Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

O grande denominador comum existente entre a garrafa de vodka e a lingerie da Marilyn Monroe

O soutien está no congelador

Do meu ponto de vista, que todos sabem que não é modesto, o sítio certo para acomodar uma garrafa de vodka é exactamente o mesmo que a Marilyn Monroe escolhia para guardar a sua lingerie – o congelador.

Aprecio bastante a viscosidade do escorrer para o copo da vodka (a meio pau entre os seus estados liquido e sólido) armazenada à violenta temperatura negativa de um congelador, apesar da leve incomodidade sofrida pelas mãos no contacto com o vidro da garrafa coberto por uma fina película de gelo.

Não fosse o caso disso contribuir para consolidar a reputação de eu ser uma pessoa exagerada, poderia mesmo qualificar esse escorrer como erótico!

Esclarecida a minha posição sobre a conservação da vodka, passo a socializar com as preclaras e os preclaros o que penso sobre a maneira como ela deve ser consumida.

Sou visceralmente contra os shots . Mas apesar de reafirmar um posicionamento geral moderadamente favorável face aos coktails – vodka tónico, vodka laranja e vodka maçã (variante que ainda não tive o prazer de experimentar) –, não posso deixar de me revelar um entusiasta da vodka a solo, sem misturas.

Tenho para mim que deve ser servida em copos pequenos, similares aos usados pelos turcos para o chá, mas que em vez de consumida javardamente, de um trago só, temos a ganhar se a namorarmos. Primeiro cheirá-la, depois beber um beber uma porção suficiente que dê para rolar na boca, mas que não esvazie o copo logo à primeira.

Ouçam o que lhe digo. Tirar partido de uma boa vodka tem muito que se lhe diga.

Mas antes de pôr um termo a este devaneio sobre vodka que já dura desde segunda feira, quero deixar bem claro que não pactuo com algumas modernices, que estão a ser cometidas.

A Stoli com aroma e sabor e frutos silvestres é óptima. O limão também casa muito bem com vodka. Mas não pode valer tudo. Há que pôr algum travão a esta moda de adição de todo o tipo de sabores.

Algo está mal quando chegamos ao ponto de termos gente sem escrúpulos que comercializa vodka de caramelo. Ou bem que é vodka ou bem que é um xarope!

 

Desconheço se os collants de rede de pescador, com costura atrás, também iam parar ao congelador

(continua)

 

música: Intervalo, Perfume+Rui Veloso
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Toma lá para fazeres um chá de vodka

Reza a tradição que a vodka deve ser consumida sob a forma de shot. Enche-se um copo com esta bebida de nome e índole traiçoeiros (1) e depois toca a atirar tudo pela garganta abaixo, de um só trago.

Eu não sou adepto desta prática, que não hesito em qualificar como bárbara. Para estas práticas javardas é um desperdício usar vodkas tão finas como as já referidas Stoli e Zubrowka (ou até a Wyborowa, a mais clássica das vodkas polacas).

Se vão usar a vodka com o único e exclusivo meio de alcançar rapidamente as vantagens derivadas do aumento do teor alcoólico do sangue (protecção face ao frio e/ou acesso a um agradável estado de euforia) aconselha-se o uso da global Smirnoff ou da não menos global (e mais em conta)  Eristoff.

Há ainda outra tradição: a de misturar o vodka com outros líquidos.

Nesta viagem, aprendi que os polacos combatem os rigores do Inverno tomando um chá de vodka logo pela manhã, uma bebida fácil de preparar e que consiste em adicionar em água a ferver à vodka, em partes iguais.

Para bem do meu fígado, espero que o frio português nunca me obrigue a adoptar uma medida tão drástica.

Outra mistura muito do agrado dos polacos é a de vodka com sumo de maçã, que confesso nunca experimentei, mas deve ser agradável – pelo menos tanto quanto o tradicional vodka laranja.

Estas combinações são uma variante do vodka tónico, bebida que fica bem a qualquer um cavalheiro encomendar. Neste caso, acho que fica a matar precisar que se pretende que o vodka seja Absolut.

O Absolut é a água do Luso dos vodkas  - mas com um marketing incomparavelmente superior. Ou seja, não sabe a nada (com a óbvia excepção das suas versões aromatizadas).

A garrafa do Absolut é um verdadeiro achado. E as campanhas de publicitária são das mais espectaculares manifestações de arte popular contemporânea. O Absolut tem por vias disso uma imagem magnífica que só favor de quem o compra ou encomenda.

Mas eu, por mim, prefiro a Zubrowka.  De longe.

(continua)

……………

(1)  Nas línguas eslavas, vodka é diminutivo de aguinha, o que até pode parecer verdadeiro à vista, mas a verdade é que por detrás daquele ar inofensivo está uma bebida explosiva com um teor alcoólico próximo dos 50%.

 

música: Unconditional love, Bangles
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

A Stoli é boa, mas a Zubrowka ainda é melhor

 

Os maiores especialistas vivos no grande cisma da vodka dizem que as polacas (as vodkas, não as mulheres, bem entendido) são mais oleosas e têm sabor e aroma mais acentuados e adocicados, sendo mais suaves que as russas, que queimam na garganta.

Devem ter razão. Eu devo dizer que historicamente sempre me dei bem com a Stoli russa, e até fiquei fã de uma sua versão com aroma e sabor a frutos silvestres que comprei em Moscovo no ano passado.

Gostei tanto desta Stoli que até estou surpreendido com o facto da garrafa de um litro resistir ainda com algum liquido dentro (1) no congelador do frigorífico do meu apartamento de São João do Estoril. É um milagre que pede meças às aparições em Fátima da Virgem Maria aos pastorinhos.

Na minha segunda expedição à Polónia, que decorreu sob o alto patrocínio do Millennium BCP, foi apresentado à Zubrowka e devo dizer que se tratou de um coup de foudre – um amor ao primeiro trago, uma paixão que tem resistido à voragem dos difíceis tempos que atravessamos.

A Zubrowka ostenta um bisonte nos seus rótulos (já apanhei pelo menos com três diferentes), numa alusão clara ao facto do seu sabor distinto  (e distintivo) se dever ao uso na confecção da erva do parque de Bialowieza, onde pastam os bisontes.

Há uma versão da Zubrowka  (presumo que a mais cara) em que vem dentro da garrafa, em ameno e pacifico convívio com a vodka, um pequeno pedaço do pasto dos bisontes.

Resumindo. A Stoli é boa. A Stoli com aroma e sabor as frutos silvestres ainda é melhor (2). Mas a Zubrowka é uma experiência a não falhar, podem crer, e que está ao alcance de todas as preclaras e preclaras já que começou a fazer aparições nas prateleiras dos Pingo Doce. 

 

Ora aqui está a erva que dá aquele gostinho especial à Zubrowka
 

(continua)

……………….

(1) Calculo que resistem ainda uns bons 0,2 dl da Stoli aromatizada, mas sei que estou a escrever asneira porque por razões que em escapam em absoluto as doses de vodka são medidas ao peso  -  em gramas.

 

 

(2) Sinto-me um émulo do enorme Tino de Rãs, cujo grande hit musical tinha um refrão em que ele cantava: “pão com manteiga é bom: com fiambre ainda é melhor”.

música: Overcome, Live
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

A irresístivel ascensão da vodka

 

Há toda uma vasta série de questões relacionadas com a geografia e história que levaram a que os polacos se dêem mal com os russos (e vice-versa), sendo que uma das mais relevantes é o contencioso sobre a paternidade da invenção da vodka, que é firmemente reivindicada por ambos os países.

Ao longo dos tempos, a vodka deixou de ser uma coisa que não me dizia nada para passar a ocupar um lugar cimeiro no meu pódio de preferências no capítulo das bebidas brancas – uma categoria onde curiosamente alberga uma paleta de cores suficiente para compôr um arco íris.

Nunca fui grande fã de gin, bebida que enjoei em definitivo, estando para mim absolutamente fora de questão encomendar um gin tónico.

Já não digo que não (antes pelo contrário) a um vodka tónico para arredondar um fim de uma tarde quente de Verão e funcionar como uma placa giratória para um agradável jantar ao ar livre.

Durante o período de consolidação da jovem democracia portuguesa tornei-me regular consumidor de uísques diversos, errando ocasionalmente entre o Highland Clan (nas semanas de maior aperto financeiro) e o William Lawson (quando havia alguma folga) e os irlandeses Jameson Bushmills, passando pelos tradicionais scotches Famouse Grouse, JB, Cutty Sark e Johnnie Walker (quando os meus bolsos já tinham algum fundo).

Maltes é que só mesmo quando as empresas achavam por bem exteriorizar o ser espírito natalício enviando lá para o jornal, a meu cuidado, umas botelhas de Cardhu, Glenfiddich, ou até mesmo de Glenrothes (the top of the tops).

Os tempos, as vontades e os hábitos mudam, eu e a democracia portuguesa fomos amadurecendo em conjunto, deixamos de ser jovens e o uísque desapareceu dos meus copos.

Observei durante alguns anos uma rigorosa Lei Seca, de onde emergi para o consumo monotemático de vinhos (nas suas variantes branco, rosé, tinto e champanhe).

Bebidas brancas sé em ocasiões muito especiais, mas mesmo muito especiais, como o Ano Novo chinês, o aniversário do menino Jesus (o de Praga) ou do professor Cavaco, ou as noites de Lua Cheia – para citar apenas quatro exemplos.

Após o meu Ramadão, o pódio das minhas bebidas alcoólicas ficou ordenado da seguinte maneira:

1º Vodka

2º Jack Daniels (e outros bourbons como Fours Roses e Wild Turkey)

3º Cognacs, armagnacs e aguardentes velhas.

 

(continua)

 

música: Father and son, Cat Stevens
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Quarta-feira, 8 de Agosto de 2007

Para se ser alguém na vida, é preciso ter uma política adequada de copo de fim de tarde

 

«Para mim, é um vodka tónico. Com Stoli ou Absolut. E muito gelo», encomendou Francisco Balsemão. Estávamos os dois no Porto Sheraton para um encontro de trabalho, entre o fim da tarde e o início da noite.

 

Eu era o responsável pela delegação do Porto do Expresso.

 

O Sheraton ainda não tinha atravessado para o outro lado da avenida da Boavista e era o actual Porto Palácio.

 

Balsemão ainda retirava prazer da bebida. No entretanto, tudo quanto é álcool passou a saber-lhe mal, um dano colateral e involuntário de uma intervenção cirúrgica a um ouvido (ou terá sido ao nariz?). Involuntário porque o médico que o operou adoraria saber o que fez que teve o condão de lhe provocar a repulsa pelas bebidas alcoólicas…

 

Em dez anos as coisas mudam muito. A única coisa que não mudou mesmo foi o facto de que Francisco Pinto Balsemão era e continua a ser o accionista maioritário do grupo Impresa.

 

Não tinham nem Stoli, nem Absolut. Só Smirnoff ou Eristoff, uma oferta demasiadamente estreita e baixa, pouco compatível com as cinco estrelas do hotel. Deve ter sido por essas e por outras que não demoraria muito o divórcio entre a cadeia Sheraton e grupo Sonae.

 

Balsemão fez um gesto de resignação, enquanto abanava a cabeça em sinal de reprovação. O empregado virou-se para mim e perguntou-me o que eu iria tomar.

 

Fiquei paralisado. De repente, dei por mim completamente impreparado para encomendar no formato «copo de fim da tarde». A saída mais fácil (imitar o pedido de Balsemão, com um «traga dois») parecia-me desadequada em face do episódio da inexistência de vodka Stoli ou Absolut.

 

Pareceram-me uma eternidade aqueles segundos que demorei até me recompor e encomendar uma água de Castelo fresca. Um pedido que, devo confessar-vos, não me deixou satisfeito quando mais tarde passei mentalmente em revista a situação.

 

Estamos sempre a aprender grandes lições. No dia em que empenhou o anel de rubi para levar a namorada ao concerto dos Vinegar Joe no Rivoli, o Nicolau da Viola (não confundir com o do laço!) aprendeu que não se ama alguém que não gosta da mesma canção.

 

No dia em que tive uma reunião com o Patrão no bar do Porto Sheraton, aprendi que para se ser alguém na vida é indispensável ter uma política adequada de pedido para o copo de fim de tarde.

 

O encontro correu muito bem. Um dos encantos de Balsemão é ele ser jornalista. Ao fim de dez minutos, damos por nós a conversar com um colega de profissão – não com o patrão. E muito provavelmente ele nem reparou na minha atrapalhação no momento o pedido. Terei beneficiado de nesse momento estarem a passar pelo átrio uma revoada de deusas altas. Devia ser dia de Portugal Fashion (1).

 

Mas aprendi que tinha de estar preparado para os novos formatos de encontro profissionais, que já não se limitavam à exiguidade da alternativa entre o almoço no restaurante ou encontro na empresa.

 

Estavam a ser estabelecidos novos cenários, como o pequeno almoço, o copo de fim de tarde e o almoço em sala da sede da empresa preparada para o efeito. Tenho feito alguma reflexão sobre este explodir de formatos e, mais tarde ou mais cedo, partilharei as minhas conclusões com os distintos frequentadores desta lavandaria.

 

Concentremo-nos no copo de fim de tarde e nas alternativas que no entretanto fui formatando para estar à altura dos acontecimentos.

 

Vodka tónico

O pedido de Balsemão que está na origem deste pequeno ensaio continua a ser irrepreensível. Tem tudo lá. Não é por acaso que ele teve uma educação esmerada, cresceu com o rei de Espanha, soube sempre combinar riqueza e frugalidade, fundou o PSD, foi primeiro ministro anda no grupo de Bildberg e é o mais prestigiado patrão de Media em Portugal (2).

 

A escolha das marcas é sem dúvida acertada. É um pedido com detalhe (muito gelo e indicação das marcas) mas não exagera ao ponto de caprichar na marca de água tónica ou no tipo de copo em que a bebida deve ser servida.

 

No entretanto, a oferta foi alargada com uma enorme quantidade de vodka com sabores, pelo que será correcto e elegante pedir um vodka tónico com Stoli de frutos silvestres. 

 

Gin tónico

Eu detesto gin tónico. Nunca percebi bem porquê, mas abomino o travo do gin. Não tenho nada contra a bebida, que era a de eleição do meu bom amigo Miguel Esteves Cardoso. Mas eu não gosto, e por isso descarto liminarmente esta hipótese, apesar de reconhecer que constituiu uma solução honesta e honrada para o problema do copo de fim da tarde. Parece que o gin Gordon continua a estar bem cotado.

 

Portotonic

É um pedido minoritário, que se deve fazer apenas em ambientes bem seleccionados – o Solar do Vinho do Porto, o beberete da regata dos barcos rabelos ou a cerimónia de entronização dos novos membros da Confraria do Vinho do Porto – ou quando se quer vincar e publicitar a nossa costela de militantismo nortenho.

 

Em ambientes estranhos, não se espante se o empregado franzir o nariz e perguntar Porto quê?. Nesse caso, assuma um ar pedagógico e explique calmamente, com voz pausada e até mesmo alguma altivez, que quer que lhe sirvam num copo alto, uma dose de Porto Branco seco misturada com duas doses e meia de água tónica, três pedras de gelo e uma casca de limão.

 

Água tónica

É a melhor opção não alcoólica para se acompanhar alguém que encomendou umas das três bebidas anteriores.

 

Se for essa a sua encomenda, tem de sofisticar referindo a marca preferida e frisando que quer com muito ou pouco limão – e se prefere rodelas ou casca.

 

Cerveja

É um pedido um pouco plebeu que tem ganho alguma nobilidade. Está a sair do gueto ao mesmo tempo que o hábito de ir ao futebol e ler a Bola.

 

Mas, por amor de Deus, está absolutamente fora de questão resumir o pedido a: «Traga-me uma cerveja». Tem de saber se há ou não cerveja de pressão. Se houver, deve inteirar-se sobre as marcas disponíveis, e fazer um pedido esquisito, como a que lhe sirvam a cerveja numa flûte de champanhe. 

 

Este pequeno lote de idiosincrasias compensará amplamente a banalidade da cerveja.

 

Vinho branco

Havendo vinho a copo, um branco seco fresco é o meu pedido preferido. Neste caso, podemos refugiar-nos nas castas.

 

Chardonnay está bem, é um clássico, a palavra soa tão bem que se eu agora tivesse uma filha encararia seriamente a hipótese de lhe chamar Chardonnay.

 

Sauvignon tem a fama de ser um vinho de senhora, pelo que terá de fazer alguma conversa a propósito se se decidir por esta casta.

 

Pinot grigio é claramente o pedido mais «in». Dispensa malabarismos.

 

Se for de marca, não vale a pena ir para o mais caro. O Evel é barato e excelente.

 

Faça sempre questão de saber a colheita. Nesta altura do ano é totalmente inadmissível servirem-nos um branco de 2005. Temos todo o direito de exigir 2006.    

 

Champanhe

Adoro champanhe. Não ao ponto de beber seis garrafas por dia, como faz o Maradona. Mas apesar dessa ser a minha bebida preferida, acho um pouco pretensioso o pedido de uma flûte de champanhe num encontro profissional de fim de tarde.

 

O champanhe é melhor companhia para um jantar romântico, para uma festa em casa de amigos – ou para encomendar ao «room service» às três da manhã, com uma dúzia de ostras, para retemperar as forças para a segunda parte da noite.

 

Rosé

Num fim de tarde de Verão, pedir um copo de rose é uma belíssima opção. Os meus preferidos são os da Defesa e da Peceguina, mas o Mateus também é muito bom.

 

Mas se encomendar Mateus tem de estar preparado para contar uma série de histórias abonatórias da justeza do seu pedido. Uma delas pode ser o facto de ter ficado nos cinco primeiros lugares num painel de provas cegas promovido pela Revista dos Vinhos em que participaram 30 marcas diferentes.

 

Coca Cola

Um pedido destes tem de ser acrescentado de alguns detalhes («Encha por o copo com gelo estilhaçado, não em cubos», «Ponha, por favor uma rodela de lima misturada no gelo», etc).

 

Coke Light com sabor a limão é, na minha opinião, o pedido mais acertado. A Pepsi, sem mais, está nos antípodas (ou seja é o mais desadequado).

 

Conte a propósito histórias suas passadas nos Estados Unidos da América, se vir que o seu interlocutor ficou surpreendido com este pedido.

  

Água lisa

Às vezes, a melhor opção é a simplicidade. Água lisa, fresca, é um belo pedido. Mas deve esforçar-se um pouco no capítulo das marcas e explicar que gosta de água com sabor e lamenta o facto do paladar português ter sido educado pela Luso no gosto pelas águas desprovidas de sabor. A Evian, por exemplo, tem um sabor intenso.

 

Água com gás

Durante alguns anos, a Castelo fresca com uma rodela de limão funcionou para os meus «copos de fim da tarde» da mesma maneira que o ouro para os mercados financeiros.

 

A Água do Castelo foi e continua a ser um esplêndido valor refúgio. Aceito a Frize (mas sem sabores) e cada vez mais peço a Água das Pedras.

 

Também gosto muito da Castelo com sabor a lima e a limão.  

 

Nota final

Foi de propósito, não por esquecimento, que exclui desta lista o Martini,  uísque e cognac, que acho completamente desadequados à hora do dia, bem como todos aqueles cocktails com chapeuzinhos, que só se devem encomendar quando estamos de férias na República Dominicana com as despesas todas pagas.

 

…………………………………

(1)   Este pormenor das «top model» terem desembarcado milagrosamente no átrio do Sheraton, proporcionando uma camuflagem à minha atrapalhação, foi completamente inventado. O resto é verdade.

 

(2)   Não fiquem a pensar que estes elogios me vão garantir um aumento. Já ficarei satisfeito se não me derem um pontapé nas costas J

 

 

publicado por Jorge Fiel às 09:16
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

A mulher do vestido preto, soquetes brancas e sapatos cor de rosa. Rapsódia russa em 14 andamentos

 

Aí está o relatório russo mais esperado desde o não menos famoso, mas um pouco mais secreto, relatório apresentado pelo camarada Nikita Krushchev (Deus o tenha em bom lugar a ele que foi um dos responsáveis pela construção do belo e monumental Metro de Moscovo) ao XX Congresso do PCUS que como é do conhecimento geral  foi o pontapé de saida à desestalinização da URSS (CCCP se preferirem usar o alfabeto cirilico).

 

Após sete dias e sete noites em Moscovo, o genial autor da Roupa para Lavar (ou seja eu próprio, adoro referir-me a mim na terceira pessoa, como fazem os futebolistas), utiliza o formato salada russa para narrar aos incautos mas já numerosos frequentadores deste blogue aquilo que de mais emocionante viveu, viu ou experimentou na sua semana russa.

 

Um rapsódia em 14 andamentos que abre com a história de mulher do vestido preto curto, soquetes brancas e sapatos cor de rosa. Neste relato das aventuras de um repórter no antigo pais dos sovietes, fala-se de muita coisa, como, por exemplo, do facto do autor ter tropeçado em Moscovo no aquecimento global e da paixão à primeira vista que lhe inspiraram as peras russas. Também aqui se conta porque é que ficou intrigado com a obsessão moscovita pelo poeta Pushkin - lamentando amargamente ter ficado sem saber se o grande poeta era ou não o Grão Mestre da Ordem dos Cornudos (e já agora porque é que nos restaurantes vendem a vodka ao quilo).

 

1.MODA

A mulher dos sapatos cor de rosa de salto alto, meias brancas (pelo joelho) e vestido preto, extremamente curto

 

Estava de costas, debruçada sobre a mala aberta do carro, que se veio a revelar ser um Audi dos grandes (talvez um Audi 6).

 

Alta, com um vestido preto, curto e elegante. A reduzida dimensão do vestido conspirava com a posição (de bruços) no sentido de fornecer uma ampla e geneorosa panorâmica das suas pernas longas, cobertas até aos joelhos por meias de tipo soquete, que concluiam a sua missão na linha do joelho. Os sapatos, de salto alto, talvez Prada, eram cor de rosa.

 

Tive esta visão na 6ª feira a meio da tarde, quando descia a Novaya Ploschad em direcção à ulitsa Varvarka Ulitsa. Não cheguei a ver-lhe a cara. Tenho pena de não ter na altura comigo a máquina fotográfica, pois neste caso, uma imagem valeria mais do que esta centena de palavras.

 

A mulher do vestido preto, meias brancas pelo joelho e sapatos de salto alto cor de rosa representa o paradigma do moderno gosto russo - é uma fiel amostra do cânone de elegância moscovita.

 

 

2. VISTAS 

Onde se constata que nem só de mulheres se alimenta o homem

 

Um exemplar dos chocolates produzido pela gloriosa Fábrica de Chocolates Outubro Vermelho

 

A mulher do vestido preto, com soquetes brancas pelo joelho e sapatos de salto alto cor de rosa não foi a mais gloriosa das visões que tive durante a minha estadia em Moscovo.

 

A mais esplêndida vista panorâmica de Moscovo desfruta-se, no meu entender, do meio da ponte pedonal sobre o rio Mockba, acessível pelas traseiras da catedral nova. É, com a devida vénia ao BES, uma visão de 360º graus.

 

À frente dos nossos olhos fica majestosa catedral de Cristo O Redentor (destruida por Stalin e recentemente reconstruida), com as suas cúpulas douradas a brilhar ao sol.

 

À direita segue o rio e o grandioso Kremlin, em todo o seu magnifico esplendor, com a fachada do palácio que foi dos cazares e agora é do Putin, a olhar para nós.

 

À esquerda vemos a fábrica de chocolates Outubro Vermelha, ao lado da gigantesca e impressionante estátua de Pedro o Grande.

 

Devo confessar que esta panorâmica sofre uma forte concorrência da Praça Vermelha. A catedral de S. Basilio, com as suas cúpulas em forma de cebola coloridas com cores garridas, equivale a uma bela paulada se saboreada à noite e já com um grão de vodka na asa. Believe me.   

 

 

3. CONSELHO

Aprenda o alfabeto cirilico para não se perder e evitar armadilhas

 

Um bom exercicio é converter para o nosso alfabeto os titutos em cirilico da edição russa da Hello!

 

Nos anos 60, Scott Mckenzie aconselhou toda a gente que fosse a S. Francisco a levar uma flor no cabelo.

 

Nesta segunda metade da primeira década do séc. XXI, eu aconselho todos as preclaras e preclaros que vão a Moscovo a se iniciarem previamente nos mistérios do alfabeto cirilico. De outra maneira estão feitos ao bife.

 

Toda a sinalização pública (as placas com os nomes das ruas e estações de metro) estão escritos em cirilico. Não lhe vale de nada saber que está junto ao Bolshoy (está em obras) e que para visitar a sumptuosa estação de metro Mayakovskaya tem de apanhar o metro em Teatralnaya, embarcar na linha 2 (verde), e sair na terceira paragem, depois da Tversakaya.

 

Todos estes simpáticos nomes, relativamente fáceis de decorar e de dizer (o que já não é bem o caso da estação anterior da linha verde, que responde pelo inenarrável nome de Novokuztzkaya, mas que apesar disso é de visita obrigatória). Mas o que está escrito nas placas é uma coisa muito diferente que usa as 33 letras do alfabeto cirilico, das quais apenas cinco corrrespondem às nosssas (A.K.M.O e T).

 

Há armadilhas evidentes (o P deles lê-se R enquanto o H lê-se N) que só se podem evitar com algum estudo prévio. Pectopah é restaurante. Mais. Os russos são como o pessoal aqui do Porto. Trocam os B pelos V. A rua Varvark escreve-se Bapbapka. O aya com que finalizam muitas palavras escreve-se com um A e um R ao contrário. Se vir escrito 3AKPbITO à porta de uma loja,  faça o favor de não insistir pois quer dizer que está fechada.

 

 

4. AVISO

De como as aparências podem iludir os cavalheiros de maus hábitos

 

À primeira vista, Moscovo pode desorientar os forasteiros que têm o péssimo hábito de se envolverem em trasanções comerciais tendo o sexo como objecto e em que eles se colocam na posição de compradores. Ou, dito de uma forma brutal, os homens habituados a ir às putas.

 

Moscovo pode desorientá-los porque eles olham para todos o lados e pensam estar na presença de uma gigantesca «overdose» de oferta. O que não é verdade. Uma boa parte das russas veste-se de uma forma que pode ser entendida como similar à usada pelas profissionais do sexo no mundo ocidental. Mas as aparências iludem.

 

As jovens russas têm muito orgulho nos seus meios de locomoção e por isso expõem-nos ao olhar alheio com uma enorme generosidade, usando saias curtas (ou até mesmo muito curtas), sapatos ou botas de saltos vertigionosos. Ou seja, disponibilizam a visão de bastantes centímetros quadrados de nylons cor de carne, pretos, de fantasia ou rede.

 

Esta generosidade na exposição do seus atributos, aliada a um porte usualmente atlético, maneira de andar e olhar desinibidos, gosto pelas maquilhagens pesadas e uso e abuso de combinações de cores pouco comuns do nossos lado da Europa, é claramente susceptível de induzir em erro o pobre do pessoal habituado a comprar sexo.

 

 

5.PERGUNTA

Traga-me meio quilo de Evel branco, de 2006, gelado e bem pesado, por favor!

 

Por que é que a vodka é vendido ao quilo (x gramas) e não ao litro?

 

Não tenho resposta para esta interessante e candente questão, mas acreditem que me esforcei por a encontrar. Mas acho um bocado ridiculo. Já se imaginou a entrar no restaurante Casa México e encomendar meio quilo de Evel branco, bem pesado?

 

 

6. MARAVILHAS

O inventário seco de nove entre muitas maravilhas que me foram dadas a ver

 

 

Foram muitas as maravilhas que vi em Moscovo. Sem pensar muito, inventario (a ordem é absolutamente arbitrária) nove:

 

1. A sala de jantar Arte Nova do Metropol, o hotel onde estive hospedado;

 

2. A estação de metro de Ploshchad Revolyucii, com os seus arcos de mármore  e as 76 estátuas de bronze, em tamanho natural retratando outras tanats profissões: o gaurda vermelho, o piloto de aviões, a camponesa, o futebolista, o marinheiro, o operário (isto claro não desfazendo em muitas outras como a luxuosíssima Komsomolskaya ou a Mayakovskaya);

 

3. O centro comercial Gum (antigos armazéns do povo) na Praça Vermelha, o mais belo e elegante que vi até agora em toda a minha vida;

 

4. A Catedral de S. Basilio. Toda ela. Por dentro e por fora;

 

5. Os Jardins de Alexandre, ao fim da tarde;

 

6. As ruas (ulitsas) Ilinka e Varvarka (na zona da Praça Vermelha e Kitay Gorod), e a Prechistenka (na zona de Arbatskaya)

 

7. O Kremlin. Se um dia for a Moscovo não se esqueça de reservar um dia inteiro paar se deliciar com o Kremlin;

 

8. A mercearia fina Yeliseev, na Tversakaya Ulista, que dá um novo significado e dimensão à palavra fausto;:

 

9. O cemitério dos monumentos tombados, no outro lado do rio, ao lado do Parque Gorki e  em frente ao monumento a Pedro o Grande, onde estão reunidas ao ar livre as estátuas retiradas dos seus pedestais no ocaso da URSS, como, por exemplo a gigantesca do Feliks Dzerhinsky (o odioso fundador da Cheka) que estava em frente à Lubyanka, a sede do tenebroso KGB.

 

 

 

7. EROTISMO

Peras melhores que esculturas de Arkhipenko

 

Uma das coisa que mais me impressionou nesta viagem foi o formato das peras russas, que como podem apreciar pelo exemplar da fotografia podem ser tão ou mais eróticas que as esculturas do Aleksander Arkhipenko que vi no Museu de Arte Moderna, da rua Petrovka.

 

 

8. AQUECIMENTO GLOBAL

O Inverno russo que derrotou Hitler e Napoleão já não é o que era

 

Durante os sete dias que estive em Moscovo, o céu esteve sempre pintado de azul cueca, a chuva não compareceu e o termómetro nunca de aproximou dos zero graus, mantendo-se o mercúrio encostado ao 15 graus. Uma agradável temperatura primaveril que atirava para as ruas e os bancos de jardim hordas de moscovitas, envergando roupas de Verão e que conversavam animadamente com a sua garrafinha de cerveja na mão.

 

O Inverno russo que derrotou a Grande Armée de Napoleão e a Whermacht de Hitler já não é o que era. Amaciou. Está de unhas aparadas. Não é que o último Inverno foi o mais quente e curto dos últimos 126 anos? Este ano só nevaram em Moscovo 28 centímetros de neve. Um ridicularia!

 

Este agradável tempo, ao que parece muito mais simpático do que se fazia sentir pela mesma altura no nosso pais, desmentia o meu guia DK/American Express que garante que a temperatura média (sublinho média) em Moscovo, nem Março, é de dez graus negativos. Afinal o Gore tem razão. O aquecimento global existe. Eu vi-o em Moscovo.

 

 

9. OBSESSÃO

Seria Pushkin o Grão Mestre da Ordem dos Cornudos?

 

Ainda há estátuas de Karl Marx no meio das praças (caso da Praça do Teatro Bolshoy). As foices e martelos são omnipresentes, designadamente nos baixos relevos nas estações de metro. O mausoléu do Lenine cotinua aberto (apesar de em horário reduzido, 10h00-13h00) na Praça Vermelha. No alto das torres do Kremlin ainda lá estão as estrelas vermelhas de cinco pontas que os bolcheviques puseram em substituição das águias bicéfalas dos tempos do czar. Pequenos bustos em bronze de Stalin são a coqueluche (eu próprio comprei um por mil rublos) nas bancas que vendem nas ruas recordações e réplicas dos tempos dos sovietes, apesar de não ser garantido que este busto tenha as mesmas propriedades que o do Napoleão para o efeito de desconversar e tentar apanhar a companheira de surpresa, aliciando-a para práticas de sexo menos canónicas.

 

Apesar desta pujante sobrevivência dos icones soviéticos, a maior das obsessões é pelo poeta nacional Alexander Pushkin. O nosso Camões (o Luís Vaz, não o meu particular amigo Afonso) deve roer-se de inveja. Pushkin teve um vida curta. Morreu cedo, vitima de um ataque de ciúmes.

 

Pushkin começou a receber cartas anónimas em que era tratado como o Grão Mestre da Ordem dos Cornudos. Não levou a bem. Desafiou para um duelo o oficial francês que ele suspeitava andasse enrolado com a sua bela mulher Natalya. E morreu na sequência dos ferimentos recebidos na sua vã tentativa de lavar a honra com sangue. Um desfecho trágico, mas bastante adequado à sua condição de poeta.

 

Apesar da trágico e precoce passamento, Pushkin está em todo o lado. Tem uma casa museu instalada na rua Arbat, onde foi terá sido feliz com a sua Natalya Goncharova. Tem uma estátua - que não foi nunca removida . Deu o nome a uma praça, a uma estação de metro, a um museu e a um restaurante (bem giro mas a evitar se quer escpaar a um verdadeiro assalto à mão armada por altura da chegada da conta!) .

 

 

10. POLITICA

Um humorista chamado Zyugonov, lider dos comunistas russos

 

Na noite das eleições presidenciais, um assessor chega junto de Ielstin e diz ser portador de duas noticias. Uma boa e uma má. Qual é a que o presidente quer ouvir primeiro?

 

Ielstin toma um calmante, enche o copo com vodka e pede-lhe que comece pela má.

 

- Zyuganov teve 62%;

 

A mão trémula de Ieltsin dirige-se para a pistola, enquanto pergunta quel a boa noticia.

 

- Você  foi eleito com 75% dos votos.

 

Zyuganov é o lider do Partido Comunista Russo e perdeu para Ieltsin as presidenciais de 1996 depois de ter estado à frente nas sondagens e na contagem dos votos.

 

Esta anedota é uma cem contadas num livro publicado a semana passada pelo dirigente comunista russo. A vida está má para toda a gente - é o moral que retiro desta história.

 

 

11. LIVRO

A misteriosa história de Olga Chekova, a sobrinha do dramaturgo

 

A história, o ambiente, a emoção e a tragédia da primeira metade de século russo encontra-se condensada nas páginas do livro de Antony Beevor «The Mistery of Olga Chekova». O autor dos incomtornáveis «Stalingrad» e «Berlin» aproveita uma história real da vida atribulada da sobrinha do dramaturgo Chekov para pintar um generoso fresco da vida russa desde o virar do século XIX para o XX e até ao final vitorioso da Grande Guerra Patriótica 1941-45 - é assim que os russos chamam à II Guerra Mundial 1939-45, fazendo esponja sobre os dois anos em que viveram em conúbio com os nazis, na sequência do vergonhoso Pacto Germano-Soviético assinado pelo criminoso Stalin.

 

The Mistery of Olga Chekhova, Antony Beevor, Penguin History, 300 páginas, 569 rublos (ou 8.99 libras)

 

 

12. QUADRO

I.N. Kramskoy usa uma enigmática desconhecida para nos ajudar a questionar o belo

 

Até fico arrepiado com a minha lata de escolher um quadro, apenas um, das centenas que vi no Museu de Arte Moderna e na Galeria Tretyakov (tentei debalde ir ao Museu Pushkin mas estava uma bicha de duas a três horas para entrar porque estava lá uma exposição do Modigliani). 

 

Acabei por fazer uma escolha que me surpreendeu a mim mesmo. O quadro que me apeteceu seleccionar é o retrato de uma mulher desconhecida, pintado em 1883 (75,cm por 99 cm)  por I.N. Kramskoy (cuja reprodução abre este «post»).

 

Escolhi-o porque me levou a interrogar-me sobre o conceito de beleza e a achar que o Leonardo não tem o exclusivo do enigma feminino com a sua Gioconda. Há outros olhares enigmáticos que pintores menos conhecidos lograram captar e transmitir às gerações vindouras. Concordam comigo?

 

 

13. MÚSICA

Aqui declaro a minha paixão por Uma Noite no Monte Calvo, de Mussorgsi

 

A banda sonora que me acompanhou na redacção desta longa rapsódia russa foi a disco da Festa da Música dedicada à Rússia (decorreu no CCB, de 27 a 29 de Abril de 2001) e que foi editado pelo Público.  Incluiu excertos de obras de compositores russos famosos, como Tchaikovski, Rimski-Korsakov, Mussorgski, Rachmaninof, Chostakovitch e  Scriabine entre outros (omiti Stravinvsky de propósito, pois  não gosto muito dele mas estou pronto a reconhecer que o defeito é meu).

 

Mas aqui declaro, alto e bom som, que a minha peça preferida de música russa é o fantasmagórico Uma Noite no Monte Calvo, de Mussorgski (no arranjo dele e não no arredondado feito por Rimski Korsakov) , compositor a quem fui apresentado há uns bons 30 anos pelos Emerson, Lake and Palmer que lhe pediram emprestado o nome Quadros de uma Exposição e uma inolvidável melodia. Acrescento que acho o Lucky Man uma música fantástica. E que a minha paixão pela Uma Noite no Monte Calvo é apenas ligeiramente superior à que nutro pela peça clássica Quadros de uma Exposição)

 

 

14. CARTEIRA

Moscovo é uma cidade cara? Depende...

 

 

Não há uma resposta certa para a pergunta: Moscovo é uma cidade cara? Aí vão algumas pistas para construir a resposta num regime «do it yourself».

 

Um euro vale 34 rublos. Um bilhete válido para dez viagens no metro custa 140 rublos. Uma refeição (sumo de cenoura mais rolo mexicano) no Prêt-a-Manger custa 350 rublos. Uma cerveja local comprada na rua custa 28 rublos. Paga-se 300 rublos para entrar no Kremlin (mais 350 se quiser ver a Armaria onde estão as jóias dos czares), 200 para entrar na Galeria Tretyakova e 100 para visitar o cemitério das estátuas removidas. Uma matrioska de tamanho média compra-se por 300 rublos, o mesmo preço que pedem por um daqueles gorros azuis do Exército Vermelho.

 

Moscovo é cara? Depende 

publicado por Jorge Fiel às 14:37
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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