Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Dom | 16.10.11

Encontro no Café Singer com o professor badalhoco

Jorge Fiel

 

Posso ter-me cruzado com o célebre professor badalhoco na casa de banho do Café Singer, em S. Petersburgo.

Se não se recorda – ou até mesmo nunca soube – do episódio do professor badalhoco, eu passo a explicar. Trata-se de um bandalho que apertou o pescoço a uma zelosa funcionária de uma escola secundária alentejana, em retaliação pelo facto da dita senhora o ter admoestado, em plena sala de professores, por mais uma vez ter deixado a casa de banho toda suja após se ter servido dela para satisfazer as suas necessidades fisiológicas de carácter sólido.

Segundo consta, o professor badalhoco não só se abstém de puxar do autoclismo como, ainda por cima, escatologicamente, se diverte a espalhar fezes pelas paredes da casinha. Um porcalhão!

Sábado à tarde, animado pelo propósito de impedir que um eventual aperto de bexiga perturbasse a degustação da minha borsch, dirigi-me à casa de banho do Café Singer, que não cheira a pêssego (como as do aeroporto de Frankfurt) e é destituída de mictórios, resumindo-se a duas sanitas, ou seja uma diminuta capacidade instalada para poder escoar a procura com fluidez – e, por isso, geradora de filas.

Enquanto aguardava pela minha vez tive a oportunidade de confirmar que uma boa parte dos russos honra a tradição do seu pais de lavar as mãos também antes do xixi. Faz todo o sentido porque a pila anda protegida pelas cuecas e calças, enquanto as mãos andam para aí em contacto com todas as imundícies deste mundo.

Quando entrei na casa de banho constatei que o cavalheiro anterior tinha os intestinos desarranjados e não se preocupava nada com as consequências dessa anomalia na higiene da sanita. Será que, inadvertidamente, me cruzei em S. Petersburgo com o célebre professor badalhoco?