Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Moscas anunciam chegada da primavera

Só pode ter a ver com a situação do país. Dantes, o sinal era dado pelas andorinhas. O tempo começava a aquecer. As flores a florirem. Os cãezinhos começavam a andar com as cadelinhas. Era a primavera a chegar com todo o seu esplendor.

Agora o anúncio é feito pelas moscas. Hoje de manhã, quando voltei de levar o João à escola e dar um passeio à beira rio, mal abri a janela do escritório entraram logo três moscas. É informal e oficioso. Mas já estamos na primavera.

 

publicado por Jorge Fiel às 12:22
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Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

A vantagem da mosca estampada no urinol

Infelizmente não sou daquelas pessoas que andam na vida para ver andar os carros eléctricos, até porque os há cada vez menos. Em Lisboa a rede ainda é razoável, mas no Porto o levantamento dos carris na Foz e as recentes obras no Passeio Alegre anunciam a morte do projecto de voltar a levar a linha 1 do Infante até Matosinhos - ou pelo menos até ao Castelo do Queijo.

Sou viciado em objectivos. Não consigo viver sem lista de tarefas a cumprir. Sou vidrado em metas. Tenho a mania de atribuir uma razão de ser a tudo quanto faço. É por isso que sinto uma enorme satisfação quando entro numa casa de banho pública, como a da zona de embarque do Terminal 1 da Portela (na foto), e tenho a grata surpresa de deparar com aqueles raros e preciosos urinóis da Duravit com uma mosca estampada, que permitem aliar o prazer de me aliviar à preocupação de acertar com o jacto de urina na mosca – o que confere ao acto um sentido a um tempo lúdico e responsável.

música: Mellow yellow, Donovan
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publicado por Jorge Fiel às 14:06
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Sexta-feira, 10 de Agosto de 2007

As sete pragas que podem arruinar umas férias de Verão no Algarve

 

São sete os pecados mortais. São também sete as pragas do Egipto e as pragas que podem infernizar as suas férias de Verão.

 

 

A praga das moscas

 

Temi o pior. Segunda feira, no meu primeiro dia completo de férias algarvias, o Alfargar (aldeamento em Santa Eulália onde estou instalado) foi tomado de assalto pelas moscas.

 

Resmas de moscas. Paletes de moscas. Por todo o lado. Senti na pele o pânico dos americanos durante o ataque japonês de Pearl Harbour.

 

Nas tiras dos Peanuts, um dos geniais personagens inventados por Schulz anda sempre com uma nuvem de lixo e moscas à volta dele. Esqueçam essa ideia. Não é disso que estou a falar. Não se tratou de ataques cirúrgicos.

 

Segunda feira, centenas de esquadrilhas de moscas atacavam em formações desordenadas, visando indiscriminadamente portugueses, compatriotas da Maddie ou holandeses, sem dó nem piedade, independentemente do sexo, idade, nacionalidade ou estado (secos e molhados eram indiferentemente seviciados).

 

Tentei sem sucesso estacionar no pátio do apartamento e nas espreguiçadeiras à volta da piscina. Não valia a pena. Enxotar as moscas era envolver-me num combate desigual. Refugiei-me na praia.

 

Ainda estou para perceber o que é que se passou na 2ª feira, dia 2 de Agosto de 2007, em Santa Eulália, porque no dia seguir o efectivo de moscas voltou a normalidade – uma aqui outra ali.

 

Só não dei graças a Deus porque sou agnóstico. Mas se fosse crente com toda a certeza teria dado. Acho que não aguentaria conviver uma semana inteira com dezenas de moscas a usarem-me como porta-aviões.

 

 

A praga dos dentes

 

Só se dá pelos dentes quando eles doem. No Verão passado, a minha quinzena de Agosto no Zavial foi estragada por uma dor de dentes.

 

A dor chegou de pantufas e depois foi subindo até ganhar expressão física -  o queixo inchou ao ponto de fazer inveja ao próprio Frankenstein – ao ponto de exigir uma ida ao dentista mais próximo, em Lagos.

 

Radiografada a mandíbula, o diagnóstico veio rápido. Tinha um quisto, de grande dimensão, alojado sob os dentes 31 e 32, o que levou o dentista algarvio a decretar-lhes uma certidão de óbito antecipada.

 

Felizmente, a notícia da morte dos meus dentes 31 e 32 revelou-se exagerada. Após vários e dispendiosos tratamentos o quisto foi extirpado e os dentes salvos.

 

Foi um final feliz. Mas não há seguro que me devolva os dias de férias sacrificados no altar da dor de dentes.

 

 

A praga do peixe-aranha

 

A bela praia da Costa Vicentina que religiosamente frequento tem como único senão o facto de, frequentemente, na maré baixa, o seu areal ser habitado por nefastos peixes-aranha.

 

Nunca fui picado, mas no Verão passado reparei que o medo estava a vencer-me. Não raro abstinha-me de ir dar um mergulho, ou abreviava ao mínimo as caminhadas dentro de água, com medo da dolorosa picada que quase todos os dias vitima um banhista.

 

Achei que estava a ser imprudente, a desafiar a lei das probabilidades, e que mais cedo ou mais tarde chegaria o dia de eu próprio ser picado.

 

Para contrariar o destino, resolvi rodear-me de todo o tipo de precauções – a preventiva e a curativa.

 

Quem vai ao mar, avia-se em terra. Foi o que eu fiz. Adquiri por oito euros, numa loja da rua principal de Sagres, uns elegantes e confortáveis sapatos de plástico preto, que passei a usar sempre desde que saio de casa para a praia até ao regresso e que, ao contrário do que eu temia, não perturbam os relaxados banhos de mar.

 

E na farmácia, equipei-me com um spray, o Parapic (5.5 euros), que quando aplicado no local da picadela acalma as dores.

 

A minha vitória sobre o terror do peixe-aranha foi total.

 

 

A praga das otites

 

Não sou achacado a otites mas a combinação entre vento, areia e dezenas de mergulhos pode revelar-se letal.

 

As minhas últimas (espero que não derradeiras) férias em Porto Santo foram marcadas por uma noite em branco, a sofrer violentas dores em ambos os ouvidos, seguida de uma visita ao centro de Saúde e um diagnóstico (otite) terrível não só no nome mas também nas consequências.

 

Nos três dias que faltavam para as férias se concluírem estava terminante e absolutamente proibido de voltar tomar banho (no oceano, não no chuveiro).

 

Foi uma grande porra ser obrigado a queimar os últimos dias de férias de praia atormentado por dores e encalhado em doca seca, numa esplanada, a olhar para o mar proibido, nos intervalos da leitura e do mecânico enxotar de moscas.

 

 

A praga da chuva

 

O que é que uma pessoa faz no Verão no Algarve rodeada por crianças impacientes, enregelados por um frio húmido e com o céu plúmbeo a desfazer-se em água?

 

Sei perfeitamente qual é a resposta certa a esta arguta pergunta: Desespera.

 

Uma pessoa desespera porque quando a miudagem já está farta de jogar cartas e da anémica oferta dos canais generalistas, não nos resta outra alternativa senão enfreantarmos o suicídio lento de nos enfiarmos num engarrafamento na 125, que nestes dias não é azul como na canção dos Trovante.

 

A chuva é o ponto mais fraco do Algarve. Se estamos no Sul de Espanha e chove, há tantas alternativas que a dificuldade está na escolha.

 

Assim de cabeça disparo já quatro belos programas alternativos:

 

Visitar o Museu Picasso, em Málaga;

 

Passear nas ruas estreitas do Bairro de Santa Cruz, em Sevilha;

 

Ir ver os macacos a Gibraltar;

 

Fazer uma excursão pela montanha até à fabulosa cidade de Ronda.

 

O problema do Algarve é que a praia é boa. O clima costuma mas ser. Mas, quanto ao resto, estamos conversados.

 

 

A praga do escaldão

 

Eu sou moreno - e vaidoso por isso. Quando era miúdo e fazia um mês seguido de praia na Foz, chegava ao final de Agosto com a pele de uma cor que de tão escura e suja (não era o bronzeado dourado) que à época me privaria de uma data de direitos cívicos se eu vivesse na África do Sul.

 

Por isso, até há bem poucos anos, fiz questão de dispensar o uso de cremes protectores, que olhava como uma mariquice (apesar de me abster de verbalizar essa opinião).

 

Até que apanhei um escaldão. Um terrível escaldão que me impediu de dormir, de tão doloroso era o contacto dos lençóis com a minha pele vermelha.

 

Atribui logo ao avançar da idade a responsabilidade por esta minha transformação de mouro em índio norte-americano.

 

Aceitei pacificamente esta manifestação de envelhecimento e assisadamente resolvi começar a usar um protector solar, que às vezes é mesmo complementado por um «after sun».

 

 

A praga dos melgas

 

Não. Não estou a falar das primas das moscas e dos mosquitos. Estou a falar dos melgas, em sentido figurado, não das melgas, no sentido literal.

 

E se nos dispomos calmamente a passar 15 dias de férias e logo à chegada, na primeira ida à praia, deparamos com uma das pessoas que ocupa o nosso top particular das dez mais chatas existentes à face da Terra?

 

Pois é. É um pesadelo! Um triste e duro pesadelo. Principalmente se esse exemplar das mais chatas pessoas vivas não estiver moreno, o que indicia  que pode estar a começar as férias.

 

Se houver o risco de o melga se colar, recorrendo a imediata adopção de medidas extremas:

 

Se for convidado a jantar em casa dos melgas, embebede-se e vomite. De preferência comece em cima da mesa e confunda o quarto de banho com o quarto dos miúdos;

 

Se eles persistirem em fazer programas comuns e se sentir coagido a retribuir, convidando-os para jantar em sua casa, passe a refeição a apalpar as pernas da mulher melga (1);

 

Sempre que descortinar um pretexto, aplique umas lambadas nos filhos dos melgas;

 

Se eles não desistirem, peça aos melgas para ficarem tomarem conta dos  seus filhos enquanto vocês vão jantar com uns amigos que estão a fazer férias do outro lado do Algarve. E só regressem para os recolher de manhã, pegando neles só depois de se certificarem que lhes foi servido um pequeno almoço adequado;

 

Se eles continuarem a colar, jogue a última cartada, que consiste num ataque frontal e desesperado à carteira dos melgas. Convide-os para jantar no mais caro restaurante das redondezas, esqueça-se de levar dinheiro e cartão de crédito, e apanhe uma bebedeira do caixão à cova com os melhores vinhos da lista.

 

……………

 

(1) Nota importante. Há aqui um pormenor prévio fundamental. Para prevenir uma grave crise conjugal, não se esqueça ponha a sua mulher previamente ao par do plano)

publicado por Jorge Fiel às 09:19
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Eu ao espelho


Nasci em Maio de 1956 na Maternidade Júlio Dinis. Fiz a primária no Campo 24 de Agosto e o essencial do liceu (concluído entre o Nobre e Gaia) no Alexandre Herculano. Entre os 15 e os 21 anos fui militante da LCI. Li quase tudo que o Marx, o Lenine, o Trotsky e a Rosa Luxemburgo escreveram.
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