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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 03.12.10

Roodovalho e pregado: uma questão de esquizofrenia?

Jorge Fiel

Preocupo-me com o rodovalho porque ocupa o primeiro lugar das minhas preferências no domínio do peixe, claramente à frente do robalo e do cherne.

Guardo ainda numa gaveta muito especial da minha memória uns filetes de esturjão que comi em Istambul, na companhia de Ludgero Marques, mas uma única experiência, apesar de memorável, é insuficiente para classificar no meu top ten piscícola o produtor das mais famosas e caras ovas do mundo.

Vem isto a propósito de ter aproveitado o meu jantar de ontem, no Vin Rouge (restaurante do Hotel Albatroz, na Baía de Cascais), com José Bento dos Santos, para esclarecer a relação de parentesco entre o rodovalho e o pregado.

Broker de metais, produtor de excelentes vinhos (Monte d’Oiro), e presidente da Academia Portuguesa de Gastronomia, Bento dos Santos rapidamente me esclareceu que rodovalho e pregado são um único e mesmo peixe, com duas designações regionais diversas – sendo que no Norte adoptamos o nome espanhol de rodovalho, enquanto que a sul do Mondego escolhem relevar a espécie de pregos que ornamentam a capa deste peixe fantástico, apesar de redondo e chato.

Adormeci satisfeito com esta explicação até que o despertador tocou hoje às 6h30, chamando-me para a tarefa de escrever a peça relativa ao almoço com o João Miranda, da Frulact (rubrica Dois Cafés e a Conta de amanhã, no DN, republicada como sempre no Bússola), a que se seguiu um café com o Eduardo Cintra Torres, em Caxias, para ultimar as modalidades da sua colaboração para o Briefing, e uma excitante conversa com a Marta Guimarães (directora de novos negócios da premiada Leo Burnett) na 7 da rua das Flores.

O almoço também foi no Chiado, a cota mais alta, no Aqui há Peixe, do Miguel Reino (irmão do célebre Gigi) , no 18A da Nova da Trindade, com Vicent Termote, director geral da Nespresso ibérica, destinado aos Dois Cafés e a Conta de 18 Dezembro).

O Miguel sugeriu-nos um rodovalho, que tinha tanto de belo como de saboroso, e suscitou uma questão oleada pelo Dona Maria branco (quase tão atraente como a Marta da Leo Burnett!), do tipo prova do nosve:

- Ó Miguel, diga-me uma coisa, o rodovalho e o pregado são o mesmo peixe?

No que eu me fui meter! O Miguel prontamente respondeu que não, não são o mesmo peixe, mas sim primos, contrariando, sem dó nem piedade, a doutrina de Bento dos Santos e abrindo um cisma. Há por aí alguém qualificado para resolver este mistério, que se desenrola a alto nível? Rodovalho e pregado são ou não o mesmo peixe? Haverá aqui uma questão de esquizofrenia?

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