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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Qua | 20.04.11

Critica ao regimento prisional: Doze quecas em três horas é uma proeza que não está ao alcance de toda a gente

Jorge Fiel

Agora está tudo muito regulamentado. Um preso já sabe com o que conta quando vai dentro. É como na tropa com as NEP. Deixou de ser à balda. Passou a haver regras.

É sempre melhor haver regras, apesar do perigo da regulamentação ser um tudonada ser excessiva. Para poder iniciar, na estrita observância da legalidade, uma greve de fome, preso dietista tem preencher previamente um formulário e aguardar o seu diferimento superior.

Pior é com as quecas. Apesar de ser reconhecido, em tese, o direito ao sexo da população prisional, o regimento limita o seu exercício de uma maneira que qualifico de muito pouco democrática.

Para começar, o/a preso/a tem de estar casado/a com a visita ou, em alternativa, demonstrar que mantém com ela uma relação estável, o que obriga logo a 12 meses a seco, pois a prova tem de ser feita durante um ano de visitas e correspondência regulares.

Esta parte do articulado parece-me de carácter nitidamente fascista já que não só priva  o/a detido/a do direito inalienável à facadinha no matrimónio e/ou à aventura ocasional como, ainda por cima, o deixa-o nas mãos de um parceiro/a sem coração que após 364 dias de visitinhas e cartinhas pode ameaçar romper a relação.

Depois há a periodicidade. Uma vez por mês. Muito pouco. Lembro que o reputado Wilhelm Reich (discípulo de Freud), na sua obra seminal Combate Sexual da Juventude, estipulava as três quecas por semana como o mínimo para um estilo de vida saudável.

Claro que os presos terão doravante à sua disposição três horas regulamentares para darem conta do recado, o que lhes até lhes permite optar pelo sexo tântrico ou por várias quecas sucessivas – mas só estará ao alcance de grandes atletas a façanha de cumprir em 180 minutos as 12 quecas mensais prescritas pelo bom e escrupuloso dr Reich.

O facto de ser aconselhada a marcação para dias úteis das sessões de sexo constitui, a meu ver, um inadmissível ataque ao livre exercício da queca prisional por parte do pessoal que ainda não está no desemprego.

Já a componente logística – o/a parceira tem de trazer os lençóis de casa e levá-los para lavar; a prisão fornece preservativos e produtos para a limpeza das instalações no final das hostilidades   - não me merece reparo de maior.

Em jeito de conclusão, saúdo o esforço de regulamentação, mas critico duramente os excessos burocráticos e a severidade do disposto, pelo que recomendo a aplicação urgente e imediata do Simplex ao novo regime da vida nas prisões.

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