Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 29.08.09

Fila de acesso ao Museu d'Orsay dava tantas voltas que até parecia um intestino (o grosso e o delgado)

Jorge Fiel

Rever o retrato do dr Gauchet, o quarto de Van Gogh em Arles, e a igreja de Anvers-sur-Oise vale uma espera, estóica e militante, de duas horas para um tipo se munir de um bilhete de entrada no Musée d’Orsay?

A resposta a esta pergunta não é simples, porque se está a falar daquele que é o meu (e não só) museu favorito, predilecto e preferido de Paris - em particular da sala 35 onde estão expostos mais de uma dúzia de Van Goghs.

Papado o pequeno almoço (caro e tardio) de 3ªfeira, 11.08.09, no Relais de L’Hotel de Ville, voltamos a embarcar no bom e velho autocarro da linha 69 tendo como destino o Musée d’Orsay, instalado no edifício da estação ferroviária construída para a Exposição Universal de 1900 – e, por isso, a primeira obra de um museu que alberga arte (em especial pintura) do período 1848-1914.

A ideia era um raide sobre a sala Van Gogh, uma expedição de um hora, hora e meia no máximo, que muito provavelmente atingiria as duas horas pois estou em crer que não resistiria a uma dar espreitadela à mesa de cozinha e jogadores de cartas do Cezanne, que estão na sala ao lado, e levava fisgado pastar a vista do Canal de Saint-Martin, do Sisley, que está na sala 41 (ver foto).

A ideia era boa, mas ficou no tinteiro. A bicha de acesso dava tantas voltas que até parecia um intestino, o que nos desmoralizou instantaneamente, ao ponto de não chegarmos a desembarcar do 69 no arrêt Musée d’Orsay.

É evidente que a colecção do museu vale uma espera de duas horas, mas naquele dia de regresso à Pátria estávamos curtos de tempo – e apesar do museu de Orsay valer bem a espera de duas horas (e até uma missa) é 999.999 vezes preferível aplicar esse tempo no interior do museu, a admirar o que está nas paredes, do que no exterior, a ouvir a conversa das pessoas que estão próximas de nós na bicha.

O bilhete custa oito euros, o que até nem é muito se atendermos a que o pequeno almoço rafeiro no Relais de L’Hotel de Ville custou onze euros por cabeça. Estou em crer que o cartão de Press também funciona no Musée d’Orsay, mas se não funcionar é na boa que dou os oito euros. O problema é a espera.

Para desatar este nó, creio ter achado a estratégica correcta, que testarei na próxima visita a Paris. Ir à bilheteira do museu meia hora antes do encerramento (que é às 18h00, com a excepção das 5ª, em que só fecha às 21h45), quando de certeza já não há bicha - e usar o bilhete no dia seguinte. Um Ovo de Colombo, não acham?

2 comentários

  • Imagem de perfil

    Jorge Fiel

    01.09.09

    Preclara Neli

    Fico satisfeito por a ajudar a conhecer Paris. Mas se tiver a mínima oportunidade de lá ir, faça a si própria o favor de não a desperdiçar. Seria criminoso!

    A bem da Nação!
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.