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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 20.10.11

Porque fiquei de pé atrás com a Ludmila

Jorge Fiel

 

Apesar de ainda muito jovem (não lhe perguntei a idade, mas estou em crer que é claramente sub 30) a Ludmila já é viúva. Bastante expansiva – das cinco tipas que conheci sábado passado, na secção de lingerie do department store Gostinnyi Dvor, foi aquela com quem conversei mais  -  foi ela própria que abordou o assunto, dando como explicação para não gostar desta cidade o facto de ter sido aqui assassinado o seu marido.

Inquiria sobre as circunstâncias que rodearam tão infausta ocorrência, mas ela limitou-se a responder, secamente, que tinha sido num night club e depois calou-se, pelo que parti do princípio que ela não queria aprofundar o assunto, pelo que mudei o tema da conversa para as diferenças entre S. Petersburgo (a região de onde são naturais Putin e Medveded) e Moscovo.

A Ludmila tem umas feições muito correctas (a beleza dela compensava largamente o lamentável robe azul cueca que trazia vestido) e uns modos encantadores, mas fiquei na dúvida sobre se não será um pouco fantasiosa – para não dizer mentirosa. Contou-me que vive em Moscovo, onde faz trabalhos de intérprete, depois de ter concluído um curso de línguas estrangeiras – inglês e alemão.

Na verdade é bastante fluente em inglês, que fala com um sotaque ligeiramente britânico, constrói bem as frases e evidencia ser senhora de um vocabulário bastante variado. Foi quando lhe perguntei se tinha nascido em Moscovo que comecei a desconfiar das histórias dela. A Ludmila alega que a sua família é do Cáucaso e que nasceu em Grozny, mas o tipo dela, loura natural e com a pele muito branca não rima com essas origens. Fiquei logo de pé atrás com ela. A Ludmila cheirou-me claramente a esturro. 

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