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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 11.12.08

Um prenúncio da queda do Muro de Berlim

Jorge Fiel

No último meio século tenho sido testemunha ocular das profundas mudanças ocorridas na geografia interna dos lares portugueses.

Quando eu era miúdo, era normal um apartamento ter uma salinha de visitas (uma coisa ao estilo das salas de espera dos dentistas), uma sala de jantar e uma sala de estar.

Este espartilho especializado não resistiu ao ventos hippies e comunais dos Anos 60, e num movimento de derrube de paredes (que pode muito bem ser visto como um prenúncio da queda do Muro de Berlim, em 1989) estas três divisões fundiram-se numa só, denominada Sala Comum.

Só posso aplaudir este movimento, que até tem sido aprofundado nos casos extremos dos T0 e dos lofts.

Na organização interna dos espaços domésticos, registo também com agrado que os quartos tenham vindo a perder área e importância em benefício da sala comum.

Mas já no que concerne à casa de banho a minha posição é favorável a uma especialização de divisões.

Qua | 10.12.08

Poupar o enxovalho ao defecador

Jorge Fiel

 

É muito embaraçoso deixar uma casa de banho empestada por um cheiro nauseabundo.

E é muito desagradável entrar numa casa de banho inundada por um insuportável fedor a podre produzido por um aparelho digestivo alheio (mesmo que se trate do resultado da circulação interior de alimentos de uma rapariga com um aspecto exterior tão saudável como a da Scarlett Johansson).

Nestas circunstâncias, um boa janela, virada para o mundo exterior, pode operar milagres, poupando o defecador ao enxovalho e o próximo utente ao pivete.

Sei da existência de extractores de cheiro muito eficientes. Mas, até prova em contrário, não há nada que uma janela aberta é muito mais eficaz quando se trata de expulsar os maus cheiros.

É por estas e por outras que já tomei a firme decisão de só comprar um apartamento em que pelo menos uma das suas casas de banho seja servida por uma generosa e útil abertura ao exterior.

Ter | 09.12.08

A importância de uma janela

Jorge Fiel

A vista da minha janela da casa de banho

Há já alguns meses que ando à procura de casa, animado pelo duplo objectivo de reduzir drasticamente os meus encargos mensais e de aproveitar a onda de saldos que já começou a atingir o mercado imobiliário.

Ao cabo de uma dúzia de apartamentos vistos, percebi melhor que além dos requisitos mínimos fornecidos às imobiliárias (tipologia, localização, área total e preço por metro quadrado) há outros pormenores, pequenos detalhes, que pesam muito neste difícil processo de decisão – há quem diga que compra de uma casa é a decisão mais importante que tomamos na nossa vida.

No meu caso, tornei-me consciente que coloco duas pré-condições, se calhar não muito racionais, para encarar a compra de um apartamento.

A primeira, é que a sala tenha capacidade para albergar harmoniosamente o mobiliário e restante tralha que fui acumulando ao longo da vida.

A segunda, se calhar mais surpreendente (mas creio que mais racional que a primeira) tem a ver com a exigência do apartamento ter pelo menos uma casa de banho com janela para o exterior.

Durante 20 anos, habituei-me a, ao romper da manhã, estar a ensaboar-me no chuveiro e a olhar para as árvores do Parque da Pasteleira (o que é relaxante e bucólico) e a espreitar o trânsito na Diogo Botelho (o que é útil).

Acresce que não como sabonetes (presumo aliás que ninguém tem esse hábito) e, sabem, às vezes acontece que nós acabámos de satisfazer as nossas necessidades fisiológicas de carácter sólido, o autoclismo já foi accionado, mas a denúncia do acto permanece no ar.

 

Seg | 08.12.08

A minha Sony Cyber-shot teve um AVC

Jorge Fiel

 

Estávamos já na sala de embarque do aeroporto de Cracóvia, prontos a empreender a viagem de regresso à pátria, quando a minha máquina fotográfica Sony Cyber-shot foi acometida de um AVC.

Dei por isso quando me preparava para fotografar o balcão da Kredens e constatei que os cristais do ecrã tinham abandonado em definitivo o figuracionismo, recusando-se a reproduzir a realidade reflectida pela lente Carl Zeiss, optando por fornecer, em alternativa, uma única imagem abstracta.

A imagem até é bastante moderna e audaz. Aprecio muito a espécie de fenda, a um tempo telúrica e erótica, que rasga uma luminosidade que evoca as luzes hospitalares fluorescentes.

O problema é que dá algum jeito ver o que se está a fotografar e o AVC que vitimou a minha Sony de bolso, atirando-a para os braços do abstraccionismo minimal repetitivo, fez com que ela perdesse essa função.

O meu primeiro impulso foi retirar a Sony do activo e reformá-la por invalidez. Algures num dos 69 posts do massacre polaco está, numa nota de rodapé, um apelo desenvergonhado (e de viabilidade ultra-reduzida) a que uma das grandes cadeias de venda de electrodomésticos (Rádio Popular, Worten ou MediaMarkt)  aproveitasse o Natal como pretexto para me oferecer um Lumix, com lente Leica, para substituir a inválida Sony, com lente Carl Zeiss.

Mudei de ideias, após ter verificado que apesar da deriva abstraccionista do seu ecrã, a Sony Cyber-shot continua a tirar fotografias – e que eu posso ver o que estou a fotografar se espreitar pelo buraquinho, tal como se fazia dantes com as máquinas analógicas.

A Rádio Popular, Worten e MediaMarkt não precisam, portanto, de se maçar. Não quero uma máquina fotográfica nova. Vou continuar a usar a Sony. Os tempos não estão para desperdícios. E eu não me sentiria bem a mandar a Sony para a reciclagem, quando ela ainda consegue tirar fotografias. Da mesma maneira que não seria capaz de mandar abater um cão só por ele ter cegado.

 

Dom | 07.12.08

Varsóvia não é Ulaanbaatar

Jorge Fiel

Não recebi um zloty que fosse. Sapo, Turismo da Polónia e Conselho Mundial Judaico estão inocentes!

As coisas boas da vida, como um vinho ou uma viagem (1), devem ser saboreadas com calma, para gozarmos devidamente todo o prazer que elas nos têm para dar.

E o prazer pode e deve ser estendido no tempo. Começo logo quando compro pela primeira vez uma garrafa de Quinta do Vallado moscatel galego e me interrogo sobre se vou ou não apreciar um branco que não é seco (2).

Esta ansiedade é parte inseparável do prazer, que se prolonga na escolha do copo e comidas adequados. Aberta a garrafa, desfrutamos do aroma perfumado antes de levar o copo a boca.

Ao rolar o vinho na boca temos a grata surpresa de gostarmos de um sabor novo e elegante, onde o moscatel está presente, mas não esmaga. Depois,  ainda desfrutamos ao partilhar a experiência e esta opinião com os amigos.

Tal como acontece com o vinho, o prazer de uma viagem é repartido. Começa com os preparativos. A escolha do destino. A busca da Net dos voos mais vantajosos – que nem sempre são os mais baratos, pois há que ter em atenção os horários (chegar à noite e regressar de manhã é queimar inutilmente duas noites de hotel) e certificar-nos de que são directos ou há pelo meio uma escala assassina de tempo e desnecessária.

Prolonga-se com a compra de um ou vários guias, a consulta nos mapas das localizações dos hotéis e, finalmente a marcação. Nas vésperas, consulta-se na Net a previsão metereológica e faz-se a mala em conformidade.

Neste antes, ainda não se gastou muito dinheiro (apenas arejamos o número e validade do Visa) nem dias de férias e já estamos a gozar à brava.

Quando ao durante estamos conversados. Mas o prazer não se esgota quando chegamos a casa e desfazemos as malas.

Mastigar devagarinho as recordações da viagem, ver as fotografias, relatar as experiências aos amigos são alguns dos imensos prazeres do depois.

O abuso dos 69 posts (este incluído) sobre a minha viagem à Polónia enquadra-se na máxima rentabilização do prazer no depois.

Ao longo deste massacre, a que hoje ponho termo (aleluia!), alguém perguntou quem me estava a pagar para escrever o equivalente a um livro sobre uma viagem normalíssima da Silva (Varsóvia não é Ulaanbaatar, o Wisla não é o rio Tuul e Cracóvia não é o Mar da Tranquilidade).

A pergunta é pertinente. Quando alguém me quer convencer a escrever de borla, eu costumo responder com uma pergunta retórica: “Eras capaz de pedir boleia a um taxista?”.

Mas, lamentavelmente, a resposta é não. Ninguém me pagou. Nem o Sapo, nem o Conselho Mundial Judaico, nem o Turismo da Polónia.

Tenho muita pena (vocês nem imaginam quanta!) que assim seja, mas a triste e dura realidade é que não pagaram e eu nem sequer me posso queixar pois ninguém me encomendou o sermão (se bem que haja quem encomende e depois não pague, mas isso já é outra história…).

Escrevi 69 posts (3) sobre a Polónia por uma simples razões: tive tempo e prazer em escrevê-los.

 

Koniec

……………..

(1) Isto só para citar dois exemplos. Se tivesse de citar três, presumo que adivinham o que referiria. Sim, começa com um m e acaba num r, tem seis letrinhas e descende de Eva…

 

(2) Neste particular de secos, recomendo a todos experimentarem o jerez fino da Osborne, bem frio, antes do jantar, a acompanhar umas azeitonas. Seco mais seco não há!

 

(3) Presumo que já repararam que o número indicia um regresso rápido das malandrices à Lavandaria! Há esperanças!

 

Sab | 06.12.08

Há mar e mar, há ir e voltar

Jorge Fiel

No momento em que foi expulso pelos japoneses das Filipinas, durante a II Guerra Mundial, o general MacArthur assegurou a sua entrada na história ao proferir a célebre frase: I shall return.

Não tenho grande ideia do general, que usava uns Aviator da Ray Ban e após a II Guerra ainda andou pela guerra da Coreia, presumivelmente a fazer patifarias. Mas a verdade é que cumpriu a palavra e regressou.

Eu, que adoro conjugar o verbo viajar, gosto muito de visitar pela primeira vez uma cidade – mas também aprecio muito o voltar. Há mar e mar, há ir e voltar.

Durante dez anos a fio, a vida permitiu-me regressar todos os anos a Paris a Nova Iorque, o que logo me obriga a citar Violeta Parra (Gracias a la vida que mi ha dado tanto) e a dar graças à vida que me deu tanto.

O prazer de rever é tão bom como o de ver pela primeira vez. A novidade é muito atraente, mas está longe de ser um valor único absoluto.

Sempre que regresso de uma viagem, guardo os mapas, cartões de embarque, contas, folhetos turísticos, etc, numa pasta. Mas isso não significa que essa cidade passou a ser um caso arquivado.

Nunca gostei de fechar as portas. Prefiro deixá-las entreabertas. Gosto de deixar pontas soltas e de inventar pretextos para regressar.

Em Budapeste, por exemplo, não conseguimos visitar o edifício do Parlamento por dentro. Num dia chegamos demasiado tarde e já não havia lugares disponíveis. No dia seguinte a máquina de emitir bilhetes avariou e por isso cancelaram as visitas !!!

Ora cá está um bom pretexto para termos de voltar a Budapeste  - o outro foi que não tomamos um banho de vapor nas Termas Gellértt.

Estão a ver como a coisa funciona?

Da Polónia, já elaborei uma pequena lista de coisas que nos obrigam a fazer como o general MacArthur:

1.    Visitar o Museu do Levantamento de Varsóvia, considerado o melhor da Polónia;

 

2.    Ir a Gdansk, que, conta quem sabe, tem duas ruas bonitas de morrer:

 

3.    Dar um modorrento passeio de barco no Wisla em Cracóvia, no final de um dia quente de Verão;

 

4.    Conhecer bem Wroclaw (na foto de cima). As quatro horas que lá estivemos foi como ver um preview de um filme e ficar com água a crescer na boca para o ver – mas ele ainda não estreou. Como regressávamos ao Porto no dia seguinte, a sensação foi essa.

Douglas MacArthur 

 

(continua)

Sex | 05.12.08

Cracóvia deve ser consumida no Verão quando os dias são mais longos e as saias muito mais curtas

Jorge Fiel

É impossível não ficar apaixonado por uma cidade como Cracóvia, que tem como símbolo um dragão que cospe fogo (1) e é percorrida por eléctricos azuis e brancos.

Cracóvia é uma cidade belíssima, mas que ainda deve ser mais bela no Verão quando os dias são mais longos e as saias mais curtas. Poupada à destruição que vitimou Varsóvia , na II Guerra Mundial, é rica e abundante em património.

Na semana que estive em Cracóvia vi muitas coisas, algumas delas foram objecto de longas e maçadoras dissertações aqui na Lavandaria. Outras não.

Desta segunda lista fazem parte muitas coisas altamente recomendáveis, das quais acho relevante citar as três seguintes:

a)     A subida ao Monte Kosciusko

Para comemorar a batalha de Raclawica, em 1794, em que derrotaram o invasor russo, os patriotas polacos ergueram este monte artificial, em 1820 (estava o liberalismo a rebentar em Portugal), baptizando-o com o nome do general que comandou as suas tropas nesta memorável vitória . A deslumbrante panorâmica de que se desfruta do alto dos seus 300 metros compensa amplamente o esforço da subida;

 

b)    Collegium Maius

Cracóvia albergou a primeira e mais prestigiada universidade, que teve aqui as suas primeiras instalações, e por onde passaram alunos tão famosos como Copérnico e Karol Wojtila. Pouco dias antes de eu lá ir, Cavaco Silva recebeu aqui um doutoramento honoris causa. Visitar as instalações o Maius é um agradável mergulho no passado, aqui e ali entremeado de curiosos bocados de presente, como é o caso da vitrina onde está exposta a estatueta do Óscar ganho em 2000 pelo realizador Andrej Wajda e que ele doou à sua antiga universidade;

 

c)     Some Place Else

O bar do Sheraton (ulica Powisle,7) fica junto ao rio Wisla e é um dos poisos preferidos dos expatriados em Cracóvia e basta lá entrar para perceber porquê: espalhados pelas paredes estão muitos plasmas sintonizados em diferentes canais de desporto, enquanto pelo meio da sala circulam empregadas descontraídas a deixar ficar pelas mesas pratos de nachos, canecas de cerveja se respostas bem humoradas num inglês correcto.

(continua)

………………………..

(1) O dragão é da autoria de Bronislaw Chromy, escultor de Cracóvia. Um das coisas obrigatórias a fazer em Cracóvia é visitar a sua fundação e jardim vizinho, na rua Cystersow.

 

Qui | 04.12.08

O grande denominador comum existente entre a garrafa de vodka e a lingerie da Marilyn Monroe

Jorge Fiel

O soutien está no congelador

Do meu ponto de vista, que todos sabem que não é modesto, o sítio certo para acomodar uma garrafa de vodka é exactamente o mesmo que a Marilyn Monroe escolhia para guardar a sua lingerie – o congelador.

Aprecio bastante a viscosidade do escorrer para o copo da vodka (a meio pau entre os seus estados liquido e sólido) armazenada à violenta temperatura negativa de um congelador, apesar da leve incomodidade sofrida pelas mãos no contacto com o vidro da garrafa coberto por uma fina película de gelo.

Não fosse o caso disso contribuir para consolidar a reputação de eu ser uma pessoa exagerada, poderia mesmo qualificar esse escorrer como erótico!

Esclarecida a minha posição sobre a conservação da vodka, passo a socializar com as preclaras e os preclaros o que penso sobre a maneira como ela deve ser consumida.

Sou visceralmente contra os shots . Mas apesar de reafirmar um posicionamento geral moderadamente favorável face aos coktails – vodka tónico, vodka laranja e vodka maçã (variante que ainda não tive o prazer de experimentar) –, não posso deixar de me revelar um entusiasta da vodka a solo, sem misturas.

Tenho para mim que deve ser servida em copos pequenos, similares aos usados pelos turcos para o chá, mas que em vez de consumida javardamente, de um trago só, temos a ganhar se a namorarmos. Primeiro cheirá-la, depois beber um beber uma porção suficiente que dê para rolar na boca, mas que não esvazie o copo logo à primeira.

Ouçam o que lhe digo. Tirar partido de uma boa vodka tem muito que se lhe diga.

Mas antes de pôr um termo a este devaneio sobre vodka que já dura desde segunda feira, quero deixar bem claro que não pactuo com algumas modernices, que estão a ser cometidas.

A Stoli com aroma e sabor e frutos silvestres é óptima. O limão também casa muito bem com vodka. Mas não pode valer tudo. Há que pôr algum travão a esta moda de adição de todo o tipo de sabores.

Algo está mal quando chegamos ao ponto de termos gente sem escrúpulos que comercializa vodka de caramelo. Ou bem que é vodka ou bem que é um xarope!

 

Desconheço se os collants de rede de pescador, com costura atrás, também iam parar ao congelador

(continua)

 

Qua | 03.12.08

Toma lá para fazeres um chá de vodka

Jorge Fiel

Reza a tradição que a vodka deve ser consumida sob a forma de shot. Enche-se um copo com esta bebida de nome e índole traiçoeiros (1) e depois toca a atirar tudo pela garganta abaixo, de um só trago.

Eu não sou adepto desta prática, que não hesito em qualificar como bárbara. Para estas práticas javardas é um desperdício usar vodkas tão finas como as já referidas Stoli e Zubrowka (ou até a Wyborowa, a mais clássica das vodkas polacas).

Se vão usar a vodka com o único e exclusivo meio de alcançar rapidamente as vantagens derivadas do aumento do teor alcoólico do sangue (protecção face ao frio e/ou acesso a um agradável estado de euforia) aconselha-se o uso da global Smirnoff ou da não menos global (e mais em conta)  Eristoff.

Há ainda outra tradição: a de misturar o vodka com outros líquidos.

Nesta viagem, aprendi que os polacos combatem os rigores do Inverno tomando um chá de vodka logo pela manhã, uma bebida fácil de preparar e que consiste em adicionar em água a ferver à vodka, em partes iguais.

Para bem do meu fígado, espero que o frio português nunca me obrigue a adoptar uma medida tão drástica.

Outra mistura muito do agrado dos polacos é a de vodka com sumo de maçã, que confesso nunca experimentei, mas deve ser agradável – pelo menos tanto quanto o tradicional vodka laranja.

Estas combinações são uma variante do vodka tónico, bebida que fica bem a qualquer um cavalheiro encomendar. Neste caso, acho que fica a matar precisar que se pretende que o vodka seja Absolut.

O Absolut é a água do Luso dos vodkas  - mas com um marketing incomparavelmente superior. Ou seja, não sabe a nada (com a óbvia excepção das suas versões aromatizadas).

A garrafa do Absolut é um verdadeiro achado. E as campanhas de publicitária são das mais espectaculares manifestações de arte popular contemporânea. O Absolut tem por vias disso uma imagem magnífica que só favor de quem o compra ou encomenda.

Mas eu, por mim, prefiro a Zubrowka.  De longe.

(continua)

……………

(1)  Nas línguas eslavas, vodka é diminutivo de aguinha, o que até pode parecer verdadeiro à vista, mas a verdade é que por detrás daquele ar inofensivo está uma bebida explosiva com um teor alcoólico próximo dos 50%.

 

Ter | 02.12.08

A Stoli é boa, mas a Zubrowka ainda é melhor

Jorge Fiel

 

Os maiores especialistas vivos no grande cisma da vodka dizem que as polacas (as vodkas, não as mulheres, bem entendido) são mais oleosas e têm sabor e aroma mais acentuados e adocicados, sendo mais suaves que as russas, que queimam na garganta.

Devem ter razão. Eu devo dizer que historicamente sempre me dei bem com a Stoli russa, e até fiquei fã de uma sua versão com aroma e sabor a frutos silvestres que comprei em Moscovo no ano passado.

Gostei tanto desta Stoli que até estou surpreendido com o facto da garrafa de um litro resistir ainda com algum liquido dentro (1) no congelador do frigorífico do meu apartamento de São João do Estoril. É um milagre que pede meças às aparições em Fátima da Virgem Maria aos pastorinhos.

Na minha segunda expedição à Polónia, que decorreu sob o alto patrocínio do Millennium BCP, foi apresentado à Zubrowka e devo dizer que se tratou de um coup de foudre – um amor ao primeiro trago, uma paixão que tem resistido à voragem dos difíceis tempos que atravessamos.

A Zubrowka ostenta um bisonte nos seus rótulos (já apanhei pelo menos com três diferentes), numa alusão clara ao facto do seu sabor distinto  (e distintivo) se dever ao uso na confecção da erva do parque de Bialowieza, onde pastam os bisontes.

Há uma versão da Zubrowka  (presumo que a mais cara) em que vem dentro da garrafa, em ameno e pacifico convívio com a vodka, um pequeno pedaço do pasto dos bisontes.

Resumindo. A Stoli é boa. A Stoli com aroma e sabor as frutos silvestres ainda é melhor (2). Mas a Zubrowka é uma experiência a não falhar, podem crer, e que está ao alcance de todas as preclaras e preclaras já que começou a fazer aparições nas prateleiras dos Pingo Doce. 

 

Ora aqui está a erva que dá aquele gostinho especial à Zubrowka
 

(continua)

……………….

(1) Calculo que resistem ainda uns bons 0,2 dl da Stoli aromatizada, mas sei que estou a escrever asneira porque por razões que em escapam em absoluto as doses de vodka são medidas ao peso  -  em gramas.

 

 

(2) Sinto-me um émulo do enorme Tino de Rãs, cujo grande hit musical tinha um refrão em que ele cantava: “pão com manteiga é bom: com fiambre ainda é melhor”.