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Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Ter | 25.08.09

A experiência de ostras e caranguejo no Le Bar à Huitres não foi boa nem má - antes pelo contrário

Jorge Fiel

As pessoas começam por comer com os olhos, mas depois utilizam outros sentidos, além da visão, e foi precisamente aí que a porca (neste caso, o caranguejo) começou a torcer o rabo, durante o nosso último jantar (o de 2ª feira dia 10) desta expedição a Paris.

Forte e positivamente influenciados pela subida qualidade da meia dúzia de ostras nº 6 consumidas na véspera ao jantar, na brasserie Terminus Nord, decidimos reincidir na experiência ostras e escolher o Le Bar  à Huitres da rue Saint Jacques (junto à esquina com o boulevard Saint Germain) para nos confortar na hora da pré-despedida.

À partida, tudo conspirava no sentido de ser um casting acertadíssimo. A começar pela especialização logo reivindicada com orgulho no nome (Le Bar à Huitres, com a assinatura de Restaurant de Haute Mer), a continuar pela localização (do outro lado da rua fica a livraria onde me abasteço de BDs) e a acabar na beleza das caixas de ostras e mariscos em gelo e limão, expostas no exterior, onde um rapazola se afadigava no duro trabalho de abrir as ostras com a faca apropriada (a mais engraçada de todo o mostruário de cutelaria, na minha opinião que, como sabem, não é modesta).

Acresce que na minha memória estava alojada a recordação de uma bela refeição de ostras ocorrida neste restaurante.

Claramente influenciado pelo espectáculo em curso da mesa ao lado, onde um jovem casal se debatia com um aparatoso prato de ostras e mariscos diversos, não descansei enquanto não identifiquei a sua ficha técnica e arranjei um parceiro para o partilhar.

Tratava-se do Grand Plateau e a troco de 66 euros prometia, entre outras coisas, meia dúzia de mexilhões espanhóis, 11 ostras nº 5, cinco nº 4, duas amêijoas gigantes, um data de búzios e caramujos, um monte de pequenos camarões da costa, com um enorme caranguejo, partido em dois, a fazer de cereja no topo deste bolo.

As ostras revelaram-se à altura dos acontecimentos. Não há nada a dizer dos mexilhões, das amêijoas ou até mesmo dos búzios. O consumo dos caramujos exigia tanta mão-de-obra que logo desisti da empresa. Os camarões da costa - parecidos com os de Espinho apenas no tamanho já se apresentavam com uma tez cinzenta, nada saudável – estavam impraticáveis. E o caranguejo, bom, o caranguejo, valha-nos Deus, esse estava absolutamente intragável!

Ou seja, feitas as contas em consciência, só um espírito realmente indulgente poderia atribuir uma notação superior a 11,5 (numa escala de zero a 20) a este Grand Plateau, que impressionou o olhar mas desiludiu o paladar (iludido pela plasticidade da visão).

E deve dizer-se que, no cômputo final, a simpatia do chefe de sala, que nos dispensou algumas frases em português  correcto (está casado com uma portuguesa do Pombal) anulou o facto negativo do restaurante não ter cerveja de pressão – alegando em sua defesa que a clientela não goste de acompanhar mariscos com cerveja, mas sim com vinho branco ou champanhe. Triste desculpa, que contornamos esvaziando um número não negligenciável de garrafas verdes da Carlsberg.

Feito o balanço do jantar no Le Bar à Huitres há que dizer, com toda a frontalidade, que prometeu mais do que deu, e que a experiência nem foi nem boa, nem má – antes pelo contrário.

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