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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 18.10.11

Não é conveniente assoar o nariz ruidosamente

Jorge Fiel

 

“Vê-se logo que não é russo. Se fosse não me teria devolvido a esferográfica”, exclamou Igor Sharbatov, presidente da Associação de Sommelliers de S. Petersburgo, quando, no final da conversa, o jornalista lhe entregou a espécie de Bic com o nome do hotel gravado que lhe pedira emprestada.

Os russos são muito diferentes dos portugueses, o que até se compreende porque estão na outra ponta da Europa – a bem dizer são a guarda avançada da Ásia no Velho Continente. Seria mais provável o Clark Kent e o Super Homem aparecerem juntos, ou o Zé Carioca arranjar um emprego, do que os russos elegerem um lingrinhas como o Cavaco. Mais. Se em vez de adquirir a cidadania americana para poder governar a Califórnia - e assim ficar habilitado a fazer filhos a torto e a direito a todas as sopeiras hondurenhas, salvadorenhas e panamianas que lhe aparecessem pela frente -, o Schwarznegger optasse por ter sido russo, as próximas presidenciais deixariam de ser favas contadas para o Putin.

Os russos não se limitam a ser diferentes de nós. Têm também uma etiqueta diferente. Por aqui, pode cuspir (ou até mesmo escarrar) na rua sem receio de ver este seu acto selvagem receber olhares reprovadores ou até receber um comentário mais azedo, ao estilo “também cospes para o chão em casa, ó meu badalhoco?!?!!!”. Já cruzar as pernas quando se consegue o milagre de arranjar um lugar sentado no eléctrico, entrar a mascar pastilha elástica na Catedral de Nossa Senhora de Kazan, ou assoar o nariz ruidosamente em público, são manias censuráveis ao olhar dos russos.