Quinta-feira, 9 de Setembro de 2010

Cadeira com vista para a ponte de Brooklyn

Há cidades, como Los Angeles, em que uma pessoa se cansa de andar de carro, ao ponto de ter arranjado uma dor passageira no músculo sartorial da perna esquerda, devido às horas em que guiei com ela preguiçosamente recolhida (a perna esquerda dos europeus está habituada a trabalhar na embraiagem).

Há cidades, como Nova Iorque, em que uma pessoa se cansa de tanto andar a pé – na rua e nos corredores da estação de metro. Nestes casos, é fundamental estar equipado com uma lista de locais refúgio para descansar. Acho que os Starbucks foram inventados exactamente para dar resposta a esta necessidade nos dias frios.

Central Park excluído, o meu sítio preferido para esticar as pernas em Manhattan são as cadeiras tipo deck chair do último andar do Pier 17, em South Street Seaport, de onde se desfruta de uma vista privilegiada da ponte de Brooklyn – que pode não ser a mais bonita do mundo (a da Arrábida e Maria Pia têm lugar no top ten) mas é, com quase toda a certeza, a mais famosa.

Sinto-me muito mais importante do que o que realmente sou quando estou refastelado numa dessas cadeiras, descalço, com uma pint de Samuel Adams ao lado no chão, a ler um interessante artigo sobre os ácaros no caderno Science do New York, e dando de ve em quando umas espreitadelas á ponte.

O único inconveniente das cadeiras da varanda do Pier 17 é estarem atarrachadas ao chão, o que além de dificultar o acto de as roubar também impede o acto de as mudar para a sombra, quando estão expostas a um sol inclemente (ou vice-versa, quando está a começar a ficar frio).

música: New York New York, Frank Sinatra
publicado por Jorge Fiel às 18:14
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Recordar uma ida ao Mc Sorley’s para elogiar as vantagens de ser diferente neste mundo global

Passei uma enorme vergonha a primeira vez que entrei no McSorley’s Old Ale House, o bar da East Village que é um pedaço da Nova Iorque do século XIX que logrou chegar intacto até aos nossos dias.

 

Éramos dois e foi há uma boa dúzia de anos. Sentamo-nos numa mesa redonda de madeira, que tal como o balcão, o restante mobiliário, as fotografias e recortes que cobrem as paredes, e a serradura que cobre o chão parecem estar na casa desde a sua inauguração, no já remoto ano de 1854. Ligeiramente intimidados pelo mergulho no passado, chamamos o «garçon» e encomendamos duas cervejas.

 

Não demorou muito até que aterrassem na nossa mesa oito (oito!) canecas de uma cerveja escura, produzida artesanalmente numa pequena fábrica instalada nas traseiras do bar.

 

Devia ser engano. Nós éramos dois. Tínhamos encomendado duas canecas de cerveja, não oito. Imperturbável, o «garçon» acabou o desembarque da armada de canecas, ignorando com sobranceria os meus protestos, numa atitude que mais tarde vim a saber ser uma marca distintiva da casa, que lhe vale ser conhecida por McSurly’s (McGrosseiro) pela clientela habitual.

 

Concluída a manobra, o «garçon» explicou que não, não havia engano, limitando-se a deixar cair a informação de que estávamos na «happy hour». Não me fiquei. Respondi-lhe que se bebêssemos aquelas canecas todas éramos nós que iríamos ficar felizes e solicitei-lhe mais explicações. Sem sucesso. Virou-me as costas e foi atender outra mesa.

 

Numa posterior visita ao McSorley’s (15 East 7th Street, no coração de Little Ukraine), investiguei o assunto. Neste bar da East Village encomenda-se uma cerveja e trazem-nos duas canecas. É a regra, o formato. E na «happy hour» (das 15h00 às 17h00, se não estou em erro), o pedido é duplicado sem encargos para o cliente. Estava resolvido o mistério da multiplicação por quatro das canecas de cerveja.

 

Com um ambiente que nos transporta ao século XIX, a serradura no chão, as madeiras tisnadas por milhares de litros de cervejas entornados descuidadamente, os barman e «garçons» mal humorados, a cerveja artesanal e a idiosincrasia das duas canecas de cada vez, o McSorley’s proporciona aos seus clientes uma experiência única. Por isso, passei a ser um seu cliente fiel (passe a redundância) e o recomendo a todos os meus amigos que vão a Nova Iorque.

 

Ser diferente, único, é uma enorme vantagem competitiva no mundo global.   

música: Viagem, Kaizen
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Terça-feira, 17 de Março de 2009

Nova Iorque é mais importante que um orgasmo

 

“Posso morrer porque amei e fui amada. Gostei de homens, de mulheres, de velhas (de velhos não), de bebés, de bichos, de plantas, de casas, de filmes, de concertos, de quadros, de teorias, de jogos, de pastéis de natas, de jesuítas, de russos, de hamburgers, de Paris e de Londres. Nunca fui a Nova York e gostava de ir, mas não me importo de morrer sem ter ido. Também nunca tive um orgasmo. Não me arrependo de nada. É claro que Nova York não se compara a um orgasmo. Um orgasmo é muito mais importante”

De “Irmã Barata, Irmã Batata”, de Adília Lopes

É verdade. Cá estou eu outra vez a viver à custa de uma gaja – desta vez de Adília Lopes, que, tudo leva a crer, possui uma experiência sexual bastante menos diversificada e reduzida do que a minha anterior musa (soi disant..) Ana Anes, a genial autora de Sete Anos de Mau Sexo, uma obra de referência que esteve algumas semanas em cartaz aqui na Lavandaria (e que, aviso desde já, ainda pode voltar sob a forma de mais um ou dois passatempos).

Devo à Pública ter-me apresentado a Adília Lopes, uma poeta (prefiro poeta a poetisa, espero não me levem a mal a liberdade) em que me iniciei no formato prosa, por via de crónicas deliciosas em que ela trinchava as grandes/pequenas coisas do nosso dia a dia.

A propósito, e entre parêntesis, lanço daqui a terrível maldição de sete anos de mau sexo por cima do/a editor/a da Pública que descontinuou (o verbo “descontinuar” é bem mais sexy que o “acabar”) a colaboração da Adília, privando-nos do acesso às suas peripécias e opiniões.

Voltando à vaca fria, neste caso o maravilhoso texto que abre este post, quer declarar a minha felicidade por a autora escrever (e, estou certo, sentir) a frase “não me arrependo de nada”.

Detesto arrependidos. Abomino frases que começam "se eu soubesse o que sei hoje…”. Pois se eu soubesse na passada sexta feira dia 13 o que sei hoje estaria milionário porque tinha ganho o Euromihões. Adília tem razão ao gritar em português o que a Edith Piaf cantou em francês, “Non, je ne regrette rien”!

Posto isto, quero manifestar uma pequena discordância, que se desculpa por a Adília estar a comparar duas coisas que não conhece (Nova Iorque e um orgasmo).

Pronunciando-me com o saber de experiência feito, parece-me que se a Adilia tivesse atravessado a pé a ponte de Brookliyn não escreveria com tanta certeza que um orgasmo é muito mais importante que Nova Iorque.

música: Não há estrelas no céu, Rui Veloso
publicado por Jorge Fiel às 18:08
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Saúdo com vigor e satisfação o anunciado desembarque da Starbucks na West Coast da Europa

 

Uma das melhores boas notícias que recebi neste ano que está a dar os seus primeiros passos é a de que a Starbucks vai desatar a abrir cafés em Portugal - já em 2008.

 

Sou um fã incondicional do conceito Starbucks. Passo a listar as coisas que em atraem nesta cadeia internacional de cafés nascida em Seattle (a cidade da chuva, Boeing, Anatomia de Grey e Microsoft) a par do «grunge».

 

1. A confortável decoração dos cafés, com mesas de formato variável e onde convivem diferentes tipos de cadeiras e sofás.

 

2. A agradável banda sonora, ao melhor estilo liberal («american way»), onde abundam a Joni Mitchell, Paul Simon, Sheryl Crowe e Lisa Loeb, «and so on».

 

3. A impagável liberdade de que desfrutamos. Podemos ocupar uma mesa durante um dia inteiro que nenhum empregado nos vai chatear, com palavras ou olhares. Em dias de chuva em Nova Iorque e em diferentes Starbucks, testemunhei as seguintes situações:

 

a) uma rapariga com ar de Sandrine Bonnaire  a dar uma explicação de francês a um negro norte-americano que durou mais de duas horas;

 

b) um casal de adolescentes americanos que se passou a manhã (já lá estavam quando eu cheguei e sobreviveram à minha partida) em jogos de cartas, entremeados por apaixonados exercícios de respiração boca a boca;

 

c) um vendedor de PPR a tentar convencer um renitente cliente simulando dezenas de situações no seu portátil  durante tanto tempo que a bateria acabou e teve de o ligar à corrente (fui-me embora sem saber o desfecho, mas apostaria em que não conseguiu vender nada);

 

4. O saboroso café Americano servido num copo enorme e com um pensamento bonito impresso. Como eu sou dado a exageros, fico feliz por poder beberricar durante mais de uma hora, enquanto leio um jornal ou planeio a tarde, um litro de café com menos cafeína que um expresso bem tirado.

 

Reconheço que os preços cobrados não são, em absoluto, baratos. Mas se tivermos em conta todo o estilo de vida que recebemos em troca do que pagamos, acho um magnífico negócio ser um cliente residente dos cafés Starbucks.  

 

Apenas uma pequena nuvem negra tolda o entusiasmo da notícia que anuncia o eminente e iminente desembarque desembarque da Starbucks na West Coast da Europa.

 

Portugal e Bulgária são os mercados onde a cadeia de Seattle vai entrar em 2008.  

 

No ranking da UE, há quatro países do alargamento (Eslováquia, Chipre, República Checa e Malta) que já nos deixaram para trás.

 

Bruxelas prevê ainda que este ano vamos ser ultrapassados pela Estónia. E adverte de que devemos ter muito cuidado porque o pelotão constituído pela Eslováquia, Hungria, Letónia e Lituânia aproxima-se a grande velocidade e já aparece no nosso espelho retrovisor.

 

No ranking Starbucks, estamos a par da Bulgária, que ocupa o segundo país mais pobre (apenas à frente da Roménia, onde foram filmadas as cenas da aldeia miserável do Borat). Que medo!

 

 

música: É pra amanhã, António Variações
publicado por Jorge Fiel às 11:46
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Uma prova em Nova Iorque da extraordinária utilidade dos jornais

 

Ao fim de semana não há nada melhor do que começar o dia com uma grande caminhada. Por isso, na manhã de sábado, atravessei o Central Park lateralmente, de Este (onde está o Days Inn) para oeste (onde fica a Museum Mile).

 

O branco da neve substituiu o verde. Muito bonito. Tão bonito que até deu para eu fazer uma fotografia artística (ora digam lá que não apreciam a natureza morta?! que captei em Central Park). O busílis reside no gelo fino que dissimula ardilosas poças de água.

 

Apesar de estar a escrever num suporte informático sinto-me na obrigação de sublinhar a enorme utilidade dos jornais em papel.

 

Por duas vezes, a atravessar a rua, meti a pata na poça. Ou, escrito talvez de uma forma mais elegante (se bem que um tudo nada barroca a mais para meu gosto!), mergulhei ambos os pés em poças de água, camufladas por traiçoeiras camadas de gelo. À primeira vista aparentam uma solidez de betão. Mas ocorre um naufrágio das extremidades na água gelada mal colocamos o pé em cima delas.

 

Tenho por hábito viajar sem calçado de «back up».  Compreendem então porque fiquei aflito quando senti que a água tinha ultrapassado sem cerimónia a pele das sapatilhas Nike e o algodão das meias pretas Calvin Klein (compradas o ano passado no 21 Century, em frente ao «Ground Zero, a  9.99 dólares a embalagem de três pares).

 

O que me valeu neste momento difícil da minah vida foi o USA Today. Sentei-me num banco. Descalcei-me. Guardei as meias encharcadas numa saca de plástico (são inimigos do ambiente mas utilíssimos numa viagem). Embrulhei os pés húmidos em folhas do segundo caderno Sports (todo dedicado ao arranque da época da Nascar). E voltei a calçar-me. Um conforto. O jornal evitou-me o mais que certo resfriado.

 

Não foi a primeira vez que fui salvo pelos jornais. Num belo dia de Abril, em 2004, saí do Porto, de manhãzinha, em mangas de camisa, em direcção à Corunha. O Porto estava primaveril. Na Corunha, 300 quilómetros a Norte, chovia e fazia frio. Encharcado e enregelado nas bancadas do Riazor (onde o FC Porto venceu o Depor e apurou-se para a final da Champions) usei um velho truque dos sem abrigo e forrei o corpo com os jornais que tinha levado para por a leitura em dia e matar o tempo até à hora do jogo. Foi remédio santo.

 

Sepulto hoje os diários americanos. Como tive de encaixotar três dias num só «post» optei por um redacção mais seca, ao estilo de relatório. Não tenho a  certeza de que gostem, mas o que tem de ser tem muita força (e ficam a sabre o que fiz e quanto gastei nestes dias, o que pdoe ser interessanet se forem bisbilhoteiros).

 

Estou de partida para Londres. De férias. Volto no próximo fim-de-semana. E garanto que depois vou ficar pelo menos dois meses seguidos em território nacional.

 

Hasta la vista!

 

 

SÁBADO, 17 FEVEREIRO

O meu deslumbramento pelo Café Sabarsky, da Neue Galerie

Pequeno almoço no café Sabarsky, na Neue Galerie (rua 86 com a 5ªAve). Excepcional.  Um «breakfast basket» (para aí umas dez fatias de diferentes tipos de pão e bolos), com frasquinho de compota, frasquinho de mel e bocado de manteiga, acompanhado por um chocolate quente e cremoso (há pelo menos 20 anos que não pedia um chocolate quente!), tudo por 13 dólares (deixei ficar dois dólares de gorjeta). O ambiente é fantástico. Recria o charme clássico e elegante de um café vienense (é o que eles dizem e eu acredito, apesar de nunca ter estado em Viena).  O truque para arranjar mesa é chegar antes das onze da manhã, a hora de abertura do museu. O café abre às nove. Absolutamente imperdiveis. Quer o café quer o museu. Estou apaixonado pelos pequenos museus, muito melhores para saborear que os mega, tipo Met ou Louvre. O cartão Press permitiu-me visitar sem pagar uma exposição de belos trabalhos decorativos do arquitecto austríaco Josef Hoffman. Da colecção da Neue Galeria fazem parte alguns Klimts estupendos, entre os quais o célebre Retrato de Adele Bloch-Bauer.

 

Fim da manhã no Guggenheim que está em obras. Já extraíram todas as camadas de tinta da fachada deixando o granito à mostra. A pedra, que apresenta fissuras, vai ser tratada.  Entrada gratuita (bendito cartão Press) na exposição de pintura espanhola de El Greco a Picasso.  É desconcertantemente bom ver quadros um retrato de Goya ao lado de um do Picasso. Também muito Zurbaran, Velásquez, Murillo, Gris e Dali. Na loja do museu, comprei para o meu filho João um pião que desenha com o bico (e que vem com bicos de várias cores). Custou dez dólares. Não foi barato.

 

Passeio à tarde na Union Square onde comprei,  no mercado de rua, três sumarentas maçãs starking por 1.40 dólares. Com uma mega loja da Virgin, outra da Staples e a um passo da Strand (a mais espectacular e barata livraria do Mundo),  a Union Square é, muito provavelmente, a minha praça favorita em Nova Iorque.

 

Na Strand demorei-me à vontade uma hora, mas não me tentei por nenhum livro. Comprei uma esferográfica e duas T Shirts (uma verde farmácia e outra bordeaux), tudo com o logo da livraria, por 9.20 dólares.

 

Conrinuei para Sul. A próxima paragem foi Canal Street, a pátria das contrafacções. Dez dólares (não regateei) por um relógio Frank Muller com pulseira cor de rosa e os números das horas coloridos. Vinte e três dólares (a licitação começou nos 35) por uma mala Dolce & Gabana preta com furinhos coloridos (muito fashion).

 

No caminho para a habitual romagem ao Dean & Deluca da Broadway com a Prince Street comprei para mim um pacote de três boxers Fruit & Loom, lisas e coloridas por 9.99 USD.

 

Café no piso de baixo da Grand Central Station (é impossível deixar de a visitar se se está em Nova Iorque) por dois dólares.

 

Jantar no Subway vizinho do meu hotel por 8.20 dólares. Como já não havia sandes de pastrami, variei de menu e encomendei a «turkey breast (b.r.e.a.s.t. ) with swiss cheese», na versão «toasty» (ou seja levou uma entaladela no grelhador. Mais uma diet Coke de meio litro.

 

Antes do xixi-cama dei um passeio nocturno pelas redondezas do hotel, até à rua 104. Dez blocos, portanto. A vizinhança é bem mais atractiva do que eu pensava. Para além dos McDonald's e Starbucks, há muito restaurantes étnicos cheios de bom aspecto - franceses, turcos, mexicanos, japoneses e até um raçado de japonês e peruano (escola Fujimori). Fiquei um «diner» de esquina debaixo de olho. Talvez amanhã.

 

 

DOMINGO 18 FEVEREIRO     

A boa sopa de tomate, arroz e basílico do Au Bon Pain da rua 56

 

 

Breakfast no Starbucks da rua 98. Paguei 3.97 dólares por um «raspberry muffin», café do dia («venti size») e pelo uso da mesa durante mais de uma hora, a ler o Usa Today (oferecido pelo hotel, nem tudo é mau no Days Inn do Upper West Side) e a preparar o dia.

 

Passeio pelo centro comercial de Columbus Circle. Tem duas estátuas, grandes e bonitas (um monstro homem e uma monstro mulher), e uma boa livraria Borders. Comprei três maçãs Gala Royal (três dólares) no supermercado da cave.

 

Como já vou embora a manhã aproveitei a visita ao Rockfeller Center para compras duas pequenas prendas: uma coluna de mangneto (bem gira; separa-se em duas partes e tanto pode ser usada no frigorífico como para segurar uma fotografia) para os meus tios, por 8.26 dólares (estava em saldo), na loja do Met, e um gorro bordeaux (cinco dólares), em lã, para a minha mãe, no NBC Store.

 

Sopa de tomate, arroz, cebola e basílico por 4.87 dólares no Au Bon Pain  da rua 56. Estva muito quente e era muito boa. Aqueceu-me por dentro e por fora. Com este frio não se pode andar muito tempo na rua. De vez em quando é indispensável fazer escala em ambientes aquecidos.

 

O FAO Schwarz em frente ao Plaza (que está a ser adaptado de hotel em apartamentos), junto ao Central Park, não tem «Sponge Bob stuff». Só na Toys 'r' Us.

 

A mega store desta cadeia em Time Square estava cheia de gente. Vi adultos a andarem na montanha russa. Fiquei tentado. mas acho que não levariam a bem que me apresentasse na fila para entrar sem levar uma criança a tiracolo.

 

O «merchansiding» do Sponge Bob era pindérico. Porta-chaves, esferográficas e blocos de notas personalizados. Mas nada com o nome John. Que é feito dos Johns norte-americanos? Mesmo assim comprei um «key ring» (2.99 USD) e um «notepad» (1.99) do Sponge Bob para o João.

 

Como contrapeso adquiri também uma bola do Cars (com a imagem do Faísca McQueen) com um «candy» lá dentro. 0.99 cêntimos, pois trata-se de uma promoção com os restos do Natal.

 

Jantar num McDonald’s perto do hotel. Um «wrap snack» de frango, «crispy», com «honey mustard», batatas fritas e «diet coke». Tudo por 4.50 USD..

 

Recolher cedo para ver na televisão o All Stars da NBA e rever a Strip em boas imagens do entardecer em Las Vegas, filmadas pelo TNT. O West arrasou o East (eu estava a torcer pelo Este, tanto mais que, por estar lesionado, não pode alinhar pelo Oeste o canadiano Steve Nash, que é meu jogador preferido). Um espectáculo grandioso. No intervalo, actuaram a Toni Braxton, Cristina Aguilera (ouvi dizer que estava grávida..) e o Le Cirque du Soleil - o melhor dos três.

 

 

SEGUNDA 19 FEVEREIRO

O cheiro nauseabundo de um «homeless» a apodrecer numa carruagem do metro

 

Antes de acabar de fazer a mala, fiquei na cama a dar cabo de mais cem das 400 páginas do The Broker, de Grisham. Já só ficam umas cem para ler no avião.

 

Na viagem de metro para a estação do World Trade Center (onde ia comprar o bilhete de comboio, que custa nove dólares, para o aeroporto de Newark) fui vitimado por um cheiro nauseabundo. Completamente podre. A carruagem onde entrei estava praticamente vazia. Pudera! Estava lá a um sem abrigo a desfazer-se em sangue e necessidades fisiológicos. Saí logo, mas fiquei com o cheiro no nariz durante algum tempo e com pena das três ou quatro pessoas que não tiveram o meu bom senso e rapidez e foram obrigadas a viajar até à paragem seguinte na carruagem empestada.  Fiquei com a palavra de ordem «Homeless go home!» gravada na minha cabeça. 

 

A estação do WTC foi desenhada por Calatrava e sente-se logo isso. Lá dentro rapa-se um frio de morrer. Entra frio e vento por todos os lados. As estações «cabriolet» podem estar bem no Verão meridional de Valência mas são incompatíveis com os gélidos invernos de Nova Iorque. E mesmo em Lisboa, na Gare do Oriente...

 

Pequeno almoço tardio no Starbucks em frente ao 21 Century. Como está semi-tapado por um tapume, há mesas disponiveis. Regular Coffe mais um raspberry scone. 5.07 dólares.

 

Dei uma volta pelo 21 Century (o melhor «outlet» do Mundo, na minha opinião) mas consegui sair sem comprar nada.

 

Passei a manhã no National Museum of the American Indian, que vale uma visita. Não só pela colecção mas também pelo edifício em que está instalado, a Costum House. Recomendo vivamente investir uma meia hora na belíssima rotunda do 2º piso decorada com impressionantes frescos.

 

Depois fui comprar chocolates e hot curry ao Dean & Deluca, um magneto para o frigorífico à loja da NY Transit Authority na Grand Central, dois CDs (Tapestry, de Carole King, e a banda sonora do Happy Ending, a dez USD cada) na Virgin de Times Square, e cinco «paperbacks» (de Daniel Silva. Harlan Coben e Ludlum, a 7.99 USD cada) na Borders de Columbus Circle.

 

Peguei na mala no hotel (mais um dólar de gorjeta) e fui para Newark (ler nuâque) apanhar o avião de regresso a casa.

 

  

 

 

  

 

publicado por Jorge Fiel às 00:56
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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

A sorte que eu tive em não ter sido esmagado pelo helicóptero do MoMa

 

A tragédia rondou o quarto 916 do Days Inn, um hotel barato na 94th St com a Broadway. Relato das primeiras horas numa Nova Iorque gelada e coberta de neve. Onde se conta com bastante cópia de pormenores (exagerada mesmo!) como logrei sobreviver a um aquecedor assassino que assobiava e borbulhava ao mesmo tempo, acordando vivo e por isso habilitado a passar a sexta feira com a cabeça toda enfiada num gorro preto que comprei por cinco dólares numa loja de Times Square.

 

Uma manhã vivida debaixo de terra, em Brooklyn, no New York City Transit Museum. E duas sandes de pastrami (uma, boa mas cara, no Katz, outra a puxar para o fracote mas barata, num Subway da Broadway, no Upper West Side) a porem entre parentesis o resto do dia.

 

Voltei ao sobreviver ao fim da tarde quando entrei no MoMa sem que o helicóptero verde suspenso do tecto se tivesse despenhado em cima de mim. O helicóptero nunca caiu mas, nunca se sabe, com o que pode acontecer com o Bin Laden aí a solta. Há sempre uma primeira vez para tudo. Antes do 9/11 (11 de Setembro é a tradução portuguesa de nine eleven) ninguém imaginou que terroristas iam desviar aviões comerciais e atirá-los contra as Twins.

 

Superado mais este obstáculo, pude enfim dirigir-me ao quarto andar e estacionar em frente a Flag, de Jasper Johns (na foto). 

 

 

5ª FEIRA 15 FEVEREIRO

De como sobrevivi no Days Inn da rua 94 a um aquecedor homicida que assobiava e borbulhava - tudo ao mesmo tempo

 

 

A viagem de Las Vegas até Nova Iorque até nem correu mal. Durou menos uma hora do no trajecto de Oeste para Este. Cinco e horas e meia à ida e quatro horas e meia no regresso. Não consegui lugar na «emergency row». O avião estava cheio e por isso também não arranjei um lugar no corredor.

 

Por pouco nem à janela conseguia lugar. A menina do «check in» da Continental olhou para mim com aauele ar «oh, see, how lucky you are!» quando me anunciou que eu tinha sido bafejado com o último «window seat». A partir de agora só os hediondos «midlle seats»

 

O lugar à janela deu-me para ter uma ideia aproximada da paisagem  do Grand Canyon, pois o céu estava limpo. mas não demorou muito a começar a dormir. Passei a maior parte das quatro horas e meia que durou o voo nos braços de Morfeu (expressão simpática e semi-culta que uso para contornar a mais que provável eventualidade de ter ressonado). Acordei com o frio que passava pelas frinchas da janela para o meu braço e pescoço. Temi o pior. Mas felizmente foi um frio sem consequências.

 

Como de costume, revelei-me excessivamente previdente ao trazer os bolsos cheios com a New Yorker (edição especial de aniversário) e um livro do Grisham. A chegada foi menos venturosa do que a viagem. O voo CO 1069  até chegou mais ou menos dentro da hora,. O problema é que o horário era mau.

 

Não é bom chegar de noite a uma cidade, principalmente se se trata de uma cidade onde não temos casa - o que, para mim, é o caso de Nova Iorque. A minha mala demorou uma eternidade até aparecer, devido ao que os altifalantes qualificaram como «jam». Estava tudo convocado para o tapete 6 do Aeroporto Internacional Liberty de Newark quando de repente  fomos solicitados a transferir-nos para o tapete 2. onde a seca apenas foi mitigada pela emoção do último periodo do jogo da NBA entre os Lakers e os Clevand Cavaliers que passava num ecrã e estou em crer foi ganho pelos Cavs (estava a torcer por eles). Quando a Samsonite resolveu aparecer faltava menos de um minuto para acabar e eles estavam com seis pontos de vantagem.

 

O balcão de Ground Transportation do Terminal C estava fechado. Como não havia ninguém para me explicar se aquela hora (1h30 a.m. locais, mais três horas que Las Vegas, menos cinco que Lisboa) havia uma alternativa ao táxi , arremeti contra a neve e o frio e apanhei um táxi. 51 dólares pela viagem, mais oito pelas portagens, mais cinco de gorjeta. Não foi bom.

 

O Days Inn, da 94 th St com a Broadway, onde passei quatro noites (preço 339,46 euros, taxas incluidas, reservado pela Internet no Hotel-and-Discounts.com) já conheceu melhores dias. O ano passado, por exemplo, quando eu o Rui Zink estivemos aqui hospedados num «stop over» no regresso de Atlanta, o hotel apresentou-se muito mais acolhedor. Este ano está em obras. Ora não é preciso ser um Einstein para perceber que não é bom estar hospedado num hotel em obras.

 

O átrio está meio desfeito. A alcatifa tem pior aspecto e o ar ainda mais gasto do que as matronas do Roma, de Fellini. O elevador é tão espaçoso como a dispensa de uma apartamento de sétima categoria. Chegado ao 9º andar, o caminho para o quarto 916 não está assinalado. O número do quarto está escrito à mão, a marcador vermelho. O comando da televisão não funcionava. E pareceu-me que o quarto cheirava a gás, o que é preocupante porque devido a uma má formação congénita sou meio surdo do nariz (uma das narinas não funciona) pelo que um cheiro tem de ser mesmo intenso para eu o sentir..  

 

Há um aparelhómetro barulhento ligado à parede que me pareceu ser um aquecedor a gás com uma óbvia fuga. Temi morrer gaseado durante o sono.  Desliguei o truque e ele calou-se. Comecei a morrer de frio, o que confirmava que o aparelho com aspecto homicida existia (também) para aquecer. Voltei a ligá-lo e regressou um barulho estranhíssimo. O truque assobia e borbulha ao mesmo tempo. É infernal. Aterrador. Acabei por me habituar e adormeci. Acordei no dia seguinte, por volta das 9h20. Vivo. O que era muito bom sinal, pois, como toda a gente sabe, os mortos nunca acordam.

 

 

6ª FEIRA 16 FEVEREIRO

O romper da bela aurora com o Starbucks da esquina cheio

Ao acordar sou sempre mais optimista do que à noite. Há uma canção, penso que dos Trovante (ou será da Brigada Victor Jara?), que fala do «romper da bela aurora». Eu estou plenamente de acordo com a visão sorridente e optimista subjacente a esta frase.

 

Estou convicto de que não partilho o quarto 916 do Days Inn com ratos ou baratas ou qualquer outro tipo de animais clandestinos que, como são ininputáveis, não contribuem para o pagamento da diária. Satisfeito por ser um sobrevivente, decidi apenas apresentar queixa na recepção da inutilidade do «remote control» (prontamente reequipado com pilhas novas). Estava perfeitamente resignado a passar as três noites seguidas num são e alegre convívio com o aquecedor barulhento, mas não assassino. Fui para o frio.

 

A neve é muito bonita nos filmes e vista ao longe. Nas ruas das cidades é uma verdadeira imundicie que só nos atrapalha a vida.

 

A primeira contrariedade do dia surgiu logo ali ao dobrar da esquina. O Starbucks da rua 93, onde eu ia tomar o pequeno almoço, estava esgotado, com as mesas todas ocupadas. E era ali que eu pensava  instalar-me calmamente a planear o dia. Tinha de arranjar um plano B.

 

Contrariado, meti-me no metro. Linhas 1, 2 ou 3 (vermelhas), estação da 96 th St, com uma entrada equidistante uns 50 metros do Starbucks lotado (nesta estadia nunca cheguei a conseguir arranjar lá uma mesa). Comecei logo a meter-me em despesas. 24 USD pelo Metrocard que dá para sete dias. Eu só is estar quatro mas mesmo assim compensava. O Metrocard diário custa sete USD. E a viagem individual fica a dois USD. Eu fiz muito mais que uma dúzia de 12 viagens nesta estadia. Fiz para aí umas 30, fazendo as contas por alto. Foi bom negócio.

 

Para os primeiros preparos fui até Times Square. O frio é tanto que me decidi a comprar um gorro. Não foi a primeira vez que tomei esta decisão. Em Janeiro do ano passado, em Varsóvia, quando os 20 graus negativos não me impediram de ir passear (às vezes arrependo-me das opções que tomo; o frio era tanto que entrava pelor baixo nas calças e ia directamente aos tomatinhos que ficaram enregelados, mas, sosseguem, não se registaram danos irreversiveis no material) mas obrigaram-me a comprar um barrete vermelho a dizer Poslka. Parecia o Kumba Iala, mas a puxar um pouco mais para o ridículo pois quando regressei dei-o ao meu filho João (que tem apenas seis anos) e servia-lhe perfeitamente.

 

Comprei por cinco dólares um gorro, preto, discreto, grande e quentinho (e sem dizeres do estilo «I love NY» com aquele coraçãozinho piroso a substituir o verbo). Outro bom investimento, já que conservo ambas as orelhas.

 

Dei uma vista de olhos na maior loja da Toys ' r ' Us do Mundo (voltarei cá no último dia para comprar alguns produtos de merchandising do Sponge Bob para levar para o João). Também entrei na mega-store da Virgin. Os  americanos estão a reagir à quebra irreversível da indústria discográfica. A maior parte dos CD estão a dez dólares, ou seja sete euros.  Depois fui ao Information Center da Time Sq, onde decidi que iria passar o resto da manhã no New York Transit Museum que fica numa estação desactivada, em Brooklyn.

 

Entrar no Transit Museum sem pagar os cinco dólares é que «no way». O cavalheiro da bilheteira não quis saber do facto de eu ser jornalista e estar habilitado a documentar esse estado através da civilizada e discreta exibição de um cartão que grita PRESS assim mesmo, a letras maiusculas (vá lá que não se armou em esperto e se pôs a pressionar o cartão com o dedo). Entrar sem pagar só com «clearence» das Relações Públicas.

 

Valeu os cinco dólares. Para além de ter as diferentes gerações de carruagens usadas desde que o metro de Nova Iorque foi inaugurado no dealbar do século XX, documentada através de seis mil objectos, pequenos textos, filmes e fotografias a grande epopeia da construção do maior metro do Mundo (660 milhas de linhas, 496 estações, 17 túneis debaixo de água) e de como ele foi o vector estruturador do crescimento da grande metrópole.

 

New York Transit Museum

Esquina da Boerum Place com a Schermerhorn Street

Brooklyn Heights

Metro :  2, 3, 4 e 5 para Borough Hall

3ª a 6ª, 10h00-16h00

Sábado e domingo: 12h00-17h00

 

O almoço, muito tardio, foi no Katz na esquina da Houston Street com a Ludlow. A sandes de pastrami continua fabulosa. É um privilégio estar no mesmo sítio onde a Meg Ryan simulou aquele fantástico orgasmo. A sandes e uma Katz Ale ficaram por 20,20 USD. Não é de borla. o Katz anda a meter a unha.

 

Como o frio favorece a cultura passei o resto da tarde no MoMa. Nas sextas à tarde, entre as quatro e as oito, a entrada é livre, pelo que não tive de recorrer ao uso do cartão de imprensa. Um segundo Não no mesmo dia deixar-me-ia traumatizado. Consagrei a maior parte do meu tempo aos americanos do século XX, em particular ao Edward Hopper, Jackson Pollock e Jasper Johns.

 

Tentei, sem sucesso, beber uma cerveja no Old Mc Sorleys, na East Village. Era sexta feira, início de noite, não havia uma só cadeira livre e o caminho para o balcão estava mais atulhado que o metro em hora de ponta. Desisti. Estacionei num dos dois Starbucks (café grande, 2.20 USD) de Astor Place a planear o dia seguinte.

 

Por volta das nove e meia da noite recolhi à rua 94. Antes de ir fazer companhia ao aquecedor barulhento, mas afinal pacífico, do «room» 916, comi uma sandes de pastrami (a segunda do dia, e consideravelmente pior que a primeira) no Subway e bebi uma Diet Coke - tudo por oito dólares -, enquanto engordurava as páginas da New Yorker ao ler um magnifico artigo (muito critico, completamente de de esquerda) sobre a série de televisão 24.

 

publicado por Jorge Fiel às 10:47
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Vá lá, passe o ano em Nova Iorque, que eu dou uma ajuda

  

No início deste mês, dois grandes amigos meus, ambos transmontanos  - o Abilio é de Bragança, o Tó Mané de Vila Real - coincidiram em passar uma semana de férias em Nova Iorque e em pedir-me que lhes desse algumas sugestões. Em beneficio deles, escrevi este texto que lhes enviei por email.

 

Como é Natal, achei por bem partilhá-lo com todos os frequentadores da Roupa para lavar. Seria para mim um imenso prazer que guardassem este pequeno guia - com seis sugestões de restaurantes, sete experiências e cinco museus -  e o usassem quando fossem a Manhattan. É, se quiserem, a minha prenda de Natal para todos vocês, meus amigos

 

SEIS COMES

 

McSorleys Ale House

15, 7th Street, entre a 1ª Ave e 2ª Avenida

É o bar mais antigo de Nova Iorque. Um pedaço do século XX que chegou intacto ao século XXI, com serradura no chão. Tem dois tipos de cerveja de produção própria. Eu gosto mais da escura (dark). Pede-se uma cerveja e eles trazem duas canecas. É mesmo assim. Para comer têm umas tijelas (bowl) de chili e queijo com cebola. É um óptimo meio ou fim de tarde

 

PJ Clark’s

915, 55th St, 3ª Ave (Metro E e V para 51th St)

O melhor hambúrguer do Mundo. É uma pequena casa no meio de arranha céus, o que dá um efeito curioso. Na sala da frente há um balcão que ao fim da tarde e à noite está cheio de gente. A sala de refeições fica atrás. O hambúrguer (em prato) é mesmo, mesmo muito bom

 

Carnegie Deli

854, 55th St, 7º Ave

As maiores e mais suculentas sandes do Mundo. O Frank Sinatra era cliente

 

Totonno’s

462, 26th St, 2ª Ave ou 1544, 80th, 2ª Ave

A melhor pizza branca (só queijos) do Mundo. O melhor é pedir uma branca e uma outra e depois partilhar.

 

Katz Delicatessen

205 East Houston, esquina com a Ludlow (Metro F e V para Lower East Side 2ª Ave)

À entrada dão um bilhete onde anotam tudo que encomendarem e pagam à saída. Tem um merchandising curioso (as T Shirts pretas com a reprodução do talão que dão à entrada são bem giras). O que eu recomendo é uma sandes de pastrami com pickles que se vai buscar ao balcão (o cortador pega na peça e dá um bocadinho de carne para experimentarmos se está boa). A cerveja pega-se noutro balcão, junto à entrada. Eu gosto da Brooklyn Lager. Foi no Katz que foi filmada a célebre cena de filme em que a Meg Ryan está a conversar com o Billy Cristal e simula um orgasmo. Vale a pena perder tempo a vre na parede as fotos do dono (um tipo gordo) com gente famosa que foi ao Katz.

Descendo a Ludlow, estamos no Lower East Side, a zona onde se pode comprar roupa muito barata nas lojas de judeus que tem o produto exposto na rua. A rua mais comercial é a Orchard St, mas recomendo também a Rivington, Delancey e Essex. Pode passear-se por aqui até à East Broadway-

Atravessando a Houston para o outro lado (com cuidado) e flectindo um pouco para a direita, encontramos a A Avenue, que se deve subir até Tompkins Square, o coração da East Village, que é uma das coisas que está a dar mais. Depois de apanhar pulgas no jardim de Tompkins Square (anda lá uma multidão de gente a passear cães e muitos gays – os cães e os donos), aconselho deambular em direcção à 2ª Ave. As minhas ruas favoritas neste bocado são a 3th St, a 6th St, a 7th St e St Mark Place. Daqui está-se perto do McSorleys.

 

Florent

69, Gansevoort, entre a Greenwich St e a Washington St

Está aberto 24 horas por dia. As batatas fritas são espectaculares. Está no coração do Meatpacking District, um pouco abaixo de Chelsea, onde os armazéns de carne se misturam com as discotecas da moda e as lojas de estilistas (a da Stella McCartney é lá). È para frequentar completamente fora de horas. O nascer do dia é engraçado porque se misturam os talhantes com o pessoal a sair das discotecas. Está a dar.

 

 

SETE EXPERIÊNCIAS

 

Gray Line

42th St com a 8ª Ave

Vendem passeios em autocarros vermelhos de dois andares. É uma boa forma de abordar a cidade. Fica-se com uma panorâmica geral. O melhor é um bilhete que dá para dois dias e incluiu o circuito uptown (vai até o Harlem) e downtown. Dão um folheto com o mapa das paragens e dá para entrar e sair. Nesses dois dias não é preciso andar de metro ou táxi. O que recomendo é fazer primeiro, logo de manhã, uma volta completa e depois ir usando como meio de transporte.

 

Staten Island Ferry

Metro: 1, 9, N e R para South Ferry

É um belíssimo passeio de barco até Staten Island. Passa junto à Estátua da Liberdade e é de borla (ou seja grátis, cum catano). Tem de se estar atento para ver em que lado do barco é que se deve ir para apreciar melhor a vista. No regresso é fabuloso ver a aproximação da skyline de Nova Iorque. Quando chega a Staten Island tem de se sair do barco e voltar a entrar (no mesmo barco).

 

Battery Park

Depois do passeio de barco é recomendável um passeio a pé pelo Battery Park, ao longo do rio Hudson (do outro lado é New Jersey), até ao World Financial Center – tem uma marina em frente. Aqui deve entrar-se e subir a escadaria (os chineses e coreanos quando casam vão lá tirar fotografias) que aparece no filme A Fogueira das Vaidades (as palmeiras interiores são impressionantes). Lá em cima desfruta-se da melhor vista sobre o Ground Zero  O Battery Park, uma urbanização moderna, está implantado numa zona resgatada ao rio. È um aterro feito com as terras provenientes da escavação para as fundações doa Torres do World Trade Center. Elas foram abaixo mas o Battery Park manteve-se.

 

Strand

828 Broadway (Metro: L, N, R, $, 5 e 6 para Union Square-14th St)

Fica perto de Union Square. È a maior livraria do Mundo. O número exacto de quilómetros de prateleiras está descrito nas T shirts de cores giríssimas que eles vendem. O merchandising deles é espectacular. As canecas, sacos e esferográficas são bestiais. E não há livro que se queira que não se encontre lá. È imperdível.

 

Ponte de Brooklyn

City Hall Metro: J, M e Z para Chambers Street ou 4, 5 e 6 para Brooklyn Bridge

Vale a pena ir a pé pelo menos até meio da ponte para beneficiar de uma vista de cortar a respiração. Há um tabuleiro para peões e bicicletas que anda por cima do trânsito automóvel, equipado com bancos onde se pode descansar. O acesso é através da zona de City Hall

 

Dean and Deluca

560 Broadway, na esquina com a Prince St

É o mais fino e rico supermercado do Mundo. Vale uma visita para apreciar os queijos, os peixes, os pães, as carnes. Pode comprar-se comida. Têm uma caneca preta  que diz Dean & Deluca muito bonita, com um desenho curioso – é mais larag em cima do que em baixo. Descendo a Broadway (virar à esquerda à saída do Dean & Deluca) passa-se pelas lojas que vendem jeans e sapatilhas mais baratas de Nova Iorque (lojas com bom aspecto) antes de chegar à esquina com a Canal Street onde vendem os relógios e outras coisas falsificadas.

 

Rockfeller Center

48th St a 51 St, entre a 5ª Ave e a 6ª Ave

O café esplanada que está no centro deste complexo imobiliário está nesta altura transformado no ringue de patinagem que aparece muito nos filmes. Desde este ano é possível subir ao topo do edifício Rockfeller, que é uma boa alternativa à subida ao Empire State Building. Há menos gente na bicha, a vista é idêntica mas o observatório é muito mais moderno (em vez de grades para o pessoal não se suicidar tem vidros transparentes) e há uma exposição cá em baixo que é interessante.

 

CINCO MUSEUS

 

Museu de História Natural

79th St, 8ª Ave, junto ao Central Park

É onde está o esqueleto de dinossauro gigante que aparece no inicio do Godzilla. Acrescentaram-lhe agora um ala em que tu andas ao ritmo da história da Humanidade. É o máximo. No final podes atravessar o Central Park até ao Metropolitan

 

Metropolitan

1000, 82th St com a 5ª Ave

È tão grande, tão grande que ou decides ir a uma sala em concreto que tenha coisas que aprecies ou perdes tempo e paciência. A loja é fabulosa para comprar presentes pelo que vale a pena reservar uma hora para andar por lá a passear

 

Guggenheim

1071, 89th St com a 5ª Ave

Vale a pena ir lá dentro nem que não seja para apreciar a arquitectura helicoidal do Frank Lloyd Wright. Não é muito grande. A loja tem coisas de design interessantes. Normalmente tem exposições temporárias e uma pequena mostra da colecção permanente.

 

Frick Collection

70th St com a 5ª Ave

Gosto muito porque permite ver como vivia um milionário americano (fez fortuna no cobre, creio) no início do século XX. É a casa onde ele habitava, com o mobiliário, os tapetes, a decoração e os quadros. Não aborrece. Detesto a sala Fragonard, mas é um estilo. Tem dois Vermeers!

 

MoMa

53th St, entre a 5ª Ave e a 6ª Ave

A entrar e gastar tempo num só museu esta seria a minha aposta. A dimensão não é esmagadora e tem expostas coisas magníficas e surpreendentes.

 

publicado por Jorge Fiel às 19:44
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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