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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 02.02.10

Odeio quartos de hotel sobreaquecidos em que temos de passar noites ao estilo duche escocês

Jorge Fiel

 

 

O Hotel Cumberland, em Marble Arch, é muito conhecido dos portugueses porque, durante anos a fio, a Agência Abreu encaminhou gente para lá nos pacotes de visitas a Londres que vendia como pãezinhos frescos.

A localização geo-estratégica, na articulação entre Bayswater/Hyde Park com a Oxford Street é uma das grandes vantagens comparativas do Cumberland, que dista  escassas centenas de metros do Selfridges e dos outros míticos armazéns que fizeram do West End uma Meca das mulheres que adoram andar às compras (ou seja, 99,89% delas).

Acresce que se trata de um hotel que veste bem, com a sua enorme fachada clássica, e impressiona com a faustosa e ampla sobriedade do hall de entrada, características que infelizmente não se repetem nos quartos  - ou pelo menos não se repetia, pois já há bastantes anos que não fico lá e o Cumberland pode ter sido, no entretanto, beneficiado com obras de modernização.

O Cumberland tem uma ampla oferta de quartos, só que estes não só não são amplos (o que não me incomoda muito) como ainda por cima padecem de um mal muito comum a grandes hotéis antigos: estão sempre sobreaquecidos.

Estou disposto a conceder que nós, em Portugal, rapamos muito frio no Inverno porque temos a mania que o nosso clima é muito bom (o que até nem é mentira) e por isso as nossas casas não estão preparadas para aqueles dias que em que o termómetro de aproxima do zero. Por isso, talvez sejamos um pouco mais calorentos do que os bifes e outros povos do Norte, habituados a protegerem-se convenientemente dos rigores invernais.

Mas apesar disso acho que, por norma, no Inverno os quartos de hotel por essa Europa fora estão desagradavelmente sobreaquecidos. Tudo se resolve se o quarto estiver ocupado com um termóstato e for possível baixar a temperatura dos insuportáveis 25º para uns aceitáveis 19º.

O problema é quando isso não é possível e a temperatura é controlada centralmente e imposta ditatorialmente a todos os quartos. Passei, por isso, muito más noites no Cumberland. Com o quarto sobreaquecido não só me custava a adormecer como acordava a suar, um par de horas depois. Para remediar a situação, abria a janela e lá conseguia voltar aos domínios de Morfeu. Só que, um ou duas horas volvidas, estava de volta ao mundo dos vivos, desta vez cheio de frio. Fechava a janela e o carrossel recomeçava. Uma merda de noite estilo duche escocês – de que, devo dizer, o Cumberland não tinha exclusivo, pois é um defeito que afecta muitos hotéis antigos.

West End, da tarde de 5 Dezembro 2009

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