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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 10.09.10

Calor húmido só é bom quando se trata de quecas

Jorge Fiel

Passar a terceira semana de Agosto em Las Vegas significa suportar temperaturas consistentemente superiores a 100º F (cerca de 38º C), um calor muito abafado e ainda mais seco que as piadas que Joaquim Oliveira generosamente distribuiu por conhecidos e amigos, via SMS.

A humidade é um valor muito importante em algumas situações bem específicas (como a queca), mas, do meu ponto de vista, é perfeitamente dispensável quando se trata da temperatura ambiente. Calor abrasador por calor abrasador prefiro o seco ao húmido – ao menos um tipo não anda a arrastar-se pelas ruas a suar como um porco (uma dia ainda hei-de tirar a limpo se os suínos suam…), com a camisa colada às costas e manchas a transbordarem do sovaco.

Do ponto de vista térmico, durante a minha estadia em Las Vegas habituei-me a saborear dois momentos felizes, a saber:

  1. A baforada de calor quente que apanhava quando emergia a tiritar do ar condicionado;
  2. Sentir o frio siberiano que vigora em todo os interiores da cidade do pecado (onde, juro-vos, nunca pequei), após uma caminhada pelas ruas da Strip com uma duração superior a cinco minutos.

Apesar de, por um motivo de força maior (ainda estão por descobrir as cápsulas para viajar no tempo), nunca ter estado em Las Vegas, Fernando Pessoa escreveu que nós nunca estaremos onde queremos, terrível verdade cantada por António variações no ocaso do século XX.

Ao fim e ao cabo, e pensando bem, este estado de insatisfação é outro aspecto da mensagem dos Rolling Stones em “(I can’t get no..) Satisfaction”. Mas o melhor é nunca desistir de tentar.