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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sex | 28.08.09

Reflexão motivada pelo pequeno almoço sobre as consequências funestas da passagem do meio dia

Jorge Fiel

O meio dia divide cientifica e legalmente a manhã da tarde, mas pode ter consequências bem mais funestas do que a passagem do “Bom dia” para a “Boa tarde”, como eu tive oportunidade de comprovar no final do pequeno almoço (tardio) de terça-feira, dia 11 de Agosto de 2009, último dia da expedição a Paris, que aqui tem sido narrada com algum detalhe (porventura excessivo, mas não podia ser de outra maneira porque, como sabem todos os que me conhecem, eu também sou excessivo).

Saímos à pressa do hotel, depois de feitas e arrumadas as malas, e resolvemos ir ver a exposição do Eiffel em jejum – uma decisão absolutamente desprovida de qualquer motivação de índole religiosa, sublinhe-se a propósito.

Com os nossos conhecimentos dilatados, sentamo-nos na primeira esplanada que nos apareceu pela frente, pertencente ao café adequadamente (por motivos de ordem geográfica) denominado Relais de L’Hôtel de Ville, após o que encetamos com o empregado (o cavalheiro com ar levemente doentio que aparece na fotografia – seria gripe A?) as conversações tendentes a alimentar o nosso estômago - pois o espírito esse já tinha recebido alimento farto, gratuito e de qualidade.

Explicamos ao que íamos, declarando-nos satisfeitos com um croissant, um sumo e um café (por boca). O empregado respondeu perguntando-nos se não estaríamos interessados na formule. Indaguei se a opção  formule seria economicamente vantajosa para nós, ele disse, que sim, vai daí pedi a formule com croissant , jus de pamplemousse (toranja) - e o expressô mais aprés, un peu plus tard.

O senhor francês da fotografia esclareceu-me que o jus de pamplemousse caia fora do âmbito da formule, que só contemplava jus de orange – ao qual eu prontamente me rendi, para não causar mais problemas.

O empregado foi para dentro e voltou com a informação de que os croissants tinham acabado, mas que em alternativa, mantendo-nos ao estrito abrigo da formule, podia trazer-nos pão com manteiga – alternativa ao qual logo me rendi, sem pestanejar, para não introduzir mais areia na engrenagem que não estava muito oleada.

No seu segundo regresso, o empregado não trouxe o ambicionado pequeno almoço (tardio), mas antes uma informação horária com severas implicações inflacionistas (estou em crer que o seu compatriota Trichet o tramaria se fosse posto ao corrente deste grave episódio). Como tinha acabado de passar do meio dia (o que confirmei), deixara de ser possível servir-nos a formule – se queríamos o encomendado teria de ser à peça. Voltei a acenar a bandeira branca, precisando apenas que, uma vez que deixava de estar ao abrigo da formule então que viesse daí o sumo de toranja.

Moral desta história. Um pequeno almoço que, na versão formule, teria custado oito euros (o que já de si não é barato) ficou por 11 euros por cabeça. 

Estou muito sinceramente arrependido de não ter protestado, invocando como argumento que a hora a ter em conta pela gerência  do Relais de L’Hotel de Ville deveria ser a do início do pedido do pequeno almoço e não a do final das negociações. Mas fico-me por aqui. Assim como assim, não me parece que se justifique ajudar a entupir o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos com mais um recurso.

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