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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 08.02.10

Como usei o camarada Mário para justificar ter posto os cornos a uma loura belga chamada Stella

Jorge Fiel

 

Apanhado em flagrante contradição num ardente debate político, algures na primeira metade dos anos 80, Mário Soares desembrulhou-se da encrenca com aquela matreirice e ligeireza que todos lhe reconhecemos: “Só os burros é que não mudam de ideias”, respondeu e, dito isto, voltou a estar em cima da burra.

Encostado ao balcão do The Green Man, ao fim da tarde de sábado 5 de Dezembro, espreitando o Manchester City-Chelsea que passava na televisão enquanto esperava, com três moedas de libra na mão ser atendido, socorri-me da sabedoria do pai fundador da nossa democracia para cimentar um pedido que contrariava a decisão tomada cerca de 24 horas atrás, num pub em Greenwich, de colocar esta viagem sob os auspícios da Stella Artois.

“Só os burros não mudam de ideias”, repeti mentalmente quando encomendei uma pint de Carling Extra Cold. “Há que nos deixarmos contaminar pelos hábitos e marcar locais”, acrescentei no momento em que punha os cornos à loura belga a quem tinha jurado fidelidade na véspera.

Ao fim e ao cabo, a coerência não passa do último refúgio das pessoas que sofrem de falta de imaginação.

The Green Man, tarde de sábado, 5 de Dezembro 2009  

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