Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Lavandaria

por Jorge Fiel

Lavandaria

por Jorge Fiel

Sab | 22.08.09

De como um tipo como eu, contaminado pela ética produtivista, andou a flanar um bom par de horas

Jorge Fiel

Devemos ao Charles Baudelaire a feliz invenção da palavra “flanar”, que viu pela primeira vez a luz do dia no Sobre a Modernidade.

Flaneur é o sujeito que flana, um tipo dotado de uma imensa ociosidade e que dispõe de uma tarde, de uma manhã, de um dia inteiro ou até, sabe-se lá, de uma semana completa, para flanar, ou seja para andar sem destino, vagabundear pelas ruas de uma cidade sem um objectivo, plano ou propósito previamente definidos, para além de pastar, de uma forma indolente, o que se vai passando à sua volta.

Do ponto de vista de consumo de uma cidade, eu estou nos antípodas do flaneur, já que antes de sair à rua preparo o mais cuidadosamente possível os passeios que vou dar, com o auxílio de guias turísticos, artigos de jornais e revistas, post it amarelos e mapas da cidade, metro e autocarros.

Não sou amigo de deixar as coisas ao sabor do improviso e imprevisto, o que faz de mim uma espécie de farejador profissional de cidades, animado pelo desejo de ver tudo, isto é claramente contaminado pelo excesso de ética produtivista.

Para o início de tarde de 2ª feira dia 10, tinha planeado flanarmos pelo Parc Monceau (sim, porque o flanar também pode ser programado, ou, se preferirem controlado e domesticado, tal como os cães que passeamos à trela), mas acabei por ceder à tentação de errar sem destino pelos boulevards.

Metemo-nos no metro, desembarcamos na Opéra, e andamos por aí a dar água sem caneco pela Paris de Haussmann, Madeleine, rue St Honoré, place Vendôme, place des Victoires, Bolsa, rue de la Paix. A flanar à séria, portanto.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.