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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qui | 20.10.11

De como o aloquete serve um tradição em contraciclo

Jorge Fiel

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Assim a olhómetro, S. Petersburgo é uma cidade habitada por gente muito jovem. Olhando para quem passa nas ruas diria que metade do pessoal é já pós-Gorbachov, ou seja pode ter nascido na URSS mas cresceu na Rússia.

Apesar do frio, são muitos os sinais de que o amor está no ar, desde a enorme quantidade de carrinhos de bebés até à quantidade de mães que vigiam os filhos nos parques de diversão dos jardins, passando pelos casamentos em que tropeçamos ao andar pela rua.

As traseiras da igreja do Sangue Derramado é um dos sítios onde se vê mais noivos fardados e atrelados aos convidados da boda e respectivo fotógrafo. Não foi à primeira que descobri a origem desta estranha concentração. Há uma tradição.

Não sei o que reza a tradição, mas sei como ela se manifesta. Os noivos vão à ponte sobre o canal que fica atrás do local onde foi assassinado o czar Alexandre II e deixam lá preso às grades um aloquete (artefacto designado por cadeado pelos portugueses nados e criados a sul do Mondego), com os nomes deles gravados e juras de amor eterno.

É uma tradição engraçada, mas nitidamente em contraciclo, pois cá (na Rússia) como lá (no resto da Europa) os casamentos duram cada vez menos  - e não há aloquete que os salve.

 

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