional muito em voga, como se pode confirmar indo ver o imperdível último filme de Woody Allen), recuando no mínimo uns 30 a 40 anos.

Digamos que conhecer a Natalya (o ar duro e frio conferido pela dureza das feições é amplamente compensado por um ligeiro estrabismo, que sempre me excitou imenso) e as suas quatro amigas, na secção de lingerie feminina, foi o melhor que me aconteceu durante a meia hora que consagrei a este armazém – que o pessoal que escreveu o guia DK de S. Petersburgo jura ser o mais importante da cidade. Devem ter razão. Pode ser o mais importante mas não é o melhor, como tive oportunidade de confirmar ao fim da tarde, quando visitei o shopping  Galeria, atrás da Estação ferroviária de Moscovo.

 

Sab | 15.10.11

Caça ao rublo na Nevsky Prospect

Jorge Fiel

 

Assim por alto, um euro vale um pouco mais de 40 rublos, mas eu arredondo as contas para baixo para simplificar. Para o pessoal ainda habituado à velha moeda (a que espero não tenhamos de retornar) um rublo vale, grosso modo, cinco escudos.

Tomado o pequeno almoço, a minha primeira missão consistia em levantar rublos e revelou-se bem mais complicada do que à partida seria de imaginar, pois as máquinas ATM que fui interpelando pelo caminho foram-ne rejeitando com elegância, alegando delicadamente que devido a problemas técnicos não estavam aptas a satisfazer o meu pedido.

É precisamente nestes momento difíceis que os homens com H grande se revelam. E eu mais uma vez revelei-me, encarando a situação com um sangue frio que faria inveja ao próprio James Bond, e continuando a persistentemente a tentar levantar dinheiro sempre que uma máquina se atravessava no meu caminho, indiferente à desfeita que as ATM russas estavam a fazer à minha pessoa, ainda para mais um compatriota do Danny -   que é a estrela que aparece em primeiro plano em todo o material de propaganda que o Zenith e a Nike têm espalhados pela cidade.

Após uma peregrinação pedestre de mais de um quilómetro, em que interpelei mais de meia dúzia de multibancos, fui salvo por uma simpática ATM do Citibank, que me satisfez imediatamente o pedido de dez mil rublos.

Quem persiste sempre alcança, reflecti eu face a mais um final feliz de uma história por mim protagonizada. Fui logo gastar dinheiro, adquirindo dois magnetos para frigorifico, por 250 rublos,  na loja do Zenith (eles ganharam-nos 3-1 no último jogo da Champions, mas é nestes momentos que os nortenhos com N grande têm de evidenciar a largueza do seu espírito), que fica do outro da rua de um dos edifícios mais bonitos de S. Petersburgo, o Yeliseev’s, que apenas espiolhei por fora porque está a sofrer obras de beneficiação.

 

 

Sab | 15.10.11

Jornalismo tornou obsoleta a espionagem?

Jorge Fiel

 

O Oscar Wilde - que tinha com toda a certeza muitos defeitos, mas ninguém de boa fé poderá negar as suas fina esperteza e aguçada argúcia - escreveu que o jornalismo estava a tornar obsoleta a espionagem. Esta citação vale o que vale, ou seja que fique desde já claro que nada me move contra o Jorge Silva Carvalho, que aparenta ser uma pessoa educadíssima e muito aprumada, nem contra os outros espiões e restante rapaziada da Loja Mozart, do Grande Oriente Lusitano.

O Oscar estava cheio de razão. Quem precisa de espiões se os jornalistas, além de cada vez mais abelhudos (às vezes até irrita!) não fazem segredo de nada para ninguém?

Com jornalista, não tenho segredos para vocês e por isso informo que nesta minha condição transitória de homem em S.Petersburgo, estou domiciliado no Grand Hotel Emerald, no 18 da Suvorovsky Prospect, uma perpendicular com a Nevsky Prospect, que é a principal artéria desta cidade, uma espécie de combinação entre a portuense avenida da Boavista (em particular na sua extensão) e lisboeta avenida da Liberdade (em particular pela sua largura, animação e qualidade do comércio), numa versão em plano – e revista e melhorada, ao ponto de ser considerada a mais famosa da Rússia

Sab | 15.10.11

Eu a minha flora intestinal gostamos de kefir de cabra

Jorge Fiel

 

Empanturrei-me ao pequeno almoço (a foto que abre este post é da sala em que ele é servido) com kefir de leite de cabra, uma espécie de iogurte de origem caucasiana, de que quer eu quer a minha flora intestinal gostamos muito. O kefir pode ser consumido a solo, como aconteceu hoje comigo, ou misturado com fruta, uma variante que também aprecio muito e vai ser a minha escolha para amanhã.

Satisfaz-me bastante o pequeno almoço bufett nos hotéis, principalmente se acordamos bem dormidos e se fomos frugais no jantar da véspera. Dito por outras palavras, hoje verificava-se um alinhamento de estrelas favorável a que o meu pequeno almoço corresse lindamente – o que aconteceu, tanto mais que tomei com frieza e serenidade as opções correctas, ou seja cortar o jejum com um sumo de tomate (resisti à tentação de lhe adicionar duas gotas de tabasco que estava ali mesmo à mão de semear), continuando depois a acompanhar a refeição com sumo de toranja.

Em respeito pela verdade devo dizer que o kefir estava bom e correcto, mas não chegava sequer aos calcanhares do que tive o prazer de comer, tendo como banda sonora um concerto a solo de uma harpista, na esplendorosa sala de refeições do Metropol, em Moscovo, durante a minha primeira viagem ao ex-país dos sovietes.