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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Seg | 09.11.09

Passeio no Campo Alegre com Groucho na cabeça

Jorge Fiel

 

“Não posso ser sócio de um clube que me aceite como sócio” é um das frases mais conhecidas do baú de humor marxista (tendência Groucho), onde estão arrumadas algumas pérolas que não resisto a partilhar como os preclaros, como

 “Nunca esqueço uma cara, mas no teu caso abro uma excepção”

e

“O meu cliente tem ar de imbecil, mas desconfiem das aparências, ele é mesmo imbecil”

ou, ainda, este fabuloso diálogo, mantido com um dos irmãos que falava:

- Olha, o homem do lixo está a bater à porta...

- Diz-lhe que não queremos lixo nenhum!

Desenterrei estes pedacinhos a propósito de uma das coisas que me faz gostar da rua do Campo Alegre, que é precisamente o Circulo Universitário do Porto, um clube de que eu adorava ser sócio mas que não me pode aceitar como sócio porque a admissão está restrita a professores da Universidade do Porto (UP) e eu não passo de um reles jornalista biscateiro.

 

4.     O Círculo Universitário do Porto é um belo palacete romântico do século XIX,  que foi conhecido como a Casa Primo Madeira, o nome do seu proprietário após uma profunda remodelação levada a cabo pelo arquitecto Marques da Silva.

 

Quando passou para a posse da UP, a reitoria encomendou o restauro ao arquitecto Fernando Távora.

 

Ou seja, dois dos maiores arquitectos da cidade deixaram as suas impressões digitais neste palacete transformado num clube restrito, onde jantei por diversas vezes como convidado, e que além de servir refeições, também recebe festas e disponibiliza alojamento.

 

A qualidade do edifício foi reconhecida pela Câmara Municipal, que em 1990, lhe atribuiu o Prémio João Almada (o equivalente portuense ao lisboeta Valmor). 

Não fui testemunha, nem auricular nem ocular, da melhor história que conheço, tendo como cenário o Circulo Universitário do Porto, que me foi contada pelo seu protagonista, Daniel Bessa, tem a ver com arroz de pato, contempla de raspão a fonice de Braga da Cruz e cruza com a actualidade já que se situa na proto-história do investimento na Quimonda.

 

Acho que, enquanto a situação dos meus pneus dianteiros se mantém estacionária, esta história vale bem um intervalo no enunciar da lista de razões porque gosto da rua do Campo Alegre.

 

(continua)

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