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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qua | 19.10.11

Pedro, um dentista amador com a mania das grandezas

Jorge Fiel

 

Pedro, o Grande. Catarina, a Grande. Moscovo, 15 milhões de habitantes. Leninegrado (a região de S. Petersburgo ainda se chama assim), cinco milhões de habitantes. Os russos -  o povo que mais álcool e carne consome à face da Terra -  são uns incorrigíveis exagerados que têm a mania das grandezas.

Sei perfeitamente que os nossos reis também tinham as suas idiossincrasias. Não vamos mais longe, o nosso D. Pedro, o liberal, era um tipo impecável, que deixou ao Porto um título (mui nobre, invicta e sempre leal) e o seu coração (guardado na igreja da Lapa), mas tinha a fraqueza de adorar mijar do alto da varanda do palácio imperial, no Brasil, por cima dos seus súbditos.

Pedro, o Grande, também tinha a mania das grandezas. Obviamente. Essa mania revelou-se publicamente, com o projecto de arranjar uma saída da Rússia para o Báltico com a fundação de S. Petersburgo, um cidade erguida a partir do nada, em terrenos pantanosos e assente em estacas de madeiras – e também dos ossos dos 40 mil trabalhadores suecos e prisioneiros políticos que morreram durante a empreitada.

A mania das grandezas de Pedro, o Grande, também se manifestou em privado, como se percebe quando se sabe que contratou para criado pessoal um gigante de 2m27 (cujo esqueleto e coração fazem parte da colecção do museu de antropologia Kunstkummer, a par de outras excentricidades como frascos com gémeos siameses e uma ovelha com duas cabeças), se divertia à ganância com as bodas de anões organizadas pelo seu particular amigo o príncipe Menshikov e arrancar dentes aos seus desprevenidos súbditos.

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