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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Dom | 29.07.07

Memória de números do 128949/77

Jorge Fiel

 

Eu era o 47.  Para me despachar mais depressa, já levava o livrete e o registo de propriedade da minha carrinha Fiat Marea na mão, quando chegou a minha vez de ser atendido no guichet 2 da Repartição de Finanças do 1º Bairro (Porto).

 

Não foram precisos. Nem o livrete, nem o registo de propriedade. A mulher que me atendeu pediu-me o número de contribuinte. Mais nada. Para pagar o Selo do Carro (aka Imposto Municipal Sobre Veículos) basta declinar o NIF (aka Número de Identificação Fiscal) e já está.

 

Bem, não é bem já está. Depois há que cumprir aquela pequena formalidade de pagar, que, no meu caso (automóvel ligeiro, gasolina, 2001, 1596 cc de cilindrada), importou em 50,29 euros, presumo que com as despesas do envio incluídas, porque o selo vai depois ter a minha casa pelo correio.

 

Simples e eficiente. Gostei. A coisa correu bem porque eu tinha o cartão com o NIF na minha bonita e volumosa carteira de couro preto oferecida, em tempos idos, pelo Banco Comercial de Macau.

 

Não sei de cor o meu número de contribuinte. Já fiz alguma reflexão sobre isso e parece-me um pouco estranho que saiba de cor o número de contribuinte da Sojormal (a empresa proprietária do Expresso) e não saiba o meu.

 

Decorei o número fiscal da Sojornal (500 27 18 10) já há bastantes anos, quando estava na moda pedirem-me o NIF da empresa sempre que eu pedia um recibo.

 

Esta inútil reflexão levou-me a fazer um breve inventário dos números que eu sei de cor. Conclui que são poucos.

 

Sei de cor o número do meu BI (32 77 069), mas essa informação é pouco relevante porque quase sempre que ela é solicitada temos de acrescentar a data em que ele foi emitido, e essa eu não a tenho guardada na memória.

 

Sei de cor o meu número de telemóvel (o que já reparei não acontece com toda a gente…) mas fiquei apreensivo por constatar que não tenho gravado no disco rígido da minha memória um único número de telefone fixo (incluindo os do Expresso do Porto e Lisboa).

 

Foi um pouco assustador constatar que não sei de cabeça os números de telemóvel dos meus filhos, Isabel e restante família (declaro como atenuante que cada um deles tem uma tecla de marcação rápida). E apressei-me a culpar a imensa memória dos telemóveis por esta lacuna na minha memória privada.

 

A minha memória ficou preguiçosa desde que me habituei a ter os números essenciais arquivados no telemóvel, o que começa a ser grave por vários motivos e mais um, sendo que o mais um reside no facto de os números no meu Nokia serem mesmo muito pequenos e obrigarem-me a rapar dos óculos de leitura sempre que preciso de os decifrar.

 

Sei de cor dois números que seria uma catástrofe esquecê-los  - os PIN do telemóvel e do cartão Multibanco - mas de resto estou dependente do telemóvel e, por isso, fiquei muito satisfeito quando soube que a TMN passou a disponibilizar um serviço de «back up» destes dados.

 

Também ainda sei de cor o número mecanográfico que o exército português me atribuiu (128 949/77) o que é a prova dos nove de quão estranhos são os mecanismos da nossa memória.

 

Alguém é capaz de me explicar porque é que fiquei com este número inútil tatuado na cabeça?

 

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