Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Será melhor ter a reputação de gostar de ser sodomizada ou de ser uma gastadora compulsiva?

 

O ( Hisóoria de O, de Guido Crepax) prepara-se para ganhar a reputação de adorar ser sodomizada  

 

“Se eles gostam de sexo anal? Sim, sem dúvida. Se elas gostam? Algumas sim, mas a maioria preferia seguir os procedimentos normais e fazem-no porque se não o fizerem lá vão eles, em jantares entre amigos bem regados, dizer ‘esta não gosta de apanhar no dito’. Ora isso é muito mais vexante, para nós, mulheres, do que ser desleixada, não fazer a cama ou ser gastadora compulsiva”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 120

 

A propósito de Sócrates e do caso Freeport, Miguel Sousa Tavares escreveu: “Um homem é aquilo que é, mais aquilo que faz e acontece”.

A propósito do sexo anal, a autora glosa o mesmo mote e escreve, por outras palavras, que “uma mulher é aquilo que é, mais aquilo que faz e acontece” - sendo que entre as suas acções e ocorrências tem um lugar de destaque a reputação de gostar ou não de levar no dito.

Quando andava nos últimos anos do liceu, nas conversas de rapazes, bem regadas a café, todos nos queixávamos da recusa das nossas namoradas em nos darem acesso ao orifício traseiro.

Mas havia a esperança de que esta atitude intransigente não afectasse todo o mulherio – esperança arquitectada no boato persistente de que a namorada do Luciano apreciava bastante esta abordagem menos ortodoxa.

Nunca consegui apurar ao certo se este boato era ou não verdadeiro, se se fundamentava numa inconfidência do Luciano (ou até da própria namorada…), ou tinha origem numa campanha negra ou cor-de-rosa .

Na verdade, nunca tive a coragem para pôr a questão em pratos limpos perguntando ao Luciano, com toda a frontalidade, se era verdade que a namorada gostava de levar no cu.

Por maioria de razão, também não pus essa questão à namorada dele, uma miúda muito magra e frágil (ou seja, com pouco arcaboiço para aguentar hostilidades muito violentas), com ar de ser ainda mais miúda do que efectivamente era.

Recordo este caso da namorada do Luciano que alegadamente gostava de levar no cu, porque a autora transportou esta questão do sexo anal para o domínio da reputação.

Estou tentado em dar-lhe razão. Face ao desejo generalizado dos homens em praticar sexo anal, uma mulher ter a reputação de acolher amigavelmente (até com gosto) esta pretensão só contribuirá para elevar drasticamente a procura de que é alvo.

música: A hard day's night, Beatles
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2009

Camarões, lampreia ou polvo?

Na vossa douta opinião, Barbara (que aparece confortada, naa sua posição acrobática, por Chloe nesta cena da história Trio Caliente, Gina nº 192)  encara o que Fritz (que não se vê na imagem) lhe está a fazer como marisco, lampreia ou polvo?

 

“Para mim, o sexo anal é uma questão meramente festiva, um dia para desenjoar dos outros, em que se faz uma refeição diferente. E francamente, segundo relatos que me chegam, quanto aos homens que gostam de sexo anal e que não descansam enquanto lá não mergulharem o ‘palito de la reine’ mais parece um episódio da BBC Wild Life. Parece um pesadelo primitivo a cena de alguém que não pára de dizer ‘quero o teu cu, quero o teu cu! Qual babuíno histérico à beira do Apocalipse”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 119120

 

Basta pensarmos no cardeal patriarca de Lisboa, na Paris Hilton, no Paulo Portas e no Montazer Al-Zaidi (1) para termos a dimensão de como a humanidade é gigantesco mosaico de gentes com gostos, costumes, crenças e prazeres diversos.

A autora olha para o sexo anal com aquela negligência blasé que eu dispenso ao marisco. Pratica-o, de quando em vez, em dias de festa, para desenjoar e ser simpática – e talvez também para evitar a apocalíptica cena de ter de aturar o seu parceiro a uivar “quero o teu cu, quero o teu cu”, reivindicação que imediatamente passa a ser conhecimento de todo o prédio, pois, como toda a gente sabe, a insonorização é muito deficiente na maioria dos prédios.

Há mulheres, como a autora, que encara o sexo anal da mesma maneira que eu olho para um prato de camarões -  estão em cima da mesa?, marcham!, mas estão longe de ser o meu petisco favorito e se estou num restaurante não tomo a iniciativa de os encomendar.

Há também mulheres que adoptam face ao sexo anal a mesma atitude intransigente que eu reservo à lampreia – não lhe toco, nunca provei, sou agnóstico, não como, nem comerei, apesar de acreditar que seja um manjar magnífico, como o juram muitos amigos meus.

Mas há ainda uma terceira categoria de mulheres que olham para o sexo anal como eu para o polvo com molho verde (salsa e cebola picadas em molho de azeite com um pouco de vinagre), que é o meu prato preferido e sou capaz de comer ao almoço e ao jantar.

……………….

(1) Para os mais distraídos esclareço tratar-se do jornalista iraquiano que tentou, sem sucesso, atingir a cabeça de Bush com os seus sapatos, ao mesmo tempo que dizia em árabe: “Este é o teu beijo de despedida, seu cão”

 

música: I'll be back, Beatles
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Uma nova abordagem à questão do sexo anal

“O que é melhor: sexo oral ou sexo anal? (…) É suposto defender a tese de que todas as meninas e senhoras são como las muchachas da pornochanchada e que gostam de uma boa marretada no rabiosque. Ora eu cá acho que é tudo encenação.

Ninguém, em seu bom juízo, gosta de levar com um ‘termómetro’ – ainda por cima são XXL! – daqueles pelo rabiosque acima e ainda por cima sem indicação médica. Se elas reviram os olhos? Ah, pois claro, mas é de verem estrelas e não é de prazer é de dor!”

Sete anos de mau sexo, Ana Anes, página 119

São muitos os teóricos que se declaram ardorosos defensores do sexo anal.  Na "Breve História das Nádegas", de Jean Luc Henning (edições Terramar, 184 páginas), é citado o seguinte satírico do século XVII:

“Deus fez a cona

ogiva enorme

para os cristãos

e o cu

abóboda cheia e disforme

para os pagãos”

Como há cada vez menos gente a ir à missa compreende-se que seja cada vez maior o número de homens que se propõem aceder também pela ré ao interior da mulher desejada.

O Marquês de Sade era um fervoroso adepto dessa prática, argumentando em sua defesa que essa era a via mais adequada, uma vez que a secção cilíndrica do esfíncter anal coincidia com o formato, também ele cilíndrico, do órgão sexual masculino.

Apesar reconhecer alguma lógica a este argumento do marquês, não posso deixar de contrapor que o orifício traseiro carece de lubrificação externa, enquanto que o da proa vem apetrechado de origem com um sistema próprio e autónomo de lubrificação.

Acredito que, por isso, a prática do sexo anal deve ser objecto de preparativos especiais, pelo que desaconselho todas as tentativas de o tentar conseguir à má fila.

Cláudia é arrombada pela ré, no cinema, por um desconhecido, perante o olhar atónito do seu marido Aleardo, em Clic, de Milo Manara. Reparem que o perverso dr. Fez teve de por o seu malvado aparelho no máximo, para a penetração deixar de doer

música: Utopia, Trovante
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Por que é que os homens portugueses são obcecados pelo sexo anal?

 

É com muito gosto que vos anuncio a inauguração do Consultório Sexual do blogue Roupa para Lavar. Saiba por que é que os homens se socorrem do truque do busto de Napoleão quando o que querem realmente é entrar no ânus da parceira!

 

A minha ideia inicial era integrar no Sunday Post o consultório sexual que hoje se estreia.  Depois mudei de ideias. O que é bom porque, como em devido tempo notou o nosso preclaro amigo Mário Soares, só os burros não mudam de ideias.

 

Presumi que a imensa transcendência dos assuntos que serão escalpelizados neste consultório, obriga a ter um espaço e um dia dedicados. Estou a pensar em fixar a sua publicação algures entre a quinta  à noite e a sexta de manhã. Será, pois, um aperitivo para o fim-de-semana, espaço privilegiado de lazer e tempo livre em que poderão amanhecer nas cabecinhas adoráveis das preclaras e preclaros as questões a serem aqui abordadas.

 

Numa vã tentativa de emprestar a este blogue uma patine de dignidade e classe, vou dotar este consultório sexual do seguinte Estatuto Editorial:

 

Prometemos dizer o que nos aprouver e sobretudo, quando nos aprouver. Sempre com a dignidade que os assuntos de sexo merecem.

 

(desde já aviso os mais distraídos que o presente estatuto editorial foi copiado, apenas com uma ligeira adaptação, do estatuto editorial do recém nascido Jornalismo de Sarjeta, um blogue com imenso potencial, da superior autoria da minha colega e Editora da Política Cristina Figueiredo).

 

A distinta Freudiana pergunta:

 

Por que é que os homens portugueses são obcecados pelo sexo anal?

 

As mulheres vêm equipadas de origem com três aberturas ao exterior, de primeira classe. A saber: boca, pipi e ânus. Por não serem chamados ao caso (recusarei sempre deter-me em práticas que considero aberrantes) não incluo nesta abordagem os orifícios menores, como ouvidos, narinas e o umbigo, que, como todos sabem, é um beco sem saída e habitualmente desprovido da mínima massa crítica do ponto de vista da profundidade (apenas serve para acumular cotão e/ou para enfeitar com piercings).

 

O pipi é a única abertura especificamente feminina. Daí a sua extraordinária relevância.

 

É pelo pipi que entra o porta aviões que lança os espermatozóides em direcção ao útero feminino.

 

É pelo pipi que saem (excepção feita à cesariana) os frutos do suave milagre da fecundação do ovário pelo campeão olímpico da multidão de espermatozóides.

 

É ainda no âmbito geográfico do pipi (compreendido pelas suas bordas e interior) que se desenrola o essencial da relação sexual canónica.

 

Sintetizando, o pipi acumula as duas valências nucleares. É a fábrica de bebés por excelência. E é a fábrica líder na produção de prazer para toda a Humanidade.

 

Chegados a esta importante conclusão, não resisto a pôr-me de pé, em homenagem a todos os pipis do Mundo, presentes, passados e vindouros. E incito todos as preclaras e preclaros a fazerem o mesmo, e a acompanharem-me na entoação sentida de duas singelas palavras de ordem:

 

Viva o pipi!

 

Longa vida ao pipi!

 

Todavia, o que a Freudiana pergunta não tem directamente a ver com o pipi, mas antes com uma das outras duas aberturas de primeira classe que o homem e a mulher têm em comum: boca e ânus.

 

A boca o ânus estão correlacionados, apesar de se localizarem em duas extremidades opostas. A propósito, acho por bem partilhar com as preclaras e preclaros um dos mais criativos insultos que ouvi na vida: «Estás a falar, ou tão só a fazer corrente de ar com o olho do cu?».

 

Para lém da fala, a boca é usada primariamente para a ingestão de alimentos e bebidas. Mas, como é do domínio geral, tem um uso marginal no domínio das relações sexuais. Estou a falar do sexo oral - do «fellatio» (também conhecido em português como uma peça de ourivesaria) , e não da conversa sobre sexo (que também é uma boa prática, mas não vem agora para o caso).  

 

O ânus tem como função primordial a evacuação de gases e restos mortais de alimentos (empacotados sob um formato próximo das alheiras) rejeitados pelo exigente aparelho digestivo. Ora além de servir de esgoto interno, o ânus pode também ser usado como um local de prazer sexual.

 

Temos, portanto, que boca e ânus têm um papel a desempenhar nas relações sexuais. Exclusivo, quando de trata de relações homossexuais masculinas. Subsidiário, no caso da relação heterossexual.

 

A prática de sexo oral é mais consensual do que a do sexo anal. Em primeiro lugar, porque há sempre uma diferença abissal entre o diâmetro das duas aberturas. Em segundo lugar, porque as pessoas estão habituadas a meter coisa pela boca dentro, não tendo, por norma, o mesmo hábito relativamente ao ânus.

 

A prática do sexo anal não é uma modernice. Jean Luc Henning, na essencial «Breve História das Nádegas» (ed. Terramar, 184 págs) cita um curto mas elucidativo verso de um satírico setecentista:

 

«Deus fez a cona

ogiva enorme

para os cristãos

 

E o cu

abóboda cheia e disforme

para os pagãos»

 

Uma tese complementar é defendida pelo Marquês de Sade que na sua obra seminal «Filosofia na Alcova».

 

Defende o marquês, um sodomita encartado, que a garagem mais apropriada para o instrumento sexual masculino é a o ânus, justificando esta tese no facto de ambos (pila e olho do cu) possuírem o mesmo tipo de secção cilíndrica e por isso se encaixarem na perfeição.

 

Sade parte daqui para a a ousada afirmação de que a relação contra-natura não é a anal mas antes a vaginal.

 

Como é bom de ver, a tese inovadora e criativa de Sade não obteve acolhimento junto dos fazedores de doutrina da Santa Madre Igreja.

 

A apetência masculina pelo sexo anal não é por isso exclusiva dos homens portugueses nem é fruto do desvario de costumes da sociedade contemporânea. A pulsão pela sodomia é ancestral, mergulhando as suas raízes nos tempos.

 

Não obstante, o problema levantado pela Freudiana é real. Os portugueses ambicionam praticar sexo anal com as suas parceiras e numa boa maioria dos casos essa pretensão é-lhes negada.

.

Esta negação feminina está na origem daquela que eu considero uma das secas histórias do vasto e rico anedotário nacional: a do busto do Napoleão (há quem a conte referindo Beethoven). Como penso que ela é do conhecimento geral, dispenso-me de a contar, limitando-me a chamar a atenção para a necessidade desesperada do macho de arranjar um pretexto para introduzir (salvo seja, isso queria ele) na conversa um temática que ele sabe de antemão é pouco popular para a sua parceira.

 

Sabemos que o prazer sexual se obtém a partir de bases diferentes, consoante se trata do homem ou da mulher. 

 

A mulher acolhe no seu interior o órgão sexual masculino. O homem entra (penetra) no corpo da mulher. Ele tem prazer em dar. Ela em receber.

 

Neste sentido, acho natural que nós, homens, tenhamos vontade de tomar por atacado todas as aberturas disponíveis. Em experimentá-las a todas. A pulsão de navegar todos os mares disponíveis. De os conquistar a todos!

 

A relutância feminina relativamente ao sexo anal é no meu entender da única e exclusiva responsabilidade masculina.

 

Nós, os homens, somos, por norma, um pouco desleixados nos preparativos. Temos a terrível e inata tendência para negligenciar a suprema importância dos preliminares, e tentar ir logo direito ao assunto. Somos apressados. Queremos entrar o mais depressa possível. Está mal.

 

Em quase todas as esferas da vida (a corrida de 100 metros no atletismo está obviamente excluída deste rol), a pressa é inimiga do óptimo. 

 

A entrada na boca, larga e cheia de saliva, e no pipi (lubrificado) não é por norma dolorosa. Já o mesmo não se poderá dizer do ânus, principalmente se não estiver a ser usado também como porta de entrada. As dimensões reduzidas deste orifício são habitualmente abordadas por nós, homens, à bruta, sem o prévio uso de lubrificação, o que causa dor e e origina a rejeição desta prática pelas nossas parceiras.

 

Esta rejeição gera o efeito de fruto proibido, aumentando a obsessão dos homens português pelo sexo anal.

 

Qual é a solução, perguntará a Freudiana. Paciência. Muita paciência do homem. E disponibilidade ad mulher para aceitar repetir uma experiência que no passado foi dolorosa e traumatizante.

 

O sexo anal não deverá ser o primeiro mas sim o último acto da relação sexual, quando a parceira já estiver bastante descontraída por um ou mais orgasmos. E a entrada deve ser precedida de carinhos e cuidados diversos que proporcionem uma espécie de anestesia local.  Os preparativos podem incluir o uso de lubrificantes (a boa e velha vaselina é uma amiga a ter à mão) que acentue a elasticidade evidenciada pelo ânus na sua função evacuadora.

 

…………………………..

 

PS. Com este «post» já vai longo e penso que há aqui pano para mangas para uma animada discussão, deixo para uma nova oportunidade a pergunta sobre o toque retal levantada pela chérie Magri. Peço-lhe desculpa por não responder já, mas garanto-lhe que não ficará sem resposta.

 

As ilustrações foram tomadas de empréstimo à «História de O», de Guido Crepax, Marginália Editora 172 páginas, 16 euros

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publicado por Jorge Fiel às 12:52
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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