Sábado, 20 de Dezembro de 2008

Papel de jornal: uma solução que tem tanto de ecológica e económica como de desconfortável

 

Quando era miúdo, não era raro as folhas macias do papel higiénico serem substituídas por papel de jornal.

Tratava-se de uma solução que tinha tanto de ecológica e económica como de desconfortável.

À época, os jornais usavam tintas baratas, empanturradas de produtos tóxicos susceptíveis de provocar arreliadoras irritabilidades no buraquinho (1) e, quem sabe?, induzir desagradáveis crises de hemorroidal.

Acresce que, no dealbar da década de 60, os jornais eram impressos em papel de fraquíssima qualidade, com uma rugosidade que desaconselhava a sua utilização com sucedâneo do papel higiénico – se ainda fosse o papel branco premium do Expresso…

Já ontem tive oportunidade de elencar sumariamente alguns dos usos domésticos legais que os jornais podem ter depois de esgotado o seu prazo de validade. A saber:

a)     Colocados entre o nosso corpinho e roupa molhada não só aquecem como previnem constipações, gripes, pneumonias e broncopneumonias;

 

b)    Amarrotados, por forma a encher por completo o interior de sapatos encharcados, ajudam a que eles sequem mais rapidamente e não fiquem deformados;

 

c)     São um precioso auxiliar das pinhas e acendalhas na sempre ingrata tarefa de acender uma lareira.

Se espremesse um pouco mais as meninges, estou certo que poderia alongar esta lista.

Mas acho desaconselhável e pindérico usar folhas de papel de jornal (salvaguardo, como possível excepção, o Expresso, devido à elevada qualidade do seu papel)  a fazerem as vezes de papel higiénico. a não ser em situações de óbvia emergência - em tempo de guerra não se limpam as armas, mas isso não pode servir de desculpa para andar com o cuzinho badalhoco.

Na hora de limpar o rabo há que ter a coragem e a frontalidade de dizer Não a soluções cripto-proletárias, como o papel de jornal, ou tardo-aristocráticas, como o papel higiénico preto da Renova.

O papel higiénico branco, folha dupla e macio, do Pingo Doce, é uma opção certa, e ao alcance de todas as bolsas, para fechar com chave de ouro uma boa cagadela.

 

PS. A imagem que ilustra este post é de uma instalação (Jorge Fiel, 8h48, 20 Dezembro 2008, Pasteleira ) que tem como elemento central um monte constituído por 1080 quadradinhos de papel de jornal - com a dimensão aproximada de nove por onze centímetros (o quadrado de papel higiénico marca branca do Pingo Doce, que se pode ver na imagem, é 9,3 cm por 11,5 cm)  - fabricado a partir dos dois cadernos (40 páginas do primeiro caderno, 32 do de Economia) broadsheet da edição do Expresso de 13 Dezembro de 2008, ainda sem Ricardo Costa (que nas vésperas de ser extraído da Sic assinou um artigo no Diário Económico considerando escandalosa a intervenção estatal para salvar o Banco Privado, onde, por acaso, Balsemão tem a sua fortuna) no cabeçalho, e que anuncia Carrilho da Graça como vencedor do Prémio Pessoa e o sorteio de 4 Toyotas iQ pelos leitores do Expresso. O autor (eu próprio) está a analisar a possibilidade de ligar ao João Fernandes e doar esta instalação (excluindo o portátil LG) à colecção permanente da Fundação de Serralves.
 
.....................................................................  

(1) Este diminutivo é literal, ou seja não e carinhoso, excluindo à partida o diâmetro mais avantajado do ânus gays.

 

música: Otherside, Red Hot Chili Peppers
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Zimler e Santos Silva concordam na avaliação da importância do asseio das casas de banho públicas

O estado de limpeza das casas de banho públicas é um barómetro quase infalível do estádio de desenvolvimento de uma nação – da mesma maneira que o tempo que os seus cidadãos demoram a instalar-se num avião diz muito sobre a sua educação.

Picuinhas, mas fino observador e senhor de uma inquestionável inteligência, o banqueiro Artur Santos Silva confidenciou-me um dia que o asseio da primeira casa de banho pública a que recorre tem uma importância na imagem com que um turista fica do país que visita.

O fundador do BPI está coberto de razão e tive a oportunidade de confirmar a arguta pertinência deste comentário quando, há coisa de um mês, almocei na Tavi (café da rua Senhora da Luz, na Foz Velha, cuja esplanada é altamente recomendável) com o escritor Richard Zimler.

Judeu de Nova Iorque, especialista em estudo comparado das regiões e ex-jornalista, Zimler vivia em S. Francisco quando se apaixonou pelo cientista português Alexandre Quintanilha.

Foi por amor, que ele atravessou o Atlântico para se instalar com armas e bagagens no Porto, no dealbar dos anos 90, quando o nosso país balbuciava os seus primeiros passos como filho adoptivo no seio da próspera e educada família da CEE.

Vindo de fora, as suas primeiras impressões sobre o Porto revelaram-se devastadoras, sendo que um dos maiores motivos de queixa se prendia com a falta de higiene (e de papel higiénico!) nas casas de banho públicas, que o levaram a precaver-se.

Just in case, antes de se movimentar pela cidade, Zimler apetrechava-se sempre com uma reserva pessoal de papel higiénico. Felizmente, os tempos e os hábitos mudaram, e ele já dispensa esta cautela.

 

música: Eyes without a face, Billy Idol
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Do rolo de papel higiénico da paneleira de Álvaro Cunhal ao soldado que queria ir em cima dos pés

O que transportava Álvaro Cunhal na paneleira, que fielmente o acompanhou durante os últimos anos da sua vida pública, é um dos mistérios que envolvem a mítica figura do líder comunista a que nem a pantagruélica e inacabada biografia da autoria do José Pacheco Pereira logrou dar resposta.

O meu preclaro amigo Carlos Magno Castanheira (UEC na sua alta juventude, quando debutou nas letras publicando nas colunas do alinhado jornal Opinião) reivindica ser o Hercule Poirot que desvendou este intrincado mistério.

Jura o Carlos que Cunhal era um homem prevenido (valendo, assim, por dois)  e por isso fazia questão de ter sempre à mão um rolo de papel higiénico, para o que desse e viesse, que protegia da curiosidade alheia agasalhando-o no interior da dita paneleira.

Estou tentado a acreditar nesta versão, apesar do preclaro Magno ter estabelecido, nos meios políticos e jornalísticos, a sólida reputação de não resistir a colorir a realidade e de, frequentemente, revelar uma enorme dificuldade em descortinar com rigor a ténue linha que a separa da ficção.

Fazer-se acompanhar de um rolo de papel higiénico seria uma cautela que Cunhal teria ganho nos austeros tempos da clandestinidade, em que ele, por várias centenas de vezes (calculo eu!), se terá visto na contingência de se aliviar ao ar livre, no mato, escondido atrás de umas moitas.

A propósito do uso de paisagens naturais, não edificadas, para proceder à evacuação dos intestinos, recordo com saudade um dos primeiros mistérios semânticos que tive de ultrapassar durante o ano que durou a minha estadia de um ano, como asp.of.mil. cubano, no 19 (a alcunha do Regimento de Infantaria do Funchal).

Logo na minha primeira semana, um dos soldados do meu pelotão dirigiu-se-me respeitosamente solicitando autorização para, passo a citar, “ir em cima dos pés”.

Sim, o que ele queria mesmo era cagar. Ou, se preferirem, com a devida vénia ao dicionário da Porto Editora, “expelir naturalmente os excrementos pelo ânus”.

 

música: At seventeen, Janis Jan
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

Um teste inesperado ao papel higiénico preto da Renova

 

Uma ruptura no stock doméstico de papel higiénico obrigou-me a abrir um «pack» de três rolos do preto, da Renova, que por graçola comprei no Verão passado, no supermercado Sá do Campo Pequieno, e que de então permanecera guardado no armário do quarto do meu filho João.

 

Por norma abasteço-me de papel higiénico no Lidl ou no Pingo Doce, onde o de folha dupla, branco e de marca branca, se tem revelado mais do que satisfatório e adequado às necessidades.  

 

Esteticamente, o papel higiénico preto da Renova e inatacável. Confere um toque de classe a qualquer casa de banho. Fica bem em qualquer lado, até tendo como fundo os azulejos amarelo limão da minha casa de banho.

 

Em resumo, plasticamente falando, o preto da Renova é cinco estrelas. Agrada obviamente aos olhos.

 

Já no que concerne ao desempenho propriamente dito, deixa um pouco a desejar. É macio e resistente, cumprindo assim dois dos três requisitos básicos. Mas falha no terceiro, já que atendendo à sua cor não é claro o momento em que já não é necessário insistir porque a operação de limpeza está concluída.

 

Dito por outras palavras, o papel higiénico preto da Renova agrada aos olhos, em geral, e a olho em particular, mas confunde o olhar. 

 

publicado por Jorge Fiel às 17:38
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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