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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 17.10.11

Paletes de Picassos e resmas de Van Goghs

Jorge Fiel

 

No Hermitage é tudo à grande, o que, aliado ao abuso de natas na gastronomia, é a prova dos nove da enorme influência francesa na Rússia. Matisse? Duas salas. Picasso? Outras duas. E assim por diante, com paletes de Cezannes, resmas de Van Goghs, porradões de Pissarros a desfilarem à nossa frente (só de pensar que se uma daquelas telas fosse minha não teria mais de trabalhar mais até à conclusão dos meus dias…) nas salas do 3º andar.

Porradão. Adoro esta palavra, apesar de estar careca de saber que ela soa muito melhor dita do que escrita. Vá lá, diga alto: Porradão!

Como não tenho segredos para vocês, confesso que prefiro os museus pequenos, verticais, de coleccionadores, aos mega-museus generalistas. Mas ninguém no seu perfeito juízo pode passar por S. Petersburgo e deixar de consagrar um dia ao Hermitage. Ponto final parágrafo!

Para não enjoar, e como fixei em duas horas seguidas o tempo máximo que se deve consagrar à degustação de um museu (consumir arte deve ser um divertido prazer e não uma penosa obrigação), optei por dividir a minha visita em dois períodos de duas horas, separados por um intervalo passado na cafetaria – a tomar café e a bisbilhotar displicentemente no guia do museu (outros 400 rublos). As duas horas da manhã foram aplicadas a espiolhar os aposentos do Palácio de Inverno. As da tarde consagradas aos franceses da segunda metade do século XIX.