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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 25.12.07

Relatório mais ou menos circunstanciado de uma consoada recatada

Jorge Fiel

Fomos três e meio à mesa. A Mariana ficou em Los Angeles. Como sempre, o Pedro passou a véspera de Natal em casa da mãe. A Camila foi para casa dos avós. Os meus tios consoaram com uns amigos ao Alentejo.

 

Sobramos quatro. A minha mãe, a Isabel, o João e eu.

 

A minha mãe passou a noite a queixar-se do frio, apesar da lareira estar em plena actividade. Abasteci-me para o Natal, numa garagem junto do cemitério da Foz. 20 euros por 80 quilos. O preço da lenha está pela hora da morte. E mais cinco euros por um saco de pinhas. Valha-nos Deus! Vá lá que não esteve vento, a tiragem estava boa e a casa não ficou tipo fumeiro.

 

O João, sete anos (foi encomendado para celebrar a passagem do milénio pelo que nunca será difícil saber a idade dele – em 2018 completará 18 anos), só apareceu à mesa para engolir meia rabanada, sem molho, e perguntar pela octagésima nona vez quando é que se abriam os presentes. Comeu esparguete no escritório a ver o Nickelodeon.

 

Sentamo-nos à mesa às 20h30. A Isabel diz que nunca começou a jantar tão cedo na noite de Natal. A ementa foi a clássica. Sem grandes adornos mas estava tudo entre o Bom e o Muito Bom, com excepção do Serra, de marca Serrão, a que, imbuído da generosidade natalícia, atribuo um Bom Menos. Provavelmente nunca evoluirá para a formidável fase do amanteigado que escorre pelo prato fora.

 

As couves mereceram, sem favor, um Muito Bom. As postas de bacalhau cozido (Bom Mais) foram regadas por um Dão 2004 Vinha do Contador, do Paço dos Cunhas do Contador, fornecido por um benemérito anónimo (recebi uma caixa no escritório do Expresso do Porto, acompanhada de um cartão de Boas Festas manuscrito e assinado com uma garatuja ilegível). Desconhecia este vinho que se revelou claramente à altura dos acontecimentos. Muito obrigado ao dador!

 

A escolha de sobremesas compreendia o essencial: rabanadas irrepreensíveis (confeccionadas pela Isabel, segundo receita própria), bolo rei da Petúlia (obrigado Jorge pela tua gentileza que dura há uns bons 20 Natais) e o já referido Serra Serrão (nada a ver com o meu amigo Manuel de apelido homónimo ao do queijo).

 

A garrafa de Vértice (adquirida no quiosque do ArrábidaShopping por 5.95 euros ao abrigo da promoção Lux, uma pechincha) não chegou a sair do frigorífico. Acompanhamos a sobremesa com um Vintage Port Quinta do Roriz 2005. Obrigado João Van Zeller. Peço desculpa de ter sido pedófilo ao consumir um Vintage com apenas dois anos, mas devo confessar-lhe que o acho demolidor assim jovem e pujante.

 

Levantada a mesa e arrumada a cozinha (tarefa complicada atendendo ao adiantado e lamentável estado de decomposição da canalização que deixou as duas bancas entupidas), passamos ao momento alto da noite – a distribuição e abertura de presentes.

 

Eu fui contemplado com o seguinte lote de sete magníficos presentes:

 

Dois belíssimos quadros da pintora polaca  Iwona Swick Front (ambos da família da obra que reproduzo a encimar este «post»), oferecidos pelo meu primo Fernando e pela Luísa, que estão emigrados em Cracóvia.

 

Uma pele de rena, oferecida pelo Fernando e a Luísa, que já foi colocada no valioso espaço da sala que separa o sofá preto do ecrã de televisão.

 

Um GPS Mio C220 com mapas da Península Ibérica, oferecido pela Isabel. Nunca mais me vou perder nas estradas de Portugal e Espanha. Pelo menos assim espero. Estou mortinho pro começar a dar-lhe uso. E sinto-me tecnologicamente actualizado. No Natal passado recebi um iPod (mais uma vez obrigado aos dois Paulos, Ramalheira e Nordeste, da PT Inovação). Neste ganhei um GPS. Quem sabe se em 2008 não haverá um LCD no sapatinho J

 

Umas luvas castanhas de pele oferecidas pelo João (ou seja pela Isabel), que não achou bem que eu tivesse de pedir umas luvas emprestadas para suportar o frio de Dezembro em Budapeste.

 

Meia dúzia de peúgas pretas de algodão, da Burlington, que dão muito jeito (juro-vos que não estou a brincar) porque a Isabel anda implacável e atira para o lixo as minhas peúgas logo que lhes descobre um pequeno buraco.

 

O livro-álbum The Beatles, a private view, de Robert Freeman, oferecido pela Mariana e pelo Tom, recheado de histórias curiosas e fotografias pouco conhecidas dos primeiros tempos dos Fab Four.

 

Uma camisola cinza antracite de lã (100% Geelong Lambswool), de gola alta e fecho eclair, Pedro del Hierro (Cortefiel), oferecida pelos meus tios Maria Luísa e Abílio. Penso que irá muito bem com o meu fato preto, com leve e fina risca, em situações «casual» composto, como concertos na Casa da Música, por exemplo.

 

Rica safra, não acham?

 

 

4 comentários

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    Jorge Fiel

    26.12.07

    Preclara Sandra

    Espero que o seu Natal tenha sido pelo menos tão bom quanto o meu.

    Olhe ontem, depois de ter repetido por duas vezes a roupa velha, instalei-me no sofá a ver furiosamente, uns atrás dos outros, episódios da 2ª série dedo Boston Legal.

    Fico satisfeito por me ter adicionado aos seus favoritos. Espero que se torne passageira frequente!

    Um excelnete 2008 também para si!

    A Bem da Nação!

    PS. Por onde anda? Continua no negócio dos livros? Ou estou a fazer confusão com outra Sandra
  • Sem imagem de perfil

    Sandra Costa Ramos

    29.12.07

    Caro Jorge,

    Desde já espero que esteja a recuperar bem, li apenas por alto o tempo não tem sido muito :-D

    Deve estar a fazer confusão lolol eu sou a Sandra que trabalhava na Fotografia, entrei no Verão de 2002 antes da mudança para o edifício novo, onde estive por 2 anos, acho que nesse Verão era você o editor da Revista.

    Atendendo a que as mães de família com + de 30 anos, 10 anos de experiência e bons CV's, neste país não são qualificadas para trabalhar, porque estão em idade fértil, não me resta alternativa senão abrir o meu próprio negócio, mas não tem a ver com livros :-D

    Pode ir visitando em www.tres-marias-atelier.blogspot.com ou em www.tres-marias-atelier.com.

    Votos de um excelente ano de 2008, vai ser arranque e grandes mudanças pelo menos para nós!

    Cumprimentos
    Sandra Costa Ramos
  • Imagem de perfil

    Jorge Fiel

    30.12.07

    Preclara Sandra

    Não passa o dia de hoje sem ir às Três Marias (o rótulo das garrafas de vinho verde homónimo era espectacular)

    Já estou a ver que Sandra é!

    Se não estou ainda mais gagá do que penso, ainda este ano vi a Sandra de raspão numa visita que fez ao jornal em Paço de Arcos.

    A Bem da Nação!
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