Domingo, 26 de Dezembro de 2010

Breve relato de uma despreocupada manhã de domingo

 

É bastante adequado que a véspera de Natal calhe numa 6ª feira, pois cria um dia almofada (o domingo) entre as obrigações familiares e gastronómicas, decorrentes das festas, e o regresso ao trabalho, numa das semanas mais improdutivas do ano – a que separa o Natal do Ano Novo.

Melhor mesmo só o 24 de Dezembro calhar a uma 5ª, o que, desde já aviso, não vai acontecer em 2011, ano em que será a um sábado, o que quer dizer que o feriado do Dia de Natal será no domingo, para grande pena da imensa maioria de preguiçosos que vegeta neste jardim à beira mar plantado.

Aproveitei este sortilégio do calendário para me regalar com uma despreocupada manhã de domingo, como já não vivia há uma data de meses.

Deixei-me ficar pelo quente da cama até perto das onze horas, a começar a ler o The Rembrandt Affair, de Daniel Silva, antes de me meter, a mim, ao João e à sua bicicleta, na carrinha Fiat Marea e rumarmos até junto à marginal fluvial, onde estacionei o carro junto à Etar, na rua do Ouro, em frente à estátua do Anjo, de Irene Vilar, e começamos a aproveitar o luminoso sol de Inverno.

Eu a pé e o João de bicicleta fomos até ao Castelo do Queijo e voltamos, acumulando suor, que fez saber bem o duche, e fome, que aumentou o apetite para as alheiras de Bragança (as melhores do Mundo, que desembarcam anualmente na minha mesa por gentileza do meu amigo Abílio Martins) acompanhadas por grelos salteados.

Uma manhã fabulosa, para mais tarde recordar, proporcionada pelo calendário. Resta confessar o entusiasmo com que estou a ler a mais recente aventura (a 13ª) de Gabriel Allon, restaurador de arte e ex- assassino ao serviço da Mossad, de que partilho duas das frases que mais me agradaram nas primeiras 69 páginas:

 

“Even the police marveled at the variety of the thieves’ game. Is was a bit like watching a great tennis player who could win on clay one week and grass the next”

 

The new pilgrims to Glastonbury rarely bothered to visit (the abbey), preferring instead to traipse up the slopes of the mystical hill known as the Tor or to shuffle past New Age paraphernalia shops lining High Street. Some came in search of themselves; others, for a hand to guide them. And a few actually still came in search of God. Or at least a reasonable facsimile of God

música: Little bombs , Aimee Mann
publicado por Jorge Fiel às 16:07
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Sábado, 25 de Dezembro de 2010

Compensando a falta de chá em miúdo

 

Muito provavelmente para compensar o facto de não ter tomado muito chá em miúdo, de há uns anos a esta parte bebo litradas de chá todos os dias.

Creio que, sem errar, posso mesmo afirmar que este hábito já vem desde o século passado, e, para o alimentar, a chaleira e o bule passaram a fazer parte do meu kit básico personalizado de equipamento de escritório, a par do copo de cartão amarelo do Nathan’s (em cujo interior convivem amigavelmente lápis, agrafador e as canetas Muji de cores diversas), do recipiente de clips, da borracha e do pisa papeis – sempre útil como arma dissuasora de chatos (em caso de desespero nunca hesito em ameaçar atirá-lo à cabeça de quem abusa da minha paciência).

Além de paciente (uma coisa que vem com a idade) - como pode ser factualmente documentado pelo facto de nenhum ser vivo se poder gabar de eu lhe ter atirado um pisa papéis à cabeça – sou generoso, porque deixo ficar chaleiras pelos sítios de onde saindo. No Expresso (Porto) foi a Margarida Cardoso que a herdou a chaleira (e creio que lhe dá uso). No Diário de Notícias (Lisboa) a herdeira foi a Graça Henriques (que creio não lhe dá uso).

Vem tudo isto a propósito de duas (ver foto) das muitas prendas com que o meu primo Fernando me obsequiou esta quadra (creio que ele empenhado em mover uma concorrência feroz ao Pai Natal) se destinarem a alimentar este meu vício do chá (se fosse uísque era pior!).

Além de uma caneca decorada com Minis (como presumo saberão eu sou o feliz proprietário de um Mini Clubman branco, matrícula de 1974) que passarei a usar preferencialmente no meu escritório portuense (que fica em minha casa, pois saving foi a rainy day tem de ser uma das principais preocupações de um biscateiro responsável), recebi também uma data (creio que meia dúzia) de chás exóticos, acondicionados nuns saquinhos dourados e com a etiqueta manuscrita, adquiridos na Kredens, a Meca dos gourmets em Cracóvia, onde o meu benfeitor está emigrado.

música: Todo o tempo do Mundo, Rui Veloso
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publicado por Jorge Fiel às 19:20
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Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

O estuporado sentido do dever que se entranhou em mim

Mer Noire passa-se em Lucerna, um das mais bonitas cidades suíças

 

O sentimento judaico-cristão de culpa é o único e exclusivo responsável por eu estar neste momento sentado ao computador a escrever este post em vez de estar instalado no sofá da sala a ler o capítulo 17 das aventuras de Largo Winch (1) e a ouvir aos berros, nos auscultadores, o CD 2 (2) da caixa 111 More Classic Tracks editada pela Deutsche Grammophon para comemorar o seu 111º aniversário – com a Ciência e evoluir como está não tarda nada em que seja corrente haver seres humanos a festejaram idêntico aniversário.

Eu bem queria manter esta Lavandaria com um mínimo de quatro a cinco centrifugadelas novas todas as semanas, mas as espinhas da minha vida de biscateiro impediram-me de cumprir isso nestas duas últimas semanas (os feriados de Natal e Ano Novo são liquidados, a pronto pagamento, em trabalho de avanço) que foram infernais, ao ponto de ter negligenciado tarefas tão básicas e íntimas como aparar os pelos que teimam em estar sempre a sair das narinas e cortar as unhas dos pés.

Sinto-me culpado por não ter conseguido postar durante duas semanas e para tentar estar logo à noite em paz de espírito eis-me aqui a teclar, furiosamente, antes de ir por os mails em ordem e responder a todos os votos personalizados de bom Natal que caiam na minha caixa de correio – ou no telemóvel (um A1, com sistema operativo Android, com o qual, diga-se, estou bastante satisfeito).

O meu programa para esta tarde não era este. Passei o início da semana dilacerado entre o dilema de na tarde da véspera de Natal ir ao cinema (já não vejo um filme há nove meses!) ou levar a minha mãe ao cabeleireiro. A Isabel dissuadiu-me desta última hipótese (garante que hoje é o segundo pior dia do ano para ir ao cabeleireiro) e este estuporado sentido do dever que tenho entranhado em mim impediu-me de ir ao Arrábida.

Aliviado por ter redigido esta satisfação, desejo a todos (e quando digo todos, quero mesmo dizer todos, mesmo benfiquistas) quantos por alguma tropeçaram nesta Lavandaria que, logo à noite, o bacalhau vos saiba pela vida – e que não poupem no tinto porque um dia não são dias.

 

………….

(1)    Mer Noire, Philippe Francq e Jean Van Hamme, Ed. Dupuis, que comprei ontem na Fnac do Vasco da Gama à boleia da compra de uma prenda de Natal de última hora

(2)    Chamo a vossa atenção para versão da Annie’s Song, de John Denver, interpretada pela London Symphony Orchestra, com James Galway na flauta

música: Annie'song, John Denver
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publicado por Jorge Fiel às 15:08
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Uma singela resposta ao «carpet bombing» natalício de SMS

O postal de Boas Festas que a minha filha Mariana me enviou de Los Angeles

 

 

Já me interroguei por várias vezes sobre a utilidade desta lavandaria, que na verdade não lava nada e é tão só uma mesa de café onde se pode estar no paleio e a fumar sem ser incomodado– isto se as preclaras e os preclaros estiverem a teclar a partir do doce remanso dos vossos lares ou de um outro local onde estejam a coberto a fúria fiscalizadora da ASAE, como, por exemplo, o Casino do Estoril.

 

Ontem à tarde, instalei-me na praça da alimentação do Arrábida Shopping (a vida ociosa de um desempregado qualificado permite estes luxos), a matutar o que devia fazer com as SMS de Natal e Ano Novo que ameaçam entupir a memória do meu Nokia.

 

Devo dizer que este ano resolvi responder apenas às SMS personalizadas. Até ao ano passado ainda me dei ao trabalho de responder individualmente a cada uma delas. Mas este ano desisti. Era uma canseira.

 

Claro que podia responder aos ataques de SMS usando a mesma moeda, disparando em todas as direcções. Ou seja enviando a todas as pessoas constantes da minha lista de contactos uma mesma mensagem.

 

Teria apenas de ter cuidado com a redacção da SMS, para acautelar o facto dela ir ser recebida por mulheres e homens e, ainda, por gente que trato por tu e gente que trato por você.

 

Mas não! Apesar de ter bons amigos nas três operadoras (Abílio Martins na PT/TMN, Luísa Pestana na Vodafone e Isabel Borgas na Optimus) sou um inimigo figadal do «carpet bombing» natalício de SMS, que este ano se cifrou pelo triste recorde de 2,4 mil milhões de mensagens escritas enviadas no período das festas – mais 1,5 mil milhões do que no ano passado.

 

2,4 mil milhões é um número que tem tanto de esmagador como de estúpido. Não tenho cultura para números com muitos zeros, mas se não me enganei nas contas isto quer dizer que em média cada compatriota enviou 240 SMS entre o Natal e o Ano Novo. É um pavor. Os polegares dos portugueses estão doidos!

 

Voltando à vaca fria, ou seja à reflexão sobre o que fazer às SMS sem resposta, tive um ideia. Aproveitar a lavandaria para lhes responder, o que me permitiria apagá-las de seguida, sem problemas de consciência. Foi uma espécie de Eureka.

 

Ainda hesitei, quando me interroguei sobre se já não seria um pouco tarde para maçar com SMS de Natal o punhado de resistentes que me faz o favor de visitar a lavandaria.

 

Mas arranjei um álibi razoável para ultrapassar esta pertinente dúvida. Da mesma maneira que a árvore de Natal fica montada até ao dia de Reis, as questões natalícias mantêm-se actuais até amanhã.

 

Posto isto, declaro que no período das festas recebi 78 SMS (muito abaixo da média nacional), das quais 22 no período do Ano Novo e 56 por altura do Natal, sendo que algumas destas últimas abrangem Natal e Ano Novo.

 

Relativamente ao Ano Novo, resolvi fazer um breve trabalho estatístico, que me permitiu concluir que o adjectivo mais popular para qualificar 2008 é o algo desenxabido «Bom» (quatro referências), seguido, ex-aequo, pelos «Grande» e «Fantástico», cada um com três citações. «Feliz» surge em quarto lugar, com duas citações, seguido do «Excelente», «Óptimo» e «Excepcional», apenas usados uma vez.

 

Noto, com alguma tristeza, a ausência de dois adjectivos que eu acho muito apropriados: «Formidável» e «Espectacular».

 

Houve emitentes que se abstiveram de qualificar o novo ano, refugiando-se no simpático «Entra Bem» ou nos desejos de que 2008 seja cheio de coisas tão variadas como «Alegria». «Saúde» e «Sucessos Pessoais» (já agora um emprego também vinha a calhar…)

 

É a seguinte a lista dos 22 emitentes de SMS de Ano Novo (a ordem é arbitrária) a quem agradeço, penhorado, a preocupação com o meu futuro próximo:

 

Jorge Oliveira, Luísa Meireles, Luís Humberto, Rui Zink, Filomena Carvalho, José Cardoso, Pinto de Sousa, Lígia Marques, Olga Marvão, Fernando Sampaio, Hélder Brites, Paulo Campos Costa, Zé Tó Faria Pinto, António Santos, Fernando Maia Cerqueira, Manuel Serrão, Manuel Tavares, Mário Dorminsky, Luísa Pestana, Joaquim Neutel, Fernando Rocha e Luísa Pinto.

 

Também agradeço, não menos penhorado, aos seguintes 56 emitentes de SMS a desejarem-me Bom Natal (alguns nomes repetem-se) nesta primeira consoada que eu abordei sem vesícula, em mais de meio século de existência:

 

Beatriz Pacheco Pereira, Fernando Madrinha, Jaime Correia de Sousa, Manuela Matos, Xana Macedo, Moreira da Silva, Miluxa, Manuel Seabra, Acácio Gomes, Luís Geraldes, Rui Lacerda, Pinto de Sousa, Nicolau Santos, Quinando, Eurico Castro Alves, Manuela Marques, Nunes Pereira, António Santos, Vítor Carvalho, Elisa Ferreira, Miguel Gonçalves, Joaquim Neutel, Paulo Gonçalves, Zé Manel Costa, Bruno Pires, Rui Duarte Silva, Joaquim Oliveira, Florbela Machado, Fernando Sampaio, João Tocha, Adalberto Dias, José Pedro Guedes, Juca Magalhães, Mário Dorminsky, Rui Ponce Leão, Elsa Veloso, João Paulo Galacho, anónimo/a proprietário/a do 96 252 24 15, Mafalda Campos, Nelson Soares, Afonso Leite Castro, Carlos Sousa, Ana Serra, Alain Gonçalves, Manuel Queiroz, António Souza Cardoso, Rui Zink, Bacelo, Ricardo Santos Ferreira, Manuel Monteiro Vaz, Fernando Rocha, Luísa Pinto e Paula Barreiros.

 

Espero não me ter esquecido de ninguém. Um obrigadão a todos!

 

E já agora, a título de sobremesa, os já afamados Prémios Roupa para Lavar distinguem algumas das SMS recebidas.

 

 

Prémio Desobediência Civil

 

Aqui o pessoal recusou-se todo a passar de ano. Ainda tou em 2007. Olha q car…

 

Manuel Serrão (recebida às 00h21 de 1.1.08)   

 

 

Prémio Apocalipse Now

 

Este ano não há presépio: a vaca tá louca, os reis magos não vêm pq os camelos tão no governo, o burro tá a treinar o Sporting, Maria e José foram meter papeis pa rendimento min. , a ASAE fechou o estábulo por falta d condições e o tribunal de menores ordenou entrega de Jesus ao pai biológico. Ptt q se lixe o presépio. Bom Natal! E assim sendo q o novo ano nos ajude!

 

Olga Marvão

 

 

Prémio Olha a Cabeça de Cavalo Entre Os Lençóis

 

A famiglia Zink faz-lhe uma oferta que não pode recusar: a de uma grande 2008

 

Rui Zink

 

 

Prémio Homem Prevenido Vale por Dois

 

Que o Pai Natal te traga a Isabel Figueira de prenda, porque a Soraia Chaves ficou com as mamas presas na minha chaminé. Que tenhas um ano de 2009 excepcional, porque para 2008 o Sócrates já f… tudo

 

Pinto Sousa

 

 

Prémio Elefante Cor-de-Rosa

 

I whisky you a happy new bear!

 

Zé Tó

 

 

Prémio Extorsão Insultuosa

 

O Pai Natal ofereceu-me 1000 euros para descobrir onde está o burro. Ou dobras a oferta ou digo onde estás. Bom Natal!

 

Juca Magalhães

 

 

Prémio Excesso de Calor e Calorias

 

Muitos chocolates. Muitos docinhos. Muitos carinhos. Muitos beijinhos. Muitos presentes. Tudo de bom, pq mereces! Feliz Natal e um excelente 2008.

 

Elsa Veloso

 

 

Prémio Precipitação

 

Este ano antecipo-me. Feliz Páscoa. E já agora muitas prendas logo à noite.

 

João Paulo Galacho

 

 

Prémio Mal Tu Sabes

 

«I will survive» cantam as renas do Pai Natal. Boas Festas

 

Alain Gonçalves (na ignorância de que uma das prendas que reci este Ntala foi uma pele de rena)

 

 

Prémio Simplicidade Clássica

 

Feliz Natal e bom Ano Novo

 

Adalberto Dias

 

 

Prémio Sabedoria Popular

 

Se a vida são dois dias, que ao menos um seja o Natal. Grande abraço.

 

Manuel Queiroz

 

 

Prémio António Aleixo para o Bom Samaritano

 

Deus abriu a janela do céu, viu-me e perguntou: Qual é o teu desejo para hoje? Eu respondi: Senhor cuida bem da pessoa que está a ler esta mensagem e dá-lhe um 2008 cheio de saúde, paz e amor.

 

António Santos

 

 

Prémio 1755 Revisitado

 

Nesta época especial, quando sentires que não tens onde te apoiar, que o Mundo vem para cima de ti, que o chão se mexe, que tudo vai desabar, tu, sim, tu, corre, carago, que essa merda é um terramoto!!! Bom Natal, com saúde e alegria … e cuidado com a Brigada de Trânsito

 

Vítor Carvalho

 

Prémio Especial Economista Poeta

 

Um Natal com tudo o k a ASAE proíbe e um 2008 com alguns dos excessos k tornam a vida inesquecível.

 

Nicolau Santos

 

Bom agora já vou poder apagar as SMS todas, sem ficar com um peso na consciência.

 

 

 

PS. SMS quer dizer Short Messages Service. Como é um serviço, há gente que lhe atribui o género masculino e diga um SMS. Como quando eu me refiro a SMS estou a pensar em mensagem e não no serviço trato-o como uma mulher, ou seja, bem J

 

música: What it's like, Everlast
publicado por Jorge Fiel às 12:27
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Terça-feira, 25 de Dezembro de 2007

Relatório mais ou menos circunstanciado de uma consoada recatada

Fomos três e meio à mesa. A Mariana ficou em Los Angeles. Como sempre, o Pedro passou a véspera de Natal em casa da mãe. A Camila foi para casa dos avós. Os meus tios consoaram com uns amigos ao Alentejo.

 

Sobramos quatro. A minha mãe, a Isabel, o João e eu.

 

A minha mãe passou a noite a queixar-se do frio, apesar da lareira estar em plena actividade. Abasteci-me para o Natal, numa garagem junto do cemitério da Foz. 20 euros por 80 quilos. O preço da lenha está pela hora da morte. E mais cinco euros por um saco de pinhas. Valha-nos Deus! Vá lá que não esteve vento, a tiragem estava boa e a casa não ficou tipo fumeiro.

 

O João, sete anos (foi encomendado para celebrar a passagem do milénio pelo que nunca será difícil saber a idade dele – em 2018 completará 18 anos), só apareceu à mesa para engolir meia rabanada, sem molho, e perguntar pela octagésima nona vez quando é que se abriam os presentes. Comeu esparguete no escritório a ver o Nickelodeon.

 

Sentamo-nos à mesa às 20h30. A Isabel diz que nunca começou a jantar tão cedo na noite de Natal. A ementa foi a clássica. Sem grandes adornos mas estava tudo entre o Bom e o Muito Bom, com excepção do Serra, de marca Serrão, a que, imbuído da generosidade natalícia, atribuo um Bom Menos. Provavelmente nunca evoluirá para a formidável fase do amanteigado que escorre pelo prato fora.

 

As couves mereceram, sem favor, um Muito Bom. As postas de bacalhau cozido (Bom Mais) foram regadas por um Dão 2004 Vinha do Contador, do Paço dos Cunhas do Contador, fornecido por um benemérito anónimo (recebi uma caixa no escritório do Expresso do Porto, acompanhada de um cartão de Boas Festas manuscrito e assinado com uma garatuja ilegível). Desconhecia este vinho que se revelou claramente à altura dos acontecimentos. Muito obrigado ao dador!

 

A escolha de sobremesas compreendia o essencial: rabanadas irrepreensíveis (confeccionadas pela Isabel, segundo receita própria), bolo rei da Petúlia (obrigado Jorge pela tua gentileza que dura há uns bons 20 Natais) e o já referido Serra Serrão (nada a ver com o meu amigo Manuel de apelido homónimo ao do queijo).

 

A garrafa de Vértice (adquirida no quiosque do ArrábidaShopping por 5.95 euros ao abrigo da promoção Lux, uma pechincha) não chegou a sair do frigorífico. Acompanhamos a sobremesa com um Vintage Port Quinta do Roriz 2005. Obrigado João Van Zeller. Peço desculpa de ter sido pedófilo ao consumir um Vintage com apenas dois anos, mas devo confessar-lhe que o acho demolidor assim jovem e pujante.

 

Levantada a mesa e arrumada a cozinha (tarefa complicada atendendo ao adiantado e lamentável estado de decomposição da canalização que deixou as duas bancas entupidas), passamos ao momento alto da noite – a distribuição e abertura de presentes.

 

Eu fui contemplado com o seguinte lote de sete magníficos presentes:

 

Dois belíssimos quadros da pintora polaca  Iwona Swick Front (ambos da família da obra que reproduzo a encimar este «post»), oferecidos pelo meu primo Fernando e pela Luísa, que estão emigrados em Cracóvia.

 

Uma pele de rena, oferecida pelo Fernando e a Luísa, que já foi colocada no valioso espaço da sala que separa o sofá preto do ecrã de televisão.

 

Um GPS Mio C220 com mapas da Península Ibérica, oferecido pela Isabel. Nunca mais me vou perder nas estradas de Portugal e Espanha. Pelo menos assim espero. Estou mortinho pro começar a dar-lhe uso. E sinto-me tecnologicamente actualizado. No Natal passado recebi um iPod (mais uma vez obrigado aos dois Paulos, Ramalheira e Nordeste, da PT Inovação). Neste ganhei um GPS. Quem sabe se em 2008 não haverá um LCD no sapatinho J

 

Umas luvas castanhas de pele oferecidas pelo João (ou seja pela Isabel), que não achou bem que eu tivesse de pedir umas luvas emprestadas para suportar o frio de Dezembro em Budapeste.

 

Meia dúzia de peúgas pretas de algodão, da Burlington, que dão muito jeito (juro-vos que não estou a brincar) porque a Isabel anda implacável e atira para o lixo as minhas peúgas logo que lhes descobre um pequeno buraco.

 

O livro-álbum The Beatles, a private view, de Robert Freeman, oferecido pela Mariana e pelo Tom, recheado de histórias curiosas e fotografias pouco conhecidas dos primeiros tempos dos Fab Four.

 

Uma camisola cinza antracite de lã (100% Geelong Lambswool), de gola alta e fecho eclair, Pedro del Hierro (Cortefiel), oferecida pelos meus tios Maria Luísa e Abílio. Penso que irá muito bem com o meu fato preto, com leve e fina risca, em situações «casual» composto, como concertos na Casa da Música, por exemplo.

 

Rica safra, não acham?

 

 

música: Now be thankful, Fairport Convention
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publicado por Jorge Fiel às 11:09
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

O BPI é tão meu amigo que até me escreveu uma carta a dizer que me dá um iPod nano 2 GB de prenda de

Fiquei muito satisfeito por saber que o BPI está interessado em ter-me por cliente. Acho que todos nós gostamos de nos sentirmos desejados. A boa notícia chegou ontem à minha caixa do correio.

 

A Carla Chousal, directora central da Direcção de Marketing (com esta função ganha de certeza mais do que eu) começa por me dizer que eu não lhe sou desconhecido. Claro. O BPI conhece-me de ginjeira através dos generosos e abundantes movimentos que faço há vários anos com o meu cartão de crédito Visa Universo.

 

Neste caso, a satisfação é uma rua com dois sentidos. O pessoal do BPI esteve a analisar o histórico do meu cartão de crédito e gostou do que viu. Só falhei uma vez a data do pagamento - por poucos dias e por distracção.

 

Uso a opção de pagamento a 100%, o que é pior para o banco, que preferiria que eu contribuisse um pouco mais para a sua conta de resultados, recorrendo a taxas de juro com dois digitos, mas, enfim, não se pode ter tudo. O BPI concluiu que eu tenho potencial para ser um bom cliente.

 

Vai daí a Carla (cuja assinatura revela uma caligrafia tão arrastada que acho merece uma vista de olhos de um perito em grafologia) escreveu a tentar seduzir-me.

 

Se eu abrir até ao final de Janeiro uma conta no BPI para pagar a conta do meu Visa Universo, ela dá-me um de quatro presentes à escolha.

 

A lista é aliciante:

 

+ GPS Tom Tom One

 

+ iPod nano 2 GB

 

+ Máquina de café Nespresso Krups XN 2001

 

+ Pack DVD 5 séries do 24 Horas

 

Já tenho a máquina Nespresso (que recomendo vivamente, o sistema da cápsulas é fabuloso, sem bem que não seja barato, pois cada uma custa pelo menos 30 cêntimos).

O GPS seria muito útil para me orientar mas não me ajudava encontrar-me, que é realmente o que importa.

 

O 24 é a série das séries e eu estou morto por deitar a luva à 5ª série para a ver de empreitada, num fim de semana, mas já tenho as quatro sagas anteriores do nosso amigo Jack Bauer.

 

O iPod, bem o iPod acho que me dava jeito, pois acho que sou a única pessoa que faz jogging na Foz desprovida de fios brancos e auscultadores nos ouvidos.

 

No final da carta, a Carla desafia-me - «Aproveite já esta oportunidade única» - e aconselha-me a ligar para a Linha Universo para obter mais informações.

 

Acho que vou seguir o conselho dela. Quero ver as letras pequeninas desta «oportunidade única». Será que exigem que eu domicilie o meu salário no BPI? (Nesse caso nada feito). Qual será o saldo mínimo que a conta tem de ter? Por quanto tempo vou ter de manter a conta? 

 

Já tenho idade suficiente para não confundir o Fernando Ulrich com o Pai Natal. Não foi a descer pelas chaminés com um saco de presentes no ombro que os cinco maiores bancos portugueses lucraram 1,3 mil milhões de euros no primeiro semestre deste ano.

publicado por Jorge Fiel às 18:04
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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