Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Ir a S. Petersburgo e não beber vodka

 

Na minha casa, no Porto, tenho sempre generosas quantidades de boa vodka polaca no congelador, cortesia do Fernando, o meu primo que está emigrado em Cracóvia e me estraga com mimos. Gosto de vodka, que consumo moderadamente. As únicas bebidas que sou capaz de consumir sem moderação é água, chá gelado, espumantes brutos e vinho.

Gosto de vodka que (não sei se já vos disse…) consumo moderadamente, ao contrário do que acontece com o uísque, brandy e cognac que só bebo quando o rei faz anos - não sei que rei, ainda tenho de tirar isso a fonte limpa, talvez seja o Gustavo da Suécia, marido da Silvia, pai da Vitória e sogro daquele professor de ginástica com ar de serial killer.

É precisamente por apreciar uma vodka bem gelada, baptizada com um ou duas gotas de limão, que consumo moderadamente (vocês julgam que eu sou um bêbado tipo Boris Ielstin ou quê?!?), que dei por mim a pensar ser um pouco estranho ter passado sete dias em S. Petersburgo sem tocar com os lábios num copo de vodka.

Por junto e atacado, no capitulo do álcool, bebi dois copos de uma razoável cerveja local (Boyka) e uma data de copos de bons vinhos e espumantes portugueses durante os dois jantares em que participei com os produtores de vinho presentes na Portugal Market Week – o evento que em boa hora me trouxe até à cidade de Pedro, o Grande.

Não toquei na vodka russa com os lábios mas confesso ter-lhe tocado com as mãos, os dedos e os olhos, durante uma visita guiada que me foi proporcionada pelo Leonid Gelibterman, presidente da secção russa do International Center of Wine and Gastronomy, ao imenso corredor dedicado, de ambos os lados, a esta bebida no hipermercado O’ken, na periferia de S.Petersburgo, que me deixou com a vaga ideia que a Diplomat seria uma boa opção, no critério qualidade/preço que dita as nossas compras, se não se desse o caso de eu suspeitar que já não tinha espaço para garrafas na minha mala – e de, ainda por cima, ter em casa um stock apreciável, quer do ponto de vista de qualidade quer de quantidade.

Uma reflexão mais aprofundada sobre a momentosa e candente matéria de me ter abstido de beber vodka durante a minha recente estadia russa permitiu-me concluir que provavelmente isso de se deve à permanência no meu carácter de resquícios da rebeldia que marcou boa parte da vida adulto.

Gosto de romper com os convencionalismos. È por isso que estive em S. Petersburgo e não bebi vodka, que estive duas vezes em Berlim e não comi as famosas bolas locais, que estive duas vezes em Las Vegas e nunca joguei. E, a bem dizer, da última vez que fui a Roma, investi a manhã de domingo no Vaticano, mas estava tanta gente na praça de S. Pedro que não posso jurar que tenha mesmo conseguido vislumbrar o papa na janela.

publicado por Jorge Fiel às 18:48
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

Devaneio sobre o tempo a importância dos cafés

 

Os cafés são peças essenciais no processo de conhecimento de uma cidade. Por muito bem que se tenha planificado o dia, é sempre preciso fazer correcções de rota e nada melhor do que a mesa de um café para, calma e confortavelmente, abrir o guia, espalhar o mapa, repensar trajectos, escrever novas cábulas, escolher o transporte público mais adequado para nos levar a um ponto de partida.

Sendo que os intervalos para café também permite descansar as pernas (que nestes casos sofrem sempre muito) e despertar os sentidos, ao beber o café propriamente dito – que ajuda a espantar o sono, pois ninguém, no seu perfeito juízo viaja até S. Petersburgo para desperdiçar 1/3 do dia na cama a dormir.

O café também é um refúgio a considerar em caso de mau tempo, querendo eu significar por mau tempo condições meteorológicas que prejudicam seriamente o passeio, como chuva inclemente (por contraste com a morrinha ou chuva molha tolos) ou temperaturas abaixo dos cinco graus negativos ou superiores a 35º C.

O tempo aqui em S. Petersburgo tem-se comportado bem. O sol sorriu durante todo o fim de semana, que esteve aceitavelmente frio (entre os 5º C e os zero). Segunda e terça apresentaram-se cinzentas mas sem chuva, e com uma ligeira subida de temperatura, que me possibilitou passear com o encerado Barbour desabotoado. Quarta de manhã choveu e até nevou (curioso nevar em Outubro), se bem que ligeiramente, mas à tarde a coisa compôs-se. Hoje está cinzento, céu fechado, mas está morno e não ameaça chuva.

Apesar de S. Petersburgo ser um porto com acesso ao Báltico, através do Golfo da Finlândia, a Starbucks ainda (?) não desembarcou aqui mas há uma cadeia local de cafés, identificável através do logo da foto que abre este post, com características em tudo semelhantes.

O café expresso não é barato (109 rublos, ou seja, quase dois euros e meio, mais do que cobra o Majestic) mas o ambiente é clean, há net wifi e deixam o cliente sossegado o tempo que quiser e a fazer o que quiser – seja a escrever crónicas, posts e postais ilustrados (como é o meu caso) seja a dar linguados tão intensos que a miúda até pode engravidar – como é o caso dos namorados que ocupam a mesa ao lado da minha – e que eu não tive lata para os fotografar.

publicado por Jorge Fiel às 13:41
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

A Natacha é uma mosquinha morta

 

A Natacha é daquelas raparigas simpáticas, razoavelmente bem parecidas, mas que não me fala a nenhuma parte da anatomia. Falta-lhe aquele je ne sais pas quoi!

O aspecto geral e modos delas são correctos, não o posso negar, mas a verdade é que não me entusiasma os sentidos. É um pãozinho sem sal , bonitinha, mas uma mosquinha morta que nunca conseguiu salientar-se no meio do grupo de cinco moças com que travei conhecimento no sábado passado, na secção de lingerie do Gostinniy Dvor. Nem cheguei a perceber o que ela faz para ganhar a vida - fiquei com um ideia vaga de que trabalha a fazer não sei bem o quê, calclulo que um trabalho de escritório, na Vodafone.

A Natacha deve ser uma excelente rapariga, boa esposa, mãe competente e, com toda a certeza, um magnífica dona de casa, mas não me entusiasma, essa é que é essa.

Eu sei que as aparências iludem e estou a falar do que não conheço, mas era capaz de jurar que a Natacha não é mulher para despertar um vulcão adormecido - e pô-lo a jorrar lava.

 

 

publicado por Jorge Fiel às 23:03
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Pedro, um dentista amador com a mania das grandezas

 

Pedro, o Grande. Catarina, a Grande. Moscovo, 15 milhões de habitantes. Leninegrado (a região de S. Petersburgo ainda se chama assim), cinco milhões de habitantes. Os russos -  o povo que mais álcool e carne consome à face da Terra -  são uns incorrigíveis exagerados que têm a mania das grandezas.

Sei perfeitamente que os nossos reis também tinham as suas idiossincrasias. Não vamos mais longe, o nosso D. Pedro, o liberal, era um tipo impecável, que deixou ao Porto um título (mui nobre, invicta e sempre leal) e o seu coração (guardado na igreja da Lapa), mas tinha a fraqueza de adorar mijar do alto da varanda do palácio imperial, no Brasil, por cima dos seus súbditos.

Pedro, o Grande, também tinha a mania das grandezas. Obviamente. Essa mania revelou-se publicamente, com o projecto de arranjar uma saída da Rússia para o Báltico com a fundação de S. Petersburgo, um cidade erguida a partir do nada, em terrenos pantanosos e assente em estacas de madeiras – e também dos ossos dos 40 mil trabalhadores suecos e prisioneiros políticos que morreram durante a empreitada.

A mania das grandezas de Pedro, o Grande, também se manifestou em privado, como se percebe quando se sabe que contratou para criado pessoal um gigante de 2m27 (cujo esqueleto e coração fazem parte da colecção do museu de antropologia Kunstkummer, a par de outras excentricidades como frascos com gémeos siameses e uma ovelha com duas cabeças), se divertia à ganância com as bodas de anões organizadas pelo seu particular amigo o príncipe Menshikov e arrancar dentes aos seus desprevenidos súbditos.

publicado por Jorge Fiel às 22:57
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Eu e a Svetlana não fomos feitos um para o outro

 

Esta é a Svetlana, uma das cinco amigas que fiz na secção de lingerie do department store  Gostinnyi Dvor, sábado passado.

Só Deus, Buda, Alá e mais  um grupo restrito e seleccionado de outros deuses sabem a enorme dificuldade que tenho em resistir a uma mulher atraente de cabelo curto.

Ainda por cima a Svetlana, apesar do nariz demasiado perfeito e simétrico para o meu gosto, teimava em olhar-me com os lábios prometedoramente entreabertos, o que só a devia colocar num patamar muito próximo da irresistibilidade. No entanto, um ruído, que não consegui identificar à primeira, perturbava o estabelecimento de química entre nós.

Primeiro pensei que a culpa era da cor improvável que ela usava no cabelo – sem dúvida inexistente na Natureza e que não rimava com a cor das sobrancelhas.

Depois atribuí a responsabilidade da ausência de faísca à parola e levemente enjoativa ondulação do seu cabelo.

Finalmente concluí que todas essas coisas não passavam de minudências e que não era possível encontrar palavras para explicar o inexplicável. Decididamente o amor é uma chama que arde sem se ver e era notório que entre nós não havia chama. Eu e a Svetlana não fomos feitos um para o outro.

 

publicado por Jorge Fiel às 22:45
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Sábado, 15 de Outubro de 2011

Eu a minha flora intestinal gostamos de kefir de cabra

 

Empanturrei-me ao pequeno almoço (a foto que abre este post é da sala em que ele é servido) com kefir de leite de cabra, uma espécie de iogurte de origem caucasiana, de que quer eu quer a minha flora intestinal gostamos muito. O kefir pode ser consumido a solo, como aconteceu hoje comigo, ou misturado com fruta, uma variante que também aprecio muito e vai ser a minha escolha para amanhã.

Satisfaz-me bastante o pequeno almoço bufett nos hotéis, principalmente se acordamos bem dormidos e se fomos frugais no jantar da véspera. Dito por outras palavras, hoje verificava-se um alinhamento de estrelas favorável a que o meu pequeno almoço corresse lindamente – o que aconteceu, tanto mais que tomei com frieza e serenidade as opções correctas, ou seja cortar o jejum com um sumo de tomate (resisti à tentação de lhe adicionar duas gotas de tabasco que estava ali mesmo à mão de semear), continuando depois a acompanhar a refeição com sumo de toranja.

Em respeito pela verdade devo dizer que o kefir estava bom e correcto, mas não chegava sequer aos calcanhares do que tive o prazer de comer, tendo como banda sonora um concerto a solo de uma harpista, na esplendorosa sala de refeições do Metropol, em Moscovo, durante a minha primeira viagem ao ex-país dos sovietes.   

 

publicado por Jorge Fiel às 22:04
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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